segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PROJETO SUSTENTÁVEL DE GERAÇÃO DE RENDA ESTÁ PARALISADO POR FALTA DE APOIADORES

Por Célia Ribeiro

Um projeto comunitário concebido na universidade, que gerou renda, resgatou a autoestima de um grupo de idosas, educou muitas crianças e retirou do meio ambiente milhares de litros de óleo usado, está praticamente desativado em Marília, no interior paulista, por falta de apoio. Por incrível que pareça, o “Projeto de Geração de Renda em Redes e Sustentabilidade Comunitária” de autoria da professora e consultora Maria Estela Monteiro não encontrou parceiros dispostos a financiarem a retomada dos trabalhos.

Idosas conseguiam até 400 reais por mês
 Reconhecido nacionalmente, o projeto venceu o “3º. Prêmio Brasil Meio Ambiente” ao lado de gigantes como Bradesco, Furnas e Bayer, na categoria “Melhor Trabalho de Comunicação Social e Meio Ambiente”, apresentado pela Universidade de Marília (Unimar), em 2.008. Desde 2.003, quando a semente foi lançada no solo árido da favela “Argolo Ferrão”, na zona oeste, o projeto já trilhou um longo caminho.

Docente da Unimar à época, Maria Estela levou alunos dos cursos de Psicologia e Serviço Social para o trabalho de campo. Na favela, foi montado um jardim ecológico para educação ambiental das crianças de 06 a 12 anos e iniciada a produção de sabão artesanal a partir da doação de óleo usado envolvendo as mulheres com mais de 60 anos.


Maria Estela, idealizadora do projeto

"No começo, a gente ouvia muita reclamação. Era doença daqui, falta de dinheiro dali, depressão da mãe por causa do filho que estava preso. Com o passar do tempo, as idosas resgataram sua autoestima e a mudança de humor ficou evidente”, recordou a professora. No auge do projeto, depois de testarem várias fórmulas e processos de produção, chegaram a vender tanto sabão que cada idosa faturava em torno de 400 reais por mês, complementando a renda da família.

Maria Estela conta que o projeto iniciado pelo curso de Serviço Social da Unimar, em conjunto com o Finep e o Grupo de Pesquisa Guto/Unesp, foi expandido e teve o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Aliás, é ao secretário Mário César Vieira Marques que ela recorre sempre que precisa de um palestrante para as oficinas de sabão: “Ele é articulado, fala muito bem e impressiona a plateia”, elogiou.
Sabão artesanal: R$ 0,50 o pedaço

Com o passar do tempo, e depois de transferir a produção de sabão para diferentes locais (ONG “Amor de Mãe” , Centro Comunitário do bairro Chico Mendes, Bosque Municipal, entre outros), o grupo está sem local para trabalhar. “O que temos são iniciativas isoladas. Algumas idosas continuam fazendo sozinhas e vendendo sua produção. Enquanto isso, promovemos oficinas em escolas, em shopping center, e damos palestras sobre o aproveitamento do óleo e os benefícios ao meio ambiente”.

Incansável, a consultora perdeu a conta das portas que tentou abrir. Estela levou o projeto a diversas empresas e até para as reuniões de clubes de serviço. Seu sonho é criar um ecoponto modelo para “receber o lixo reciclável da população e ser cuidado pela comunidade do entorno, gerando renda às famílias”, explicou. O investimento inicial é de apenas três mil reais. Mesmo assim, não apareceu ninguém interessado em apoiar.

Produto padronizado em formas plásticas
Numa segunda etapa, a professora vislumbra a unidade inicial servindo de teste para a criação de outros 10 ecopontos na cidade. Assim, além de resolver o problema do correto descarte do lixo, os benefícios sociais serão imensos: “Os catadores de recicláveis não vão mais precisar andar debaixo de sol quente para catar papelão, latas e outros materiais. Eles poderão participar dos ecopontos. Poderemos produzir sabão a partir do óleo e com isso também gerar renda para as famílias participantes”, observou.

O projeto do ecoponto está pronto para ser implantado e consiste numa instalação com um muro e baias onde a população poderá descartar o lixo reciclável. “Podemos instalar em qualquer local, como em supermercados e indústrias, porque não precisa de uma grande área”, afirmou.



Exposição e oficina em locais públicos

Maria Estela Monteiro destacou o apoio de alguns parceiros: a escola de idiomas Fisk é uma das maiores incentivadoras. Além de recolher óleo usado, desenvolve a educação ambiental junto aos alunos e promove oficinas de produção de sabão artesanal, periodicamente. Ela citou ainda a escola Realize e a Charanga Pneus. Recentemente, foi realizada uma oficina de sabão no Colégio Sagrado Coração de Jesus.

Além de Marília, a professora levou o projeto para Bauru. Na favela da “Ferradura Mirim” a Associação de Moradores incorporou a ideia e está gerando renda com o sabão artesanal. Em Pederneiras, o Asilo São Vicente de Paula praticamente se mantém com a renda da produção de sabão.

Oficinas nas escolas: educação ambiental
                                         
Reconhecimento

“Amo Marília e gostaria muito de retomar o projeto aqui, com as três frentes: criança (jardim ecológico), família (renda dos recicláveis dos ecopontos) e terceira idade (produção de sabão). Tenho esperança que ainda conseguiremos o apoio necessário”, concluiu a educadora.

Para maiores informações, os interessados podem entrar em contato no e-mail: monteiroestela@hotmail.com








Reportagem publicada no Jornal "Correio Mariliense" de 07.11.2.010

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