domingo, 29 de julho de 2012

NAS FÉRIAS DA VILA DAS ARTES, CRIANÇAS APRENDERAM SOBRE CONSUMO CONSCIENTE.

Por Célia Ribeiro

Numa época em que a massificação da publicidade voltada ao público infanto-juvenil seduz com novidades e lançamentos instantâneos, apresentar a esses exigentes consumidores as novas possibilidades de aproveitamento do que rotulavam como velho e ultrapassado é como nadar contra a maré. Pois foi exatamente isso que a Vila das Artes fez nestas férias, ao incentivar o reaproveitamento de materiais nos cursos de arte.

Criar reaproveitando materiais: lição para os pequenos
A vila, que o Correio Mariliense retratou, no ano passado, como exemplo de sustentabilidade, não teve folga e manteve o cronograma de cursos (infantil, juvenil e adulto) em julho. Além da clientela que ficou na cidade nas férias escolares, muitas crianças que estavam de passagem por Marília se interessaram em conhecer o lugar que exala arte por toda parte.

 Diante de muitas possibilidades, o Curso de Costurinha é um dos que mais tem atraído a atenção: mães que cresceram assistindo a desenvoltura de suas mães, tias e avós diante da máquina de costura, mas não aprenderam o ofício, agora querem que suas filhas saibam costurar como antigamente.

Direcionado às meninas, a partir de nove anos, o “Costurinha” tem à frente a publicitária e técnica em estilismo e coordenação de moda, Carolina Putinati. Aos 29 anos e com jeitinho de adolescente, a professora é conhecida por sua participação no programa “Tudo Simples” do canal a cabo “Bem simples”, onde ensina artesanato e costura na base da brincadeira.

A pedagoga Mariana explica o passo-a-passo para as aluninhas
“O curso é livre. Elas vêm com as ideias e os projetos delas e eu as ajudo a desenvolvê-los”, explicou Carolina. A cada aula, uma nova descoberta. E assim, as meninas confeccionam bolsas, estojos, almofadas para decorarem o quarto, além de dezenas de itens originais com que presenteiam as amigas.
Letícia Almeida já sabe costurar à máquina
Nada é desperdiçado: os retalhos de tecido são reaproveitados em trabalhos de Patchwork, transformam-se em alças para as bolsas e são matéria prima rica para as aulas de artesanato com espaço garantido onde a imaginação permitir. O conceito de reutilização de materiais é reforçado em cada atividade.

 ARTE NA INFÂNCIA

A estudante de Design Gráfico, Laura de Souza, 18 anos, tem duas paixões: criança e arte. Necessariamente nesta ordem! “Adoro criança desde sempre”, comentou a jovem monitora do curso de artesanato voltado aos pequenos artistas, meninos e meninas, a partir dos quatro anos de idade.

Laura: paixão pela arte
Familiarizada com a atividade artística, Laura começou a desenvolver sua criatividade quando tinha apenas cinco anos, durante as aulas dadas pela artista plástica Patrícia Muller, proprietária da Vila das Artes. Coincidências da vida, Laura é hoje uma das professoras que ajudam a dar asas à imaginação dos pequenos artistas do lugar.

 “Eles participam bastante e temos que usar as ideias deles”, comentou a jovem monitora, mostrando as casinhas de boneca feitas com caixas de papelão, forradas com tecido e que receberam móveis de argila e flores de biscuit nas janelas. Várias técnicas são empregadas para que a criação gerada na imaginação infantil ganhe formas concretas.

“A arte tem a proposta de oferecer o universo não só criativo, mas de autoconhecimento. E isso favorece a criança tanto na parte da escrita, na hora em que ela está na escola, como na hora de desenvolver sua criação”, assinalou a pedagoga Mariana De Lucca, que coordena o trabalho com as crianças da Vila, divididos por faixa etária.

BENEFÍCIOS

Além da demanda espontânea, muitas crianças e adolescentes são encaminhados para a Vila das Artes por médicos, psicólogos e pedagogos. Segundo Patrícia Muller, “toda semana tem o depoimento de um pai sobre ganhos do filho, como melhoria na escrita, no comportamento, na concentração. Acho que quando uma criança está precisando de uma atividade artística, de criar mais, ela acaba desorganizando o outro lado”.

Carolina orienta aluna
A artista plástica defende os benefícios do “resgate de atividades que dão prazer e preenchem um vazio. Então, vamos trabalhar para reaproveitar, pegar um pedaço de madeira que está jogado e transformar numa bandeja para apoiar o iPad, usar o tecido do forro que sobrou para uma almofada e, com isso, mostrar que o resultado é legal com o velho e o usado, também”.

Patrícia e o pufe de pneu: originalidade
Para Patrícia Muller, o ambiente da Vila, construído com quase tudo reciclado, é a prova viva que estimula os alunos a criarem de maneira sustentável: “Um dos nossos papeis é apresentar as inúmeras possibilidades, mostrar que com esses materiais a gente pode fazer arte e das melhores!”, finalizou.

Para saber mais sobre a vila, acesse aqui
A escola fica na Rua Atílio Gomes de melo, 64, perto da Praça Athos Fragata. O telefone é (14) 34547345.

* Reportagem publicada na edição de 29.07.2012 do Correio Mariliense

2 comentários:

  1. A Matéria ficou linda...Explica muito bem como nosso trabalho é conduzido, quais são nossas propostas e quanto tem dado certo oferecer essas possibilidades para as crianças e adolescentes... Trabalhar com sucata para nossos alunos é uma grande festa, graças a maneira como nossas profs encantam as crianças no momento da criação...Papelão, tecido, recicláveis...tudo isso e muito mais são muito bem usados nas nossas aulas.Obrigada Célia e Parabéns pelo seu trabalho.bjs

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  2. Parabéns, Pat! A matéria ficou realmente muito bonita e retrata fielmente os objetivos da Vila. Você é uma pessoa abençoada, amiga. Parabéns pelo trabalho que realiza, parabéns por estar sempre tentando criar e fazer da Vila um lugar ainda mais criativo e mágico!

    Beijos,

    Eneida

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