domingo, 1 de abril de 2012

O BIBLIOTECÁRIO QUE QUERIA SER ENGENHEIRO CONTINUA INVENTANDO: DESTA VEZ, UMA BOMBA D’ÁGUA.

Por Célia Ribeiro

Com o mesmo olhar curioso do menino que desmontava os brinquedos para descobrir qual era o mecanismo de funcionamento, o bibliotecário aposentado que já inventou um original aquecedor solar artesanal, continua pesquisando soluções alternativas para geração de energia.  Desta vez, seu desafio é levar água de um córrego até o lago no sítio do irmão onde mantém uma criação de abelhas.
Antônio e seu protótipo no quintal de casa
Aos 71 anos, Antônio Corrêa Carlos Filho foi retratado pelo Correio Mariliense em maio do ano passado. Na oportunidade, ele contou sua trajetória, falou da paixão pela engenharia e, principalmente, da busca incessante pelo conhecimento. Familiarizado com a pesquisa, devido à profissão de bibliotecário, ele não mede esforços para encontrar o que procura. No caso do sistema elevatório de água, valeu pesquisar na internet e também nos livros com referências do antigo Egito!

No relatório elaborado para a última invenção, Antônio explica como surgiu a necessidade do sistema elevatório, “tendo em vista utilizar um riacho para alimentar um lago artificial onde as abelhas do apiário bebem água e durante alguns períodos do ano o lago fica com água parada por não minar água excedente para a troca. A primeira ideia foi drenar o lago, mas como ele não secou estamos pensando em torná-lo perene através de bombeamento hidráulico direto de um rio que fica bem abaixo do lago”.

O aposentado disse que o irmão já tinha tentado uma opção econômica. Mas, ficou frustrado quando instalou uma roda d’água, em parceria com o vizinho: “A roda d’água funciona de graça, mas tem um custo operacional alto. Precisa ficar limpando, tirando a areia que entra nas peças”, observou.
Modelo "Cherepnov"
ANTIGO EGITO
Decidido a encontrar uma solução de baixo custo, Antônio debruçou-se na pesquisa. Na internet conheceu o trabalho da pesquisadora Doralice Soares que aperfeiçoou o modelo russo, conhecido por elevador hidráulico não convencional “Cherepnov”. Antes, já tinha mergulhado na história, chegando à Fonte de Heron e ao antigo Egito onde, com estruturas rudimentares, conseguiam elevar a água de um nível ao outro nas construções.

 “A partir destas informações e sobre os sistemas de bombeamento dentro das pirâmides do Egito, comecei a pensar em criar um sistema que reunisse as vantagens de ambos e que pudesse também ser melhor em alguns aspectos. Desenhei um para testes, que poderá resolver alguns dos problemas apresentados nos sistemas descritos e que não utilizasse válvulas que é uma desvantagem do Cherepnov, que utiliza duas válvulas de retenção”, observou.

 Antônio explica o funcionamento de seu protótipo, que a família batizou de “Antonov”, da seguinte maneira: “Para não dificultar muito, desenhei um sistema mais simples, que utiliza a queda da água para gerar pressão, comprimindo o ar e, a partir disso, elevar água acima do nível da fonte de alimentação. O que pretendo é que não haja válvulas e que a elevação da água possa superar os demais modelos, analisados, com a combinação de ar/água no recalque, sem válvulas ou outras peças móveis”.
Detalhe da tubulação do "Antonov"
Ele prossegue, acrescentando que, “ao reiniciar o ciclo, toda água que estiver na elevação acima do primeiro nível deve se deslocar de volta para dentro do sistema. De forma que deverá ter um espaço a mais no primeiro tanque para receber esta água excedente. Isso fará com que o nível do tanque superior suba rapidamente e forçará com que o sifão entre em ação por essa elevação brusca de nível do tanque que ele tem que esvaziar até no nível do cano que desce e o volume do tanque abaixo”.
Usando materiais de baixo custo, na falta de uma válvula adequada, o aposentado criou a sua, usando uma moedinha que funciona muito bem na hora de reter a água entre um ciclo e outro. Conforme disse, nas próximas semanas ele testará o protótipo em tamanho natural, com tambor de 200 litros, no sítio do irmão.

“Além dessa aplicação na zona rural, esse modelo poderá ser facilmente construído onde instalarem sistema de coleta de água da chuva. A água armazenada poderá subir até uma caixa no telhado da casa e ser usada para descarga de banheiros, por exemplo”, assinalou o inventor mariliense.
Aquecedor solar artesanal
funciona perfeitamente
Para quem construiu um aquecedor solar artesanal, usando latas de tinta de 18 litros vazias e garrafas PET, que ainda funciona 10 anos depois, não é de duvidar que o sistema elevatório de água tem muitas chances de emplacar, usando apenas a gravidade. Incansável, o bibliotecário que queria ser engenheiro, volta aos cálculos, aos manucristos e à pesquisa na internet: “Logo quero ver a água do lago voltar, bombeada do córrego logo abaixo na propriedade”, finaliza.

Quem quiser entrar em contato com o inventor, o e-mail de Antônio Corrêa é: carlosfac@ibest.com.br

Leia  aqui a reportagem sobre o aquecedor solar artesanal.

* Reportagem publicada na edição de 01.04.2012
   do Correio Mariliense

Um comentário:

  1. Esse elevador tem tudo para dar certo! Parabéns ao inventor! Próximo passo é transpor o Rio São Francisco sem transpor o dinheiro do povo para o bolso dos políticos com obras faraônicas!

    ResponderExcluir