domingo, 6 de maio de 2012

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL: MARILIENSES APOSTAM NAS VANTAGENS DA OBRA QUE PRESERVA A NATUREZA.

Por Célia Ribeiro

Tudo começa com alguns rabiscos. Geralmente em preto e branco, os traços rápidos revelam diferentes formas geométricas de algo que não cabe no papel. Não importam as dimensões. Grande ou pequena, sempre chega o momento da ideia ganhar formas concretas. Casa, moradia, abrigo, habitação ou porto seguro. São muitos os nomes para apenas um significado: lar! Entretanto, para um número crescente de famílias a construção dos sonhos só será perfeita se também contribuir para a preservação ambiental.

Tijolos ecológicos  evitam desperdício
As construções sustentáveis estão por toda parte. Enquanto nas edificações comerciais existe uma tendência à inclusão de dispositivos visando a eficiência energética, ao reaproveitamento da água etc, de olho nas certificações e selos ambientais, nas construções residenciais o que move os futuros moradores é a preocupação com o meio-ambiente e a economia no bolso, não necessariamente nesta ordem.


A observação é do construtor Sérgio Roberto de Souza Rocha, 34 anos, que trabalha na construção civil desde a adolescência vivida na divisa do Mato Grosso. Apesar da pouca idade, só em Marília ele participou da construção de mais de 30 imóveis e, a julgar pelo número de ligações telefônicas recebidas durante a entrevista, ele precisaria de um dublê para atender tanta procura.

Na última quinta-feira, o Correio Mariliense foi entrevista-lo no Jardim Santa Gertrudes, atrás da pista do Aeroporto. Na Rua Inês Cintra ele comanda uma equipe de trabalhadores que está erguendo a segunda moradia à base de tijolo ecológico. Com sistema de encaixe que elimina boa parte das ferragens e caixarias, os tijolos são unidos por cola comum e representam uma evolução na construção civil.

“O principal é não agredir a natureza porque não tem geração de entulho, nem desperdício”, explicou o construtor. Segundo ele, os tijolos vêm sob medida a partir do envio do projeto à fábrica. Na obra do Aeroporto estão sendo usados tijolos de uma empresa de Oriente, mas na primeira casa que ele fez, no Condomínio Campo Belo, foi usado material adquirido em Pederneiras.

Com redução de até 25% no custo dos materiais, a maior dificuldade está na mão-de-obra. Embora não necessite de um treinamento específico, muitos trabalhadores mostram certa resistência à técnica. Ele observou que “falta mão-de-obra para tudo, e ainda mais neste caso”, citando a fase de aquecimento no setor da construção civil, com muitas reformas e novas obras em andamento.

EMPURRÃO

Sérgio, construtor
O construtor contou que ficou sabendo da novidade pela arquiteta Vera Lúcia Oliveira, autora do projeto do Campo Belo: “Ela que me incentivou. Fui a Pederneiras onde conheci o tijolo ecológico, vi como funcionava, recebi uma apostila e nada mais. A partir daí, começamos a construção que ficou excelente”.

Mostrando interesse sobre a questão ambiental e seu impacto no futuro do planeta, Sérgio Roberto disse estar feliz porque, após a conclusão da primeira casa, tem sido procurado por muitas pessoas interessadas em adotarem a técnica em suas obras.


Cola no lugar do cimento: facilidade e rapidez


Os trabalhadores, por sua vez, até estranham no começo, mas depois que se habituam também apoiam a mudança. Um exemplo é o pedreiro Eliseu de Lima Andrade, 24 anos, que exibindo um tubo de cola garantiu: “É bem mais simples que usar cimento”.

PRESERVACIONISTAS

O casal de servidores públicos Eliana e Adriano Peixoto Treviso, pais de um casal de filhos adolescentes, construiu a casa dos sonhos no Residencial Campo Belo com ligações próprias para utilizar a água da chuva nos vasos sanitários. O próximo passo será instalar uma cisterna para o armazenamento da água que custa caro e vem de graça da natureza.
Residência do Campo Belo, de Eliana e Adriano Treviso

Admitindo que a redução no custo dos materiais  também pesou na decisão, Adriano explicou que a opção pelo tijolo ecológico ocorreu por se tratar de alternativa sustentável, que não gera resíduos nem desperdício. Em janeiro, a família mudou-se para a confortável residência projetada pela arquiteta Vera Lúcia Oliveira, em 260 metros, e só tem elogios a fazer: “Nós acreditamos na alternativa de construção sustentável e com o custo mais barato, unimos o útil ao agradável”, assinalou a esposa, Eliana Treviso.

PARAÍSO PERDIDO

Num cenário que lembra o filme Shangri-La (Paraíso Perdido) de 1.973, a arquiteta Ângela Torres projetou a casa da família de frente para o vale localizado no fim da Rua Shinji Kuroki, na zona leste. Estudiosa das construções sustentáveis, com várias obras em andamento, ela investiu na canalização das minas da propriedade, cuja água limpa é lançada nas cachoeiras do Itambé.

Angela Torres
Além disso, construiu uma fossa séptica para tratar o esgoto que geralmente é lançado “in natura” no bairro, reformou um playground que comprou num ferro velho e teria sido do Colégio Cristo Rei, e reutiliza muitos materiais de demolição para compor um espaço bonito, funcional e em completa harmonia com a natureza.  A entrevista completa e as fotos da Shangri-La mariliense, os leitores poderão conferir no próximo domingo!

* Reportagem publicada na edição de 06.05.2012 do Correio Mariliense

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