segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Segundo especialista, a gestão ambiental deixou de ser modismo, gera lucro e inspira bos práticas

Por Célia Ribeiro

Um processo silencioso vem se desenhando no meio empresarial e a face visível atende pelo nome de gestão ambiental. Antes novidade, há algum tempo deixou de ser modismo e é encarada como estratégia para gerar lucro tendo como efeito colateral a contribuição para a preservação do planeta. A opinião é da especialista em Direito Ambiental e sócia proprietária da Aviva – Estratégias e Sustentabilidade, Sonia Cristina Guirado Cardoso.
Sonia Cardoso

Profissional experimentada, com passagens pela Coordenadoria Ambiental do DAEM (Departamento de Água e Esgoto de Marília), Sonia Cardoso é daquelas pessoas que convencem pelos argumentos consistentes, que provam por “A mais B” suas teorias. Ela também difere do estereótipo do “ecochato” que tenta se impor no grito.

Auditora interna do ISO 14001 (certificação ambiental) e com larga experiência no setor, ela analisa o tema fora dos holofotes e observa que as multas às infrações continuam sendo “um grande impulsor da consciência ambiental, principalmente nas pequenas cidades”. Mas, ressalta que “o gestor hoje está muito preocupado porque a questão ambiental deixou de ser plantar uma árvore ou enviar sementes pelo Correio. É uma preocupação sob vários aspectos da empresa, desde o consumo do papel, o estacionamento, a qualidade dos colaboradores, a infraestrutura do prédio. Então, tudo é meio ambiente”.

Segundo a especialista, “não se trata de uma questão pontual. A gente tem histórias de sucesso de pessoas que pensaram na gestão ambiental logo no início e com isso tiveram uma série de incentivos, dentro dos selos verdes, que são as certificações quando se cumpre a parte ambiental”. Ela lembrou que depois da certificação de qualidade (ISO 19001), vieram as certificações ambiental (ISO 14001) e de responsabilidade social, segurança do trabalho e saúde ocupacional (ISSO 18000).

“O gestor que tem esse olhar para o meio ambiente, não como obrigação, não como recurso de multa, mas como parte da finalidade, do seu objetivo empresarial, com certeza ele vai despontar dentro do mercado porque o mercado está selecionando esse tipo de gestor e focando neste tipo de empreendedor”, afirmou.

Custos

Na opinião de Sonia Cardoso, os custos de “pensar verde” não assustam mais: “O investimento não só se paga como gera lucro. A gestão ambiental hoje não é mais um investimento de longo prazo, mas de curto prazo, que vai gerar lucro dentro da empresa por causa da redução de uma série de consumos”.

Conforme disse, essa nova postura culmina na adoção de “novas práticas com a empresa tendo um novo olhar, um olhar mais humanizado para o meio, para a relação de trabalho e isso gera lucro”. Ela citou que quando o funcionário usa mais o correio eletrônico ao invés de imprimir os documentos, ou quando usa frente e verso do papel na impressão, há economia de tinta e de papel. O mesmo vale para se desligar o estabilizador de energia e as lâmpadas do escritório no horário do almoço, por exemplo.

A especialista disse que outro mito que precisa ser derrubado é que “a gestão ambiental atrasa e embarreira os projetos”. Segundo ela, “tudo que afeta a mudança de comportamento é difícil no começo porque está ligado à questão humana. No entanto, de maneira nenhuma um licenciamento ambiental é dispendioso e moroso a ponto de embarreirar um projeto. Ele se torna, sim, um problema quando falta um planejamento estratégico e você vai correr com ele à medida que tem recursos para o projeto”.

Boas práticas

Para Sonia Cardoso, além dos irrefutáveis benefícios ao planeta e ao bolso, os gestores públicos e privados, têm a oportunidade de inspirarem seus colaboradores a adotarem boas práticas no dia a dia. “A gente está passando do momento modismo da sustentabilidade. Começaram a haver reais práticas e essas práticas mudam o comportamento e vão se irradiando porque se o funcionário tem uma responsabilidade ambiental no trabalho, na sua casa também vai pensar em economizar água e energia elétrica, em separar o lixo, em consumir mais vidro do que plástico, por exemplo”.

Ela reconhece que o processo de mudança é lento. Mas está evoluindo e as corporações, mesmo nas pequenas cidades, estão sinalizando neste sentido a começar pela instituição de um setor ambiental, da contratação de consultorias, de contemplar nas auditorias a questão ambiental etc. “É inerente ao ser humano querer ajudar. E, ajudar o planeta é uma coisa que deixa todo mundo satisfeito”, finalizou.

Aviva: http://www.aviva-br.com/

* Reportagem publicada na edição de 28.11.2010 do "Correio Mariliense"
 

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