Magérrimas, altas e elegantes, elas envergam trajes que só se vê nas passarelas e nos editoriais de moda. Em comum, as manequins exibem peças criadas pelos estilistas que alinhavam sua formação em experimentos, estudos e pesquisas dedicando atenção especial à sustentabilidade. As modelos expostas na vitrine da FAIP (Faculdade de Ensino Superior do Interior Paulista) são, na realidade, apenas bonecas vestidas com as criações originais dos alunos do Curso de Moda e Estilismo que, a exemplo das modelos de verdade, atraem olhares curiosos.
Bonecas na vitrine |
Ao completar cinco anos de atividades, o curso caminha para a formatura da terceira turma, informa a coordenadora adjunta Esmeralda Bassalobre Santaella, exemplo bem acabado de sucesso profissional. Ex-aluna, ela relata com entusiasmo juvenil o crescimento do expressivo mercado de trabalho para os profissionais da área e explica como os futuros estilistas poderão contribuir com as questões ambientais ao explorarem soluções alternativas, em termos de tecidos e matérias-primas, além de investirem na customização de peças.
Esmeralda, coordenadora |
O Curso de Moda e Estilismo tem duração de quatro anos, período em que os alunos aprendem desde desenho, modelagem, estamparia, fotografia e dezenas de outras disciplinas. A grade curricular, que tem entre os destaques o “Ecodesign”, exige uma estrutura à altura para as experimentações.
Assim, as amplas instalações da FAIP às margens da Rodovia BR 153, no Distrito Industrial, contam com auditório que acomoda 700 pessoas, passarela profissional, laboratório de estamparia, laboratório de costura composto por máquinas profissionais, laboratório de fotografia para os editoriais de moda etc.
Se o aluno não sabe desenhar, isso é questão de tempo, observa a coordenadora mostrando, toda orgulhosa, os cadernos da turma: os rabiscos primitivos, quase infantis, vão evoluindo com o tempo e, ao final, o aluno já está desenhando com base num modelo vivo contratado para permanecer imóvel durante horas diante dos estudantes
Estudantes na laboratório de modelagem |
Esmeralda assinala que “todo o trabalho é feito com base em estudo e pesquisa. É trabalhada a criatividade do aluno. Ele começa a observar com mais clareza, com mais perspicácia, os detalhes. Ele acaba tendo uma criatividade muito aguçada e sai daqui criando e não copiando”.
No Curso de Moda e Estilismo o campo é fértil para os experimentos. Durante os eventos internos e externos, os estudantes têm a oportunidade de mostrarem o que aprenderam. Entre os aspectos estudados, um tem merecido muita atenção: a tecnologia têxtil. A partir de fios mais duros ou maleáveis, naturais ou sintéticos, eles exploram o caimento das peças e se permitem inovar, deixando fluir a imaginação.
Detalhe da escama de plástico (PET) |
O profissional formado com essa visão diferenciada será capaz de influir positivamente nos diferentes aspectos da sustentabilidade (ambiental, social, econômica e cultural), acredita a coordenadora. Ela lembrou que foram realizados desfiles de moda sustentável em simpósios da faculdade em 2011 e 2012, como parte da programação da disciplina “Ecodesign”.
Outra iniciativa foi o trabalho com malha eco, a partir de garrafas PET. Esse tecido original, que contribui com a natureza ao tirar de circulação milhões de garrafas plásticas, foi a base para confecção de bolsas e acessórios na faculdade. Esmeralda destacou a customização de roupas que reaproveita as peças do vestuário dando-lhes uma nova forma e muito mais tempo de uso.
Aluna e sua criação |
Com as ferramentas adequadas, estrutura laboratorial e orientação de professores dedicados, os alunos de moda e estilismo esperam sair prontos para criarem a sua moda sem perderem de vista o que os exigentes consumidores esperam em matéria de criatividade sustentável.
* Reportagem publicada na edição de 24.06.2012 do Correio Maríliense.