domingo, 5 de agosto de 2018

A ARTE DA RESTAURAÇÃO RESGATA A MEMÓRIA RESPEITANDO A HISTÓRIA DOS MÓVEIS ANTIGOS

“Naquele tempo”... Quantas conversas começam assim quando se recorda, com saudade, de momentos felizes do passado? E quantas histórias são capazes de guardar os móveis e objetos de família, passados de geração em geração? Difícil precisar. Mas, quem escolheu a restauração como profissão empresta sua sensibilidade para devolver às peças a oportunidade de uma nova vida. E assim começar novas histórias.
Aurélio em sua oficina: concentração total
Da ourivesaria, em que criava finas joias a partir de metais preciosos, o restaurador Aurélio Fiorini, 48 anos, herdou a mania de perfeição. Após 10 anos dedicados à joalheria, descobriu-se restaurador de móveis e hoje leva o nome de Marília para o Brasil e o exterior. Instalado na Rua Coronel Galdino, 355, o artesão mantém uma oficina na Rua Dom Pedro onde restaura e personaliza móveis com resultados surpreendentes.
O guarda-roupa antigo renasce como uma imponente cristaleira
Segundo ele, as pessoas estão redescobrindo a beleza dos móveis antigos fabricados com madeiras nobres. Eles podem ser restaurados mantendo as características originais ou, melhor ainda, transformarem-se completamente: um pesado guarda-roupa pode receber espelhos, vidros, prateleiras, iluminação especial e ocupar lugar de destaque como uma imponente cristaleira.
Além de residências, os móveis vão para lojas, buffets e restaurantes
Da mesma forma, uma antiga cadeira de escritório, bem rústica, após muitas horas de trabalho, pode renascer com a madeira recuperada e receber um estofamento moderno, de cores vivas. As opções são inúmeras: da decoração do hall de entrada de uma residência ao quarto de uma adolescente, a cadeira renovada estará integrada ao ambiente.

RESPEITO

Acompanhado da esposa, Andrea Fiorini, o restaurador tem dedicação integral ao ofício há cerca de 20 anos. Ele é daqueles que não pode passar perto de uma caçamba que para o carro para ver se tem algum móvel descartado. Colecionando dezenas de histórias, ele recordou as muitas vezes em que encontrou móveis antigos, em péssimo estado, que após um demorado e trabalhoso processo de recuperação foram muito disputados pelos clientes.
Irreconhecível: o móvel chegou assim às mãos de Aurélio

Difícil imaginar o trabalho para chegar a este resultado
Em tempos bicudos, já não se encontra mais tantas relíquias assim. Aurélio comentou que “antigamente, era comum a gente passar e encontrar móveis antigos em caçambas na frente das casas. Hoje, quando alguém descarta alguma coisa, logo vai embora. Tenho uma cliente que disse ter se desfeito de um móvel e, logo depois, notou o vizinho recolhendo”.

Ele ressaltou que não tem o hábito de comprar móveis antigos. O que chega à sua loja são peças que as pessoas levam para restaurar ou às vezes fazer uma troca: “Os móveis têm história, têm memória e merecem respeito. Não vou colocar preço em móvel de ninguém porque não somos loja de móveis usados que compram tudo por um preço baixo para revender. Aqui, trabalhamos com restauro e personalização. Então, se o cliente quer uma peça e tem algo que nos interessa, podemos fazer o negócio e todos saem ganhando”, observou.
Uma ópera encenada no Theatro Municipal de São Paulo usou cadeiras de Aurelio
Aurélio afirmou que a maior procura por seu trabalho é pela recuperação de móveis de família. “A pessoa lembra do que viveu na casa dos avós”, assinalou. E esse carinho pelas boas lembranças acompanha os móveis que são devolvidos com uma nova roupagem respeitando sua história.
Muitas horas de trabalho para recuperar essa peça
Restaurada, a peça inicia um novo ciclo.

“O que é da vovó não é dispensado mais. Antes, os avós faleciam e todo mundo colocava os móveis para fora na caçamba. Tenho documentos de família, fotos antigas de famílias que foram encontrados em caçamba, que eu tenho devolvido”, contou, acrescentando que achou um nome conhecido em um documento dentro de um móvel e devolveu à pessoa.
No comércio, as peças valorizam o ambiente de exposição.
O restaurador disse que a mentalidade está mudando e as pessoas voltaram a valorizar o que herdaram: “Hoje em dia a pessoa têm olhado com mais atenção. Está vendo de forma diferente. Tem que preservar, em todos os sentidos, não só o material, mas a memória, porque o móvel nada mais é que a memória. Não só a memória afetiva, mas memória de estilo, de trabalho, de mão-de-obra, do tipo de material usado na fabricação”.
Com atenção aos detalhes, o conjunto de jantar ficou impecável
Perfeccionista, o artesão tem peças enviadas para várias regiões do Brasil e do exterior. Um segmento em que é muito valorizado é o da confecção e restauração de mobiliário para igrejas. Atualmente, ele está trabalhando para uma capela da Casa Paroquial de Vera Cruz e um andor giratório que fez para Nossa Senhora, a partir de um tampo de mesa redondo, já rodou o País em eventos religiosos.
Andor de Nossa Senhora: peça feita com tampo de mesa redonda
ESCOLA

Atualmente, Aurélio Fiorini possui dois auxiliares que classifica como raros. Mas, no ano que vem, quando colocar em prática uma ideia antiga, certamente contará com mais mão-de-obra especializada: ele pretende iniciar um curso de restauração em sua oficina para que os alunos, em pequeno número, possam aprender sobre os vários aspectos que envolvem o trabalho, desde a marcenaria, até a produção de pequenas peças.
Na oficina ele tem milhares de peças para restaurar
Apaixonado pelo ofício, Aurélio acalenta esse sonho há muito tempo e lamenta a falta de mão-de-obra para o setor. São horas e horas em um trabalho que exige atenção aos mínimos detalhes. Tudo é feito à mão utilizando ferramentas diversas. “Não é como colocar um pedaço de madeira na máquina, ligar e apertar o botão do computador. Tudo é manual, feito com cuidado porque cada peça é única”, assinalou.
Mesa e cadeiras restauradas: vida nova
O restaurador sabe que este será um grande desafio. Provavelmente, quem se interessar será por hobby, para se distrair. Agora, se entre os novatos aparecer algum artista talentoso, Aurélio vai logo avisando: “Terei emprego pra ele”.

Para saber mais sobre o restaurador, acesse: http://www.aureliofiorini.com.br/ O e-mail é: restaurabrasilloja@hotmail.com e o telefone (14) 32212091

Em 2013, este blog publicou a primeira reportagem com Aurélio Fiorini, que pode ser conferida AQUI

2 comentários:

  1. Que fantastico! Trabalho apaixonante! Materia incrivel! Quando se faz com amor, o resultado nao poderia ser outro.

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  2. Fantástico!!! Meu querido Mestre Aurélio...Que Deus abençoe e multiplique sempre...uma lindeza que mora em meu coração. ..

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