domingo, 22 de janeiro de 2012

PARA AMBIENTALISTA, AINDA HÁ TEMPO PARA REVERTER OS DANOS DO HOMEM NA NATUREZA

Por Célia Ribeiro

O doce aroma do café, coado sobre o fogão de lenha, está gravado na memória do menino que se encantava com o voo dos pássaros e o barulho da chuva acariciando a terra fértil de outrora. Colhendo frutas no pomar e brincando com os pés descalços, a infância passada junto aos avós maternos, de descendência italiana, marcou a personalidade do futuro médico veterinário que, aos 37 anos, é mais conhecido como o inquieto ambientalista Ricardo Cavichioli Scaglion. Nesta página, ele faz críticas e, também, aponta soluções para sérios problemas como a questão do abastecimento de água de Marília e defende medidas urgentes para reverter a degradação ambiental.
Represa do Univem, exemplo de preservação
Só mesmo muita curiosidade e vontade de mudar o mundo para justificar a saga deste profissional que espera deixar para os dois filhos mais que exemplo: uma cidade melhor para viver e prosperar. Assim, ele alia as atividades profissionais com a paixão pela natureza, faz experimentos fitoterápicos e escreve muito, uma média de um artigo por dia (em 2011 foram 375 deles).

“Estamos muito preocupados com a questão da água, não só no contexto da qualidade, que é muito importante, como da quantidade”, dispara o ambientalista, integrante da ONG Origem (Associação Ambientalista de Marília). Para ele, é preciso vontade política para agir o quanto antes e evitar o pior: “Existe um déficit. Estamos tirando mais do que a capacidade do meio ambiente suporta”.

Ricardo Cavichioli

Ricardo Cavichioli observa que a maior parte da água está concentrada no subsolo e a degradação ambiental, promovida pelo homem, tem provocado danos quase irreversíveis. Um dos sinais é o rebaixamento do lençol freático: “Antes, com 30 metros já se achava água. Hoje é preciso perfurar mais de 100 metros para chegar lá. Isso é muito preocupante e um sério problema para as próximas gerações”.

No caso de Marília, o ambientalista avalia que a perfuração de poços é apenas um paliativo. Ele defende a necessidade de recompor as matas ciliares, recuperar e proteger as nascentes de água e despoluir áreas degradadas. Ele cita a represa Cascata onde, apesar dos alertas, as pessoas continuam poluindo, jogando lixo etc.

“A grande maioria das nascentes de Marília foi aterrada, como a da antiga rodoviária, onde era um brejão”, observa Ricardo. Conforme disse, “enquanto se furam poços para retirada de água do aquífero, as nascentes estão desprotegidas, as represas e os rios não têm matas ciliares e a água da chuva não infiltra. Com o aumento da população, está se retirando mais água do subsolo, mas não se está devolvendo a água, o que aumenta o ônus, exigindo obras caras como construções de elevatórios para bombeamento quando o primordial seria investir na recomposição de itambés, nas nascentes”.

Vista dos itambés da cidade
Ele destaca o alto custo para tratamento da água comentando que não se faz a lição de casa, investindo nas nascentes, córregos, rios e represas, “a maioria desprotegidos, que recebem esgoto e foram criminosamente mortos”.

ALTERNATIVAS

O ambientalista não poupa críticas às condições de saneamento básico da cidade, como a falta de tratamento de esgoto. Para ele, a questão do lixo vem sendo protelada nos últimos 30 anos. Ele defende a importância da coleta seletiva do lixo (são 160 toneladas por dia) e a instalação de usinas de reciclagem como forma de geração de renda, melhorando as condições de vida dos catadores, além da produção de energia a partir do lixo orgânico. Tudo isso tendo como subproduto a preservação do meio-ambiente.
Bosque de ipês: raro exemplo de preservação
(Foto: Ivan Evangelista)

Para Ricardo Cavichioli, a questão ambiental será um dos desafios da próxima administração municipal. Ele sugere ao futuro prefeito, a criação de um grupo de trabalho para mapear a real situação, nos vários aspectos, através de equipe de profissionais capacitados (biólogos, agrônomos, geógrafos etc) que apresentaria um plano, estabelecendo um cronograma de atividades.

“Hoje, o que eu vejo nas Secretarias da Agricultura e do Verde e Meio Ambiente, é que estão desprovidas de corpo técnico, de mão-de-obra qualificada e treinada. Eles não têm respaldo nenhum para trabalhar”, dispara, assinalando: “O que a gente vê é poda mal feita. Não existe plano de manejo de substituição de árvore velha e doente. Isso tem que ser permanente, não dá para parar. É preciso sanar o déficit de arborização”.

 O ambientalista afirma que “Marília precisa de um plano de manejo urgente, justamente de um plano de arborização urbana, de plantar espécies endêmicas que são da nossa região, compatíveis com a fiação. Assim, teremos um ar de melhor qualidade, pássaros, abelhas, criando um equilíbrio, uma simbiose entre o ser humano e a natureza”.
Palestra em escolas: educação
para formar e informar.
Acreditando que “meio-ambiente não é só no ‘Dia da Árvore’”, Ricardo Cavichioli segue pregando a defesa da natureza em incontáveis palestras proferidas nas escolas, nos artigos com que brinda leitores de vários veículos, entre os quais o Correio Mariliense, e a militância na ONG Origem onde renova seu estoque de otimismo entre outros ambientalistas: “Cada um precisa fazer sua parte. Eu faço a minha”, finaliza.

Para saber sobre a ONG, acesse: www.ongorigem.org.br e para contatar o ambientalista escreva para: rcavichioliscaglion@yahoo.com.br

* Reportagem publicada na edição de 22.01.2012 do  Correio Mariliense

5 comentários:

  1. Já se vão 33 anos exatamente. Fui passear com a família da minha futura esposa no Rio Tibiriçá e fiquei espantado com o assoreamento do local. Já não tinha mais peixe para pescar e o rio era apenas um fio d'água. Imagino que até já tenha secado. Não moro mais em Marília há anos, mas tenho a mesma preocupação pois a situação da cidade reflete uma tendência mundial, muito preocupante.

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    1. Walter, obrigada pelo comentário! A situação é muito preocupante, mesmo! Abeaços

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  2. Olá Celinha! Por acaso você sabe se há algum posto de coleta de medicamento vencido aqui em Marília? Obrigada.

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  3. Olá, Carolina! Há algum tempo fiz uma reportagem com a Missão Louvor e Glória, que possui uma farmácia popular onde a população doa medicamentos fora de uso e descarta, também, os medicamentos vencidos. Sei que os farmacêuticos voluntários da ONG católica encaminham os medicamentos fora da data de validade para a Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal da Saúde. Agora, posto de coleta de medicamentos, desconheço. Vou pesquisar. Abraços

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  4. Descobri um lugar! Na droga raia da av. Rio Branco. Não sei se as outras têm a coleta também..

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