domingo, 8 de maio de 2011

UNIVEM MOSTRA COMO O HOMEM PODE VIVER EM HARMONIA COM A NATUREZA

Por Célia Ribeiro

Na manhã ensolarada de outono, enquanto a brisa sopra suavemente, alguns homens revolvem a terra do imenso jardim que impressiona pela beleza e diversidade. Recolhem galhos secos, folhas desgarradas e todo material orgânico que a natureza liberou para que o ciclo da vida continue. São os jardineiros da Fundação Univem – Centro Universitário Eurípedes de Marília, entidade reconhecida pela qualidade de ensino e berço de renomados profissionais, que tem se destacado por um projeto de sustentabilidade modelo.

Belos jardins onde tudo se aproveita (Foto: Ivan Evangelista)
O respeito ao meio ambiente não é apenas ensinado em sala de aula. Toda a comunidade acadêmica, incluindo os colaboradores dos diferentes setores, participa ativamente do trabalho que simboliza uma declaração de amor à natureza. Tudo o que pode ser aproveitado encontra uma destinação correta, explica a consultora de Jardinagem e Paisagismo, Lilian Aparecida Marques de Oliveira.

Coleta seletiva
 Conhecida como “Lilian Flor”, a ex-professora de Ciências e Biologia é uma militante há muito tempo: “Participei de passeatas da Eco 92”, recorda sorrindo, antes de apresentar ao “Correio Mariliense” os tesouros bem conservados da universidade. Para começar, um passeio pelo viveiro de mudas que ela chama, carinhosamente, de UTI: “Quando alguma planta está morrendo, a gente a substitui e leva a planta doente para se recuperar. Depois, ela fica novinha outra vez”.

Lilian Flor
 Caminhando mais um pouco, chega-se à Estação de Reciclagem de Lixo que impressiona pela organização. Bolsas gigantes (bags) foram posicionadas para receber os materiais cuidadosamente separados. “Separamos plástico duro, plástico comum, papel, papelão, latinhas, garrafas PET etc. Quanto mais separado estiver o lixo, melhor preço conseguimos na hora de vender”, explica. Tudo gera renda que é investida nos projetos sociais destinados aos funcionários.

O óleo do refeitório é outro exemplo de reaproveitamento: o produto é armazenado em galões e depois se transforma em sabão usado na higienização dos utensílios da cozinha. Além da economia e da eliminação dos efeitos nocivos do óleo lançado “in natura”, as colaboradoras deixam as panelas e bacias de alumínio brilhando.

Móveis geram renda
 OFICINAS
Dentre os diversos projetos sociais da Univem, que a reportagem abordará futuramente, destacam-se as oficinas de bambu e de tear. Nas horas vagas, os colaboradores da universidade (manutenção, jardinagem, coleta seletiva de lixo etc) exercitam sua parte artística. Como resultado, lindos móveis de bambus e objetos de decoração são produzidos e vendidos com renda revertida aos funcionários.

A preocupação com a preservação ambiental está no DNA da universidade e, assim, ela consegue a adesão dos colaboradores sem esforço. Por exemplo, nenhum galho de árvore, folhas ou restos de plantas são jogados fora: eles são recolhidos e levados para a usina de compostagem onde se decompõem e voltam para os canteiros de plantas e flores como adubos naturais de primeira qualidade.

Adubo natural
Para irrigar a imensa área verde e os jardins, criados pela artista plástica e paisagista Neusa Macedo Soares, a Univem utiliza a água de uma represa construída nos fundos do campus, quase na divisa com o paredão do vale de onde se tem uma vista privilegiada da zona sul de Marília. Ivan Evangelista, do Departamento de Marketing e Comunicação, conhece cada pedacinho do bosque de mais de 3.000 árvores de dezenas de espécies ao redor da represa.




Águas cristalinas irrigam os jardins na estiagem

Percorrendo a área em um utilitário, ele para de tempos em tempos para apresentar os pássaros e contar histórias sobre determinadas árvores frutíferas ou melíferas. Sim! Tem abelhas no rico ecossistema da universidade. Lá estão pés de goiaba, pitanga, calabura, manga, laranja, jambolão etc que alimentam pássaros e animais silvestres.

Siriema muito à vontade
(Foto: Ivan Evangelista)

Falando em animais, eles estão tão à vontade ali que normalmente são vistos no estacionamento, entre os veículos, algumas siriemas, pica-paus e lagartos que se espreguiçam ao sol sem a menor cerimônia. “Eles acham que têm vaga reservada”, brinca Ivan Evangelista que documentou milhares de flagrantes em fotos belíssimas.

EXPOSIÇÃO

“O Brasil está jogando fora muito dinheiro. Sempre digo que lixo é dinheiro”, destaca Lilian Flor antes de anunciar a exposição que a universidade fará em junho, na Semana do Meio Ambiente, ainda sem data definida para abertura. A comunidade acadêmica e a população em geral poderão conhecer todo o trabalho de sustentabilidade da Univem.

Além dos materiais já disponíveis, como os banners que mostram as diferentes atividades, Lilian Flor e Neusa Macedo Soares resolveram inovar: cartazes feitos com papelão, escritos à mão e emoldurados por galhos secos apresentarão as informações de maior interesse. Nada mais apropriado que falar de preservação ambiental dando exemplo de respeito à natureza em todas as suas fases.

Cartazes de papelão e galhos secos
 Para conhecer mais sobre a Univem, acesse: http://www.univem.edu.br/

Viveiro: UTI de plantas


* Reportagem publicada na edição de 08.05.2011 do "Correio Mariliense"

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