domingo, 3 de fevereiro de 2019

ESTUDANTE DESENVOLVE MASSAS NUTRITIVAS, SEM GLÚTEN E CASEÍNA, À BASE DE LEGUMES.

Por Célia Ribeiro

No próximo dia 07 de fevereiro, quando os estudantes do Curso Superior de Graduação em Tecnologia de Alimentos, da FATEC-Marília, se reunirem na solenidade de Colação de Grau, uma jovem de 26 anos terá bons motivos para comemorar. No decorrer do curso, ela foi mãe duas vezes e aproveitou o intervalo para pesquisar sobre uma área que lhe abriu portas para o empreendedorismo: Regiele Pedroso Higye desenvolveu massas nutritivas, sem glúten e caseína, utilizando verduras e legumes.
Regiele e o nhoque colorido e nutritivo

A história da estudante é pura inspiração. Natural do município vizinho de Ocauçu, ela veio a Marília cursar Engenharia Civil, já que só assim seu pai, que é construtor, lhe autorizaria estudar fora, aos 18 anos. “Depois de seis meses, consegui minha liberdade e resolvi fazer o que eu gostava, que era alimentos. Eu queria conhecer um pouco mais sobre isso e pensei que o curso fosse mais voltado à gastronomia”, recordou.

Com um emprego que lhe garantia a subsistência, Regiele iniciou as aulas na FATEC com o entusiasmo de quem está diante de um mundo novo a se descortinar diante dos olhos. No entanto, o que levaria três anos até a formatura levou o dobro do tempo. “No meio do curso tive dois filhos, Heron, hoje com três anos e Heitor, que está com oito meses. São a minha riqueza porque não existe nada melhor que ser mãe”, assinalou.

Graças ao suporte da família, principalmente da sogra, Amélia Auxiliadora de Oliveira, e da mãe Maria de Lourdes Higye, a estudante procurou conciliar a maternidade com o curso, ainda que espaçadamente. Determinada, a estudante batalhou por estágios nos laboratórios da faculdade onde recebeu a orientação das professoras Renata Bonini Pardo e Juliana Audi Gianonni a quem dedica especial gratidão. Ela não se cansa de elogiar e creditar às duas orientadoras grande parte do seu sucesso como empreendedora.
Última foto com colegas na FATEC
USO DE VEGETAIS

Regiele disse que aproveitou os intervalos da maternidade para conseguir estágios nos laboratórios e, no tempo disponível, pode desenvolver as pesquisas. De lá  chegou ao Sítio Olho D’Água, em Padre Nobrega, de propriedade da família da professora Renata onde existem uma queijaria, uma leiteria e a produção do conhecido “Café Dona Santina”.

Um dos subprodutos da queijaria, o soro do leite, que seria descartado, foi aproveitado pela estudante em testes para produção de massas, substituindo os ovos. Para incrementar os produtos, ela testou uma infinidade de legumes e verduras chegando aos sabores que encantam adultos e crianças e são cheios de nutrientes.
Atividade com crianças e adolescentes autistas
A degustação era feita pela família da professora: “A Dona Santina, que é bem rigorosa com a qualidade, falava: ‘ainda não está boa essa massa. Faz mais fino’ e eu fazia tudo de novo”, recordou sobre as primeiras experiências.  Na época, Regiele participava do projeto da professora Juliana com crianças e adolescentes autistas no Espaço Potencial, como esta página divulgou na edição de 13 de janeiro.
Cada cor de massa usou um legume diferente

Assim, resolveu aproveitar os resíduos dos legumes e verduras minimamente processados para criar receitas que pudessem devolver nutrientes em forma de alimentos coloridos e saborosos: “Coloquei os legumes para dar liga porque o soro de leite é mais líquido que os ovos”, acrescentou.

A estudante disse que a experiência das massas sem glúten e caseína enriquecidas com os vegetais deu tão certo que optaram por adquirir uma máquina. Regiele partiu para a formalização e abriu a empresa “Sabores Saudáveis – Massas Artesanais Saborizadas” comercializando os produtos com entrega direta ao cliente.

NEGÓCIO

Através de pedidos por WhatsApp, são separados os produtos e um entregador leva no endereço determinado uma grande variedade de massas secas nas versões tradicional, integral e sem glúten e caseína: nhoque, fetucine, spaghetti, tagliarini e lasanha. Estão disponíveis nos sabores alho, açafrão, espinafre, abóbora, beterraba, berinjela, cenoura, manjericão, rúcula e salsinha, além de ravióli recheado com queijo.

Nhoque usa legumes e verduras

Regiele destacou o apoio da professora Renata que lhe permitiu testar suas experiências com liberdade, “usando todas as possibilidades e soltando a imaginação porque gosto muito da área de pesquisa”. Se já tinha preocupação com a alimentação saudável, com a maternidade a estudante passou a se interessar ainda mais.

Ela lembrou que quando o primeiro filho era  bebê, produzia papinhas com resíduos de legumes e verduras minimamente processados que faziam tanto sucesso que aproveitou para ter uma renda extra, vendendo suas produções a outras mães.

O período do projeto com autistas foi muito importante para o aprofundamento das pesquisas focadas na alimentação saudável: Regiele afirmou que “quando uma pessoa tem problema com glúten e lactose, normalmente tem deficiências na sua alimentação”. Por isso, ela se dedicou aos testes até chegar às massas nutritivas que também levam farinha de banana verde, rica em fibras.
Profa. Juliana e Regiele

Massa pronta para entrega

Agora, seu desafio é continuar estudando e compartilhar seus conhecimentos. Pretende lecionar e fazer Mestrado em “Educação Alimentar” na UNESP, campus de Marília. Para a jovem mãe, a orientação segura das professoras Juliana e Renata, o suporte da FATEC e o apoio da família foram a mola que a impulsionará para voos cada vez mais altos.
Para saber mais sobre “Sabores Saudáveis”, o contato pode ser feito no celular: (14) 991775441.

Reportagem publicada na Edição de 03.02.2019 do Jornal da Manhã.

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