domingo, 12 de abril de 2015

Educandário: a obra idealizada, há 60 anos, por Bento de Abreu sobrevive graças à solidariedade dos vicentinos.

Por Célia Ribeiro

No final de 2013, esgotando-se o prazo concedido pela Santa Casa de Misericórdia de Marília para a desocupação da área doada por Bento de Abreu, para a construção de um orfanato, religiosos e voluntários do Educandário Bento de Abreu Sampaio Vidal entraram em desespero diante das incertezas que cercavam a manutenção de uma das mais longevas e importantes obras sociais do município. Quase um ano e meio depois, a instituição está de pé graças à Sociedade São Vicente de Paulo, que assumiu a obra, e voluntários da Associação Amigos do Educandário, com apoio do poder público municipal.
  
Modelagem de pães: delícias que os meninos consumem na entidade
Funcionando provisoriamente no prédio do Patronato, cedido pela Comunidade Santa Izabel, o Educandário atende cerca de 90 meninos, de 07 a 15 anos, de famílias de baixa renda moradoras das zonas norte e sul de Marília. As instalações tiveram que passar por adaptações que demandaram muitos recursos. Mas, como em tudo que envolve a entidade, a solidariedade falou mais alto e o dinheiro apareceu pelas mãos dos voluntários da Associação Amigos do Educandário e da indústria Carino, que doou 20 mil reais para a construção dos vestiários.

A área que abriga o Educandário, apesar de menor que a anterior e sem as instalações de outrora, permitiu a continuidade do atendimento que faz com que os meninos dos bairros mais pobres recebam acompanhamento escolar, alimentação, pratiquem atividades físicas e aprendam sobre cidadania. Desde 1957, passaram pela instituição mais de 3000 meninos, a maioria formada por órfãos.

Oficina de marcenaria do prédio antigo: sonho
de retomar as atividades na nova construção
“Não temos o espaço de antes. A oficina de marcenaria, por exemplo, não conseguimos instalar. Ela funcionava no período da tarde, com orientação do SENAI, para capacitação dos adolescentes”, explicou o Irmão Agenor Lima, diretor religioso da entidade. Ao lado da assistente social Anilza Damine de Lima, ele  se mostrou esperançoso diante da nova fase que se delineia, com a construção de prédio próprio em área da Sociedade São Vicente de Paulo, na zona sul.

O número de garotos atendidos, por sua vez, diminuiu bastante. Dos cerca de 150, apenas 90 estão sendo assistidos. “Muitas escolas da região que atendíamos passaram a funcionar em período integral”, comentou o Irmão Agenor. Por isso, ainda há vagas disponíveis uma vez que a Prefeitura de Marília tem dado suporte à instituição, através da cessão de funcionários, transporte escolar e alimentação.
 
Laboratório de informática: preparando para o futuro
“Não podemos reclamar. Tudo o que o prefeito Vinicius nos prometeu está sendo cumprido”, elogiou o religioso, destacando o papel da Câmara Municipal: “Quando fomos falar com o prefeito e pedir ajuda para não fechar o Educandário, os vereadores estavam lá nos apoiando”, ressaltou. Conforme disse, com a mudança na documentação da instituição, que agora tem CNPJ próprio, os dirigentes vão em busca dos Certificados de Utilidade Pública Municipal e Estadual.

Semeando para o futuro

De segunda a sexta-feira, pouco depois das 7 horas, chegam os primeiros ônibus trazendo os garotos das zonas norte e sul. Eles são recebidos com um nutritivo café da manhã e depois seguem para atividades em sistema de rodízio: enquanto um grupo faz a tarefa com acompanhamento de professoras da Rede Municipal de Ensino, outro participa de atividades esportivas e os demais vão para aulas de informática.
 
(Esq) Irmão Agenor e Anilza na saída das crianças
Após passarem por todas as atividades, os meninos tomam banho, almoçam e são transportados às escolas de seus bairros. Por isso, ao final do dia, da aula seguem direto para suas casas, informou a assistente social.

Ela explicou que uma das atividades mais importantes é a tarefa monitorada. Além das professoras cedidas pela Secretaria Municipal da Educação, há professores voluntários que atuam no reforço de determinadas matérias. “Por exemplo, se um aluno está com dificuldade em matemática, temos uma professora voluntária que o ajuda”, afirmou Anilza Damine.

“A nossa preocupação é que a criança não apenas passe de ano, mas que consiga aprender porque lá na frente vai precisar disso”, observou o Irmão Agenor. Segundo ele, o maior investimento que se pode fazer é na educação de qualidade para que esses meninos possam desenvolver suas potencialidades no futuro: “Queremos preparar essas crianças para o amanhã”.
 
Irmão Agenor acompanha os meninos em atividades externas.
Neste dia, a pescaria foi boa!
Embora estejam suspensas as oficinas profissionalizantes (Panificação e Marcenaria), antes desenvolvidas junto aos jovens de 15 a 18 anos, a panificadora é utilizada como atividade lúdica e também para a produção de pães, roscas e doces consumidos pelas crianças. Com a orientação do padeiro, os meninos ajudam a modelar pães, aprendem a fazer salgadinhos etc. Eles não manuseiam equipamentos e nem chegam perto do forno, assinalou Irmão Agenor, mas têm contato com a atividade e poderão se interessar por ela futuramente.

“É sempre uma alegria quando eles estão lá. Na Páscoa, fizemos chocolatinhos e eles levaram para casa”, contou o religioso. Por sua vez, a assistente social informou que as atividades na panificadora também contribuem para “trabalharmos a questão da higiene e até da coordenação motora dos pequenos que usam massas para modelar os pães”.

Promoções

Sonhando com a construção que será levantada em área da Sociedade São Vicente de Paulo, na zona sul, Irmão Agenor destacou o apoio da Associação Amigos do Educandário. Graças aos eventos promocionais (venda de pizza, feijoada, almoços beneficentes etc), são levantados recursos que ajudam na manutenção da entidade e serão de grande importância quando iniciarem as obras.
 
Alegria na saída do Educandário: bem alimentados e prontos para a aula.
Irmão Agenor também agradeceu o apoio da Comunidade Santa Izabel: “O prédio do Patronato gerava renda para a comunidade que o utiliza para catequese, mas não pode alugar o salão para eventos como antes”. No local funciona o refeitório do Educandário: “Graças a Deus, tivemos muito apoio e a obra continua”, concluiu, enquanto seguia para acompanhar a saída dos meninos até o transporte escolar.

E assim, de banho tomado, bem alimentados e com a lição de casa pronta, os garotos partiram cheios de energia para uma tarde na escola, com a certeza que amanhã será um novo dia com todas as coisas boas que a solidariedade humana, presente na obra de Bento de Abreu, pode proporcionar-lhes.
Para saber mais sobre o Educandário, acesse reportagem de novembro de 2013, clicando AQUI.

Obs: Fotos das crianças são do arquivo pessoal do Irmão Agenor.

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