domingo, 25 de setembro de 2011

CHAPLIN ABRE AS PORTAS E REVELA COMO COLABORA COM A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL.

Por Célia Ribeiro

Patrimônio gastronômico de Marília, desde 1.981, milhares de clientes têm alguma história para contar do Chaplin, o restaurante e pizzaria que as pessoas têm o prazer de apresentar aos parentes e amigos em visita à cidade. O que pouca gente sabe é que, por trás da gigantesca engrenagem que faz tudo funcionar como um relógio suíço, está uma preocupação ambiental levada a sério nos mínimos detalhes.

 
Chaplin é patrimônio gastronômico da cidade
 Muito já se falou das famosas pizzas e do chope cremoso, do cardápio com seus filés de dar água na boca, do torresmo e da feijoada tradicional, das pessoas bonitas que circulam por lá para torcer para o time do coração assistindo os jogos nos telões, em plena quarta-feira, ou nos borbulhantes finais de semana com música ao vivo. Da moçada às famílias mais conservadoras, há espaço para todas as tribos.


Madeira de reflorestamento
 O Chaplin que o “Correio Mariliense” vai revelar agora, poucos conhecem: administrado por um grupo de profissionais egressos do mercado financeiro, há quatro anos e meio, o restaurante adota boas práticas em sustentabilidade. Quem conta é um dos sócios, Marcelo Diniz, que junto com o irmão Paulo Diniz e os sobrinhos Fernando Diniz e Lupércio Fagundes, está à frente do empreendimento.

RECICLAGEM

Para começar, o forno da pizzaria utiliza apenas madeira de reflorestamento. É uma boa notícia em tempos de desmatamento e seus reflexos no aquecimento global. As embalagens (vidros, latinhas de alumínio, tampinhas, plástico e papelão) são doados a um coletor de recicláveis que tira dali o sustento de sua família. Da mesma forma, o óleo das fritadeiras tem destino certo: uma empresa certificada recolhe e transporta o material até a cidade de Sumaré, na região de Campinas.

Fim do desperdicio de água
Lá, os resíduos são separados do óleo e descartados em aterro sanitário certificado; a gordura segue para a indústria onde se transforma em massa para instalação de vidro, produtos de limpeza e biodiesel. Parece simples, mas é preciso ter alguns cuidados, ressalta Marcelo Diniz: “Não dê o óleo vegetal ou gordura da sua casa para qualquer um, porque ele pode não saber o que fazer com ele; tem que ser empresa que tem autorização da Cetesb para retirar e transformar ou entregar para alguém que faça isso”.

O empresário observou que “a gordura vegetal da fritadeira é como o óleo de automóvel que deve ser trocado periodicamente. No caso da fritadeira é o tempo de uso. Nós procuramos trocar antes do prazo, para poder ter um melhor resultado no produto final para o cliente”. Como consequência, são gerados dezenas de litros de gordura, que se fossem lançados no esgoto, teriam um poder de contaminação devastador.

Sócios: (Esq) Fernando, Paulo, Paula, Marcelo e Lupércio
QUALIDADE

Marcelo Diniz afirmou que o restaurante procura evitar o desperdício: “As sobras são doadas para um pequeno suinocultor. Aqui, nada do que está pronto é reaproveitado. É muito comum encontrar, nesta área, reaproveitamento, como o filé que sobra e vira croquete e assim por diante. Aqui não vira nada”.

Todo óleo é coletado e enviado à indústria em Sumaré
No entanto, quanto à matéria prima não utilizada, a criatividade fala mais alto: os pães fabricados sob medida para o Chaplin, caso não sejam usados no dia, são devolvidos à panificadora para produção de farinha de rosca usada nos empanados. Já para a produção do famoso torresmo, o exigente controle de qualidade faz com que 30% das pancetas suínas sejam descartados. Os retalhos são devolvidos ao açougue que fornece, em troca, outros produtos de origem animal usados na alimentação dos 47 funcionários.

Farinha feita do pão
Na parte das bebidas, os garrafões de vinho nacional retornam ao fornecedor para serem envasados, novamente. Já as garrafas de vodca e uísque importados são quebradas e o vidro encaminhado para reciclagem: a preocupação é evitar que as garrafas de marcas famosas sejam alvo de falsificadores de bebida.

ÁGUA: BEM PRECIOSO

No poço artesiano do restaurante foi instalado um hidrômetro que mede a saída da água e, com isso, o Chaplin paga a taxa de esgoto proporcional ao DAEM. E, para evitar o desperdício, instalou torneiras automáticas nos lavatórios dos banheiros. Em tempos de falta de água, os empresários querem dar o exemplo.

Falando em exemplo, Marcelo Diniz disse que as ações voltadas à preservação ambiental também têm o objetivo de educar os funcionários do estabelecimento. Da separação do lixo aos cuidados com o uso racional da água e produtos de limpeza, tudo é feito pensando na sustentabilidade.

Para fazer o famoso torresmo
há 30% de sobras de panceta
Como os sócios são da área financeira, foi inevitável a pergunta: quanto os donos do Chaplin lucram com as medidas? A resposta veio de bate-pronto: “Essas coisas não são feitas visando o lucro”, afirmou Marcelo Diniz, que garantiu: “Se for ver o dinheiro que isso dá, dá mais trabalho que dinheiro. Mas, acho que temos que pensar o seguinte: qualquer coisa que você puder fazer para colaboração com o meio ambiente, vai voltar para a gente mesmo”.

Antes de encerrar a entrevista exclusiva, enquanto notava uma fila de fornecedores à espera de uns minutinhos, Marcelo Diniz deixou uma mensagem para reflexão: “É mais fácil viver pensando na sustentabilidade, na reciclagem, porque você tem um ambiente mais limpo, o que é bom para todos”. Para saber mais, acesse: http://www.chaplinmarilia.com.br/

*Reportagem publicada na edição de 25.09.2011 do Correio Mariliense

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