domingo, 3 de outubro de 2010

ASSOCIAÇÃO FILANTRÓPICA DE MARÍLIA: A SOLIDARIEDADE QUE TRANSFORMA MENINOS EM CIDADÃOS

Por Célia Ribeiro

Luiz Carlos Laraya
Os cabelos grisalhos bem cuidados e o brilho no olhar escondem a idade. Que dirá do sorriso aberto quando recorda histórias de uma das entidades assistenciais mais longevas da cidade. Afinal, essas histórias se misturam à sua própria vida porque a Associação Filantrópica de Marília foi fundada pelo seu pai, Luiz Laraya, e um grupo de amigos, quando ele tinha apenas um ano de idade.

O administrador de empresas aposentado Luiz Carlos Laraya é o atual presidente da instituição que completará 68 anos de fundação, no próximo dia 30 de outubro. À frente de dezenas de apoiadores e voluntários, ele faz questão de agradecer “o coração nobre da população que sempre nos ajuda”.
Colorido na arte e no ambiente


Sala de atendimento psicológico
 As dificuldades são inúmeras, a começar pelas subvenções: R$ 1.000,00 por mês do governo do Estado e R$ 1.600,00 mensais do governo federal. A Prefeitura de Marília colabora com o salário de quatro funcionários e parte dos alimentos. Para a conta fechar no fim do mês, a entidade realiza promoções e bazares nos dois primeiros sábados do mês, além de receber ajuda financeira dos mantenedores.

Há alguns anos, aproveitando uma iniciativa do ex-vereador e presidente da Câmara Municipal, Walter Cavina (PSDB), a Filantrópica obteve gratuidade na conta de água fornecida pelo Daem (Departamento de Água e Esgoto de Marília) porque abriga crianças. Coincidências da vida, o último ex-diretor do Daem, Antônio Carlos Vieira (Sojinha), foi interno na entidade “por uns 10 anos”, revelou o presidente. Sojinha formou-se em Direito.

Trabalhos artesanais usam jornais e recicláveis

Para Laraya, apesar das adversidades, o balanço tem sido positivo: “Tivemos muitas histórias de sucesso. Mas, também, algumas histórias de fracasso. Temos ex-internos que fizeram faculdade, casaram e formaram família, construíram brilhantes carreiras e se tornaram pessoas de bem”.

Ele contou que na última edição do Japão Fest, no começo do ano, encontrou um rosto conhecido na multidão. “Nós nos reconhecemos dos tempos da Filantrópica. Era um dos meninos abrigados. Quando completou 18 anos e saiu, ele passou no concurso do Banco do Brasil, fez carreira e hoje tem família e está aposentado”.

Cidadania


Além do roupeiro coletivo, meninos têm armários próprios
 Os meninos chegam à Filantrópica na faixa etária entre 02 e 07 anos. Nem sempre são órfãos e quando têm família podem receber visita duas vezes por semana. As crianças são abrigadas até completarem 18 anos: “Mas, tem casos em que prolongamos esse tempo para que o interno possa concluir os estudos se estiver matriculado numa escola próxima à entidade, por exemplo. Da mesma forma, investimos em cursos de inglês quando percebemos que o interno tem interesse e deseja se preparar”.

Encravada em uma área de mais de 40 mil metros quadrados, a Associação Filantrópica tem instalações simples, mas muito bem cuidadas. A limpeza é supervisionada de perto por Fátima Mussi, um dos braços direitos do presidente que conta, também, com o apoio da assistente social Juliana Rino e da psicóloga Dalva Maria Furlan. Ao total, trabalham na entidade 14 funcionários: professores, cozinheiras, serventes, faxineiras, babás noturnas, secretária, coordenadora, contador, auxiliar de desenvolvimento escolar e uma fonoaudióloga voluntária, Sabrina Domingos.

A preocupação com o bem-estar dos meninos fica evidente no aparato de segurança: câmeras visíveis em vários ambientes e outras não perceptíveis permitem que os diretores possam acessar as imagens e visualizar o que acontece na entidade, remotamente, em tempo real. Por 35 dias as imagens ficam arquivadas.

Brinquedos para todas as idades
A tecnologia é uma importante aliada. No entanto, o amor e dedicação da equipe profissional são os grandes responsáveis pelos bons resultados da Filantrópica na formação dos meninos: “Ficamos muito felizes quando vemos que os adolescentes saíram daqui e viraram cidadãos com os valores que receberam”, afirmou a assistente social Juliana Rino.
Lavanderia equipada

Por sua vez, a psicóloga Dalva Furlan observou que “as empresas poderiam colaborar conosco para que pudéssemos ter oficinas profissionalizantes, como uma marcenaria. A partir de 16 anos as empresas podem receber o menor aprendiz, mas não temos como ensinar uma profissão aos que estão na faixa de 12 a 14 anos”. Ela citou a indústria Carino como uma das parceiras que recebem os menores aprendizes da entidade.

Reforma

Piscina: custa caro manter
Além da manutenção natural a uma construção tão antiga, a Associação Filantrópica precisa de investimentos permanentes. Recentemente, foi construída uma nova lavanderia com a verba de 130 mil reais liberada pelo então chefe da Casa Civil do governo do Estado, Aloysio Nunes. Em campanha pela cidade, ele aproveitou para visitar a entidade há alguns dias.

Graças às doações da Flex Imóveis e da indústria Carino está sendo substituído o grande portão de acesso à entidade. “Os menores estão sob nossa responsabilidade e, assim, temos que oferecer toda segurança a começar pela entrada”, explicou Laraya.

Voluntariado
Irena e Rosa Laraya: voluntárias

Na sexta-feira, com o mesmo carinho e dedicação do marido, Rosa Laraya, dava os últimos retoques na arrumação do bazar da pechincha que seria realizado ontem. Ela estava acompanhada de outra voluntária, Irene Vicente Fernandes, idealizadora das araras improvisadas. Roupas de ótima qualidade, vestidos de festa, brinquedos, calçados, bolsas e até eletrodomésticos doados pela população são vendidos a preços baixíssimos e geram renda.

Neste mês, o bazar vai acontecer, novamente, no próximo sábado e os clientes podem escolher tudo com calma num ambiente acolhedor e bem organizado: “Os preços são baixos, de um ou dois reais para roupas, em média, porque nosso público é de baixa renda. Assim, eles nos ajudam a manter a Filantrópica e nós os ajudamos com os produtos de boa qualidade do bazar”, assinalou Rosa.

E a lista de necessidades não para de crescer: instalação do forro das casinhas que abrigam o bazar; material para limpeza da piscina onde são desenvolvidas atividades esportivas e de recreação, manutenção da horta, reforma da quadra de areia e construção de um playground para os pequenos, entre outros.
Dalva, Fátima, Juliana e Laraya: equipe nota 10

Integram a Diretoria Executiva da Filantrópica, além do presidente Luiz Carlos Laraya, o vice-presidente Reginaldo Arthus, o 1º. secretário Ademir de Oliveira, o 2º.secretário Luiz Fernando Cardoso, o 1º.tesoureiro João Augusto Leão Garcia, o 2º.tesoureiro Sérgio Gomide, o procurador jurídico Rubens Cardoso Bento e o procurador jurídico adjunto Alberto de Oliveira e Silva.

Para quem quiser conhecer e puder ajudar: a entidade está localizada à Rua Adolfo Pinto, nº 330, bairro São Paulo (próximo ao Tauste Norte), telefone (14) 34335057 e e-mail: filantropicamarilia@ig.com.br.

* Reportagem publicada na edição de 03.10.2010 do Correio Mariliense

11 comentários:

  1. Agradeço a família Laraya e a todos os colaboradores que ajudam a manter esta entidade.Pois se não fosse pelo apoio,dedicação,ensinamentos,proteção e carinho,talvez as crianças de ontem,ñ se transformassem nos Homens de hj.Agradeço em nome do meu namorado.Deus abençõe!!!Patty

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    1. Obrigada por seu comentário, Patty! A entidade faz um belo trabalho, sim. Abraços

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  2. Gostaria muito de agracer ao povo mariliense que sempre nos apoiaram que Jesus abençõem todos. O nosso muito obrigada. Continuem nos ajudando Precisamos muito de ajuda e do apoio de todos. Celinha vc é formidavel obrigado de coração.

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    1. Olá, pessoal! Eu me emocionei muito ao fazer essa reportagem. São pessoas sérias que merecem todo apoio da comunidade mariliense. Abraços

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  3. Senhor Laraya, é muito bom saber um pouco da sua história de filantropia, mas por favor não nos abandone, continue sempre com a gente.;

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  4. MUITAS LEMBRANÇAS TENHO DESTE LUGAR,EU COM 2 ANOS DE IDADE MINHA MÃE SEM CONDIÇÕES,LEMBRO MUITO DE TODOS NO ANO DE 1980 SAUDADES GOSTARIA DE SABER SE VCS TEM FOTOS DESTA ÉPOCA DE QUANDO ERA PEQUENO...

    MEU NOME Landecir Jorge Moreira

    email-landecir@gmail.com

    há hoje sou missionario no amazonas eu e minha familia
    Maués amazonas

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    1. Landecir, obrigada por seu comentário. Tentarei avisar o pessoal da Filantrópica e informarei seu e-mail para que estabeleçam contato. Um abraço!

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    2. Olá eu também também morei aí na filantrópica no anos 80,vim embora em 1982,pra são Paulo onde moro até hoje sou casado a 31 anos,tenho 2 filhas,e me lembro que tinha 2 amigos aí com nome de Jorge,um inclusive era o Jorge rosa,nunca mais tive notícias de ninguém,agradeco a todos da filantrópica Ismael nogueira filho

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  5. ola,hoje pensei no colegio resolvi achar na internet,bom eu quando tinha uns 5 ou 6 anos,fui internado nesta instituição,nos anos 80,ai quem cuidava da gente era sebastião e dona elvira,era uma vida dura ai,mas hoje sou grato por tudo,aos 14 anos tirei carteira trabalho,estudava noite trabalhava de dia,anoite ia dormir no colegio,tive muitos irmaos assim posso dizer ai eram mas de 150 crianças,cresci,vim para sao paulo de onde eu nasci,caminhei sozinho,casei tenho 2 filhas lindas,to casado a 31 anos,hoje estou com 48 anos,tenho saudades da filantropica,lembro dos pes de jabuticabas atras da lavanderia,o campo futebol,escolinha e parque,os pes de mangas as casas que tem ai na entrada,fiz muita muda de cafe ai no balainho,o tempo que so tem no meu coracao,que levarei para sempre,so tenho que agradecer,muito a quem estiver hoje ai no comando,nao sei se sr romildo esta vivo,quem sabe um dia vou ai fazer uma visita,tempo aqui é corrido muito trabalho,cidade grande,transito caotico,bom é isso.deixo meu e-mail,isma_nogue@hotmail.com

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    1. Passando para desejar um ótimo final de semana para todos aí em Marília abc Ismael

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  6. Que legal achei essa linda reportagem Eu que fis parte dessa molecada de 1951 a 1958 Eu era um garoto que gostava de frutas A gente tinha um pomar de tangerina , ameixa Manga tudo ai na Filantropica . Gostaria de encontrar amigos da época

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