domingo, 20 de maio de 2018

PROJETO DE CIDADANIA DE ESTUDANTES DE DIREITO DESPERTA A SOLIDARIEDADE

Por Célia Ribeiro

Gratidão. É com um forte sentimento de realização que a jovem docente, criada em uma pequena cidade de 3 mil habitantes, lidera um projeto que conquistou mentes e corações dos estudantes de Direito do UNIVEM (Centro Universitário Eurípedes de Marília). Daniela Marinho, 36 anos, especialista na área Tributária, coordena o Proato – Projeto de Cidadania Proativa e Direito que desperta a solidariedade, para ajuda ao próximo, ao mesmo tempo em que desenvolve várias competências nos alunos.
Daniela Marinho: inspiração para os alunos

Iniciado há seis anos, o Proato nasceu da necessidade de levar a disciplina de economia mais próxima à realidade dos estudantes. Daniela Marinho conta que a matéria, a despeito de sua importância na grade curricular, não atraía a atenção dos seus alunos. Egressa do UNIVEM, com pós-graduação e mestrado na área Tributária pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), ela decidiu tentar algo que despertasse o interesse dos acadêmicos.

“Criamos um evento chamado ‘Colóquio Direito e Economia’. Todos os alunos do primeiro ano de Direito participaram e cada sala tinha uma missão. O objetivo era discutirmos as mazelas econômicas na sociedade”, recordou. Conforme disse, “Adam Smith, Karl Marx e David Ricardo eram autores que eles só estudavam para a prova, mas não fazia sentido, não tinha nada com o contexto onde estavam inseridos”.

Neste primeiro evento, “as mazelas econômicas e sociais puderam ser estudadas a partir destes autores”, envolvendo os estudantes que se organizaram para criarem as mais diferentes formas de manifestação: através de peças teatrais, músicas e produção de vídeos, eles se expressaram levando para o dia-a-dia os conceitos disponíveis nas publicações dos três autores que são referência mundial em economia.
Estudante de Direito que integram o Proato: time diferenciado
“Percebi que naquele projeto os estudantes promoveram a integração, fizeram amizades, porque tinham que se reunir para elaborarem o material e ensaiarem juntos. Vimos que eles tinham condições de produzirem conhecimento e faziam isso melhor do que a gente porque o nosso modo é mais conservador, dogmático”, acrescentou a professora.

Daniela Marinho observou que “quando vimos os alunos reproduzindo questões de clássicos da disciplina, como Adam Smith, Karl Marx e David Ricardo, naquela linguagem que todo mundo conseguia entender, percebemos o potencial da arte” no sentido de envolver e prender a atenção dos acadêmicos.
Solidariedade: alunos fazem doações às entidades beneficentes

GRANDE AUDIÊNCIA

Diante da bem-sucedida experiência, com auditório lotado e plateia eclética (comunidade acadêmica, pais, alunos do ensino médio etc), “percebemos que os nossos alunos queriam mais. E o UNIVEM tem essa proposta de proporcionar mais. Os coordenadores do Curso de Direito, professores Edmilson Machado e Vivianne Rigoldi, sugeriram que pensássemos em um projeto de extensão da graduação. Daí, surgiu o Proato, em uma construção coletiva com os alunos”, informou Daniela Marinho.
O ano era 2012, “a coordenação abraçou a ideia e os alunos estavam empolgados porque sonhávamos com um Direito Diferente”, prosseguiu. Ela assinalou ter sido “uma mera interlocutora junto à coordenação a partir da conversa com os alunos. Tínhamos que ver os protocolos, o perfil da entidade etc”.
Café com Palestra: eventos mobilizam grande número de participantes
Com três objetivos principais --- Integração Acadêmica, Formação Humanista e Direito Extra Muros --- o Proato começou a ganhar forma. O “Trote Solidário”, que ao invés de receber os calouros com brincadeiras, às vezes humilhantes, apostou no envolvimento dos novos acadêmicos com a ajuda a entidades beneficentes.

Da arrecadação de cerca de 3.000 livros para formação da Biblioteca da ONG “Amor de Mãe”, localizada na zona oeste, à doação de materiais de higiene e limpeza para a ONG “Juventude Criativa”, dezenas de ações foram desenvolvidas com a participação maciça dos estudantes que marcaram seu ingresso na universidade fazendo o bem ao próximo.

Daniela Marinho explicou que ao conhecerem uma instituição como a “Amor de Mãe”, os alunos puderam entender a necessidade do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente): “É diferente falar disso só no giz, na lousa ou no PowerPoint. Agora, eles entendem porque a criança precisa de um tratamento diferenciado porque eles viram a realidade. É a formação humanista”, pontuou.

ALÉM DA SALA DE AULA

“Estudamos as mais nobres concepções do Direito e da Justiça. É muito bonito. Só que tudo aquilo fica condensado dentro da sala de aula, nas paredes frias da sala de aula. A gente fala de democracia e de cidadania. Então, o Proato tem o propósito de levar o Direito para além da sala de aula, para a comunidade. Nós temos valores a serem compartilhados com a sociedade e podemos transformar isso em uma linguagem mais próxima, através do teatro, por exemplo”, afirmou.
Logomarca do projeto

A docente comentou que “alguém disse que ‘toda palavra é ruído se não vir acompanhada de ação’. Percebemos que estamos fazendo ruído. Os professores são muito bem preparados, os conteúdos são densos, temos aula até às 23 horas. Só que ainda assim estamos fazendo ruído. Já o Proato pega toda a densidade que os alunos ouvem em sala de aula e leva para a comunidade, transforma isso em ação e as coisas começam a fazer a diferença”.

Ela citou como exemplo as apresentações sobre democracia para alunos de ensino médio nas escolas públicas, em ano eleitoral. “Os adolescentes chegam arredios, de braços cruzados. Mas, à medida em que se desenvolve a peça teatral, que utiliza vários recursos como a música”, eles se soltam. “Ao final, estão rindo e se divertindo. E fazem fila para tirarem fotos com os alunos”, contou.

MERCADO DE TRABALHO

Os alunos que participam do Proato são diferenciados e começam a ser disputados por escritórios na seleção de estagiários: “Eles são muito articulados”, explicou Daniela Marinho, destacando que a universidade “está preparando nosso aluno para o mercado de trabalho, para atuar na sociedade porque é um aluno que vai muito além da sala de aula. É um aluno obstinado que, se precisar, não dorme, não come, para concluir um trabalho”. São competências que os tornarão competitivos quando concluírem a graduação.
E por falar em preparo, as experiências no Proato contribuem para desenvolverem competências como a oratória. “O advogado precisa fazer sustentação oral. O promotor também precisa. Estamos moldando um profissional muito bem preparado para atuar no desenvolvimento de sua carreira”, frisou.
(Esq) Alunos Mohandas Sabino, Renata Zanetti e Yago Neves

ESPELHO PARA OS ALUNOS

A dedicação da docente é reconhecida por seus alunos: "Ela é uma grande profissional, viaja muito a trabalho e, mesmo assim, arruma tempo para nos atender e nos ajudar. Sempre que precisamos de apoio, ela está disponível. Isso é incrível porque a professora Daniela poderia estar cuidando do seu trabalho no tempo fora da faculdade. Mas, ela não esquece de nós e do Proato". A colocação do acadêmico Mohandas Sabino, do terceiro termo, ilustra como Daniela Marinho inspira seus alunos. Mohandas afirmou que o Proato abriu-lhe novos horizontes e o exemplo da professora Daniela inspira a todos.

HISTÓRIA INSPIRADORA

Sócia-fundadora da Marinho Advogados Associados, empresa especialista em Direito Empresarial (Direito Digital, Direito Trabalhista focado nas empresas, Direito do Consumidor também voltado para empresas, Direito Tributário e Direito Societário), Daniela Marinho carrega o mesmo brilho nos olhos que seus alunos.
Gratidão: profissional de sucesso quer devolver um pouco do que recebeu

Para entender, é preciso voltar aos anos 90 quando a menina de família humilde, nascida na cidadezinha de Arandu, com menos de 3.000 habitantes, na região de Avaré, dava mostras de sua determinação. Ela sabia que para conquistar seus sonhos teria que trabalhar duro.  Graças a um tio, servidor da Receita Federal, veio estudar em Marília tão logo concluiu o ensino médio.

Aprovada em várias faculdades de Direito, inclusive públicas, ela optou por Marília porque “teria onde dormir e comer na casa dos meus tios e contar com uma bolsa de estudos no UNIVEM”, justificou.  Determinada, em pouco tempo conseguiu um estágio na Procuradoria do INSS onde recebia um salário mínimo: “Eu me sentia milionária. Ficava com metade do valor e dava a outra metade para a minha irmã que estudava na UNESP em Assis”, recordou.

Focada, Daniela Marinho queria mesmo se especializar na área Tributária: “Ouvia as conversas do meu tio na hora do almoço e isso me encantava. Um dia, uma colega contou que o escritório em que estagiava estava contratando estagiário para a área tributária”. Com muita coragem, deixou o INSS, onde tinha jornada de 06 horas, pelo escritório em que passaria a receber meio salário mínimo e trabalhar dobrado.
Trote solidário: alunos são recebidos no ingresso à universidade
Essa decisão mudou sua vida. Daniela dedicou-se ao máximo e, ao fim de cada mês, pegava o valor do estágio e enviava integralmente para sua irmã: “Eu tinha onde comer e dormir e estava atrás do meu sonho. Não achava justo deixar de mandar o dinheiro para minha irmã que precisava muito mais”, explicou.

Todo esforço valeu a pena. No conceituado escritório “Fernandes Advogados Associados” ela aprendeu muito e pode alçar novos voos. Anos depois, fundou o “Marinho Advogados Associados” com uma das irmãs, um amigo e um primo, e atende grandes empresas, inclusive multinacionais, que remuneram o trabalho por hora.

Atualmente, o escritório conta com cerca de 30 profissionais, entre advogados, estagiários, pessoal administrativo e de apoio, em prédio próprio localizado em área nobre nas proximidades do UNIVEM, no Jardim Acapulco. “A vida foi muito boa para mim. Tive uma oportunidade neste escritório em que serei eternamente grata. Voltar para o UNIVEM como docente, e participar do Proato, é uma forma de devolver para a vida o que a vida me deu”, finalizou.

E assim, com o mesmo brilho no olhar de quando pisou na universidade, pela primeira vez, Daniela Marinho segue inspirando seus alunos não só pelo sucesso profissional alcançado, mas, principalmente, pelo exemplo de perseverança, humildade e gratidão.
Para saber mais sobre o Proato, acesse: https://pt-br.facebook.com/proatounivem

domingo, 13 de maio de 2018

“AMOR-EXIGENTE”: COM DISCRIÇÃO E SIGILO, O APOIO DO GRUPO DIANTE DE SITUAÇÕES-LIMITE.

Por Célia Ribeiro

Os ventos de outono sopravam timidamente lançando as folhas secas de um lado ao outro da rua. Era pouco mais de 19h de segunda-feira (07) quando os primeiros veículos começavam a estacionar em uma rua deserta da Zona Leste de Marília. Do seu interior, saíam homens e mulheres, de várias idades, ávidos pelo que os esperava: a reunião semanal da ONG “Amor- Exigente”.
No auditório, a palestra inicial: sigilo é essencial
Os cerca de 20 voluntários, identificados pelo colete verde, colocavam seu melhor sorriso no rosto para, entre abraços, apertos de mão e também beijos (no caso dos conhecidos), recepcionarem os quase 100 participantes daquela noite. O acolhimento generoso era apenas o primeiro sinal do que esta instituição, fundada em 1984, seria capaz de proporcionar àqueles que buscavam uma tábua de salvação.

Com sede em Campinas e presente em Marília há 27 anos, a instituição “atua como apoio e orientação aos familiares de dependentes químicos e às pessoas com comportamentos inadequados”, explica seu material informativo. Através de auto e mútua ajuda, o “Amor-Exigente” desenvolve “preceitos para a reorganização familiar, sensibilizando as pessoas e levando-as a perceber a necessidade de mudar o rumo de suas vidas a partir de si mesmas, proporcionando equilíbrio e melhor qualidade de vida”. O AE visa ajudar as famílias a superarem desafios de toda ordem.
Várias publicações podem ser emprestadas aos interessados
Com entrada franca, a ONG encontrou uma maneira criativa de obter recursos para ajudar na manutenção da sede própria, construída há alguns anos com apoio de parceiros e empresários de Marília: quem deseja contribuir chega com um bolo, um pano de prato bordado ou qualquer outro brinde para sorteio. Cada número custa apenas dois reais e, com o valor levantado nas noites de segunda-feira, são pagas despesas como água, energia elétrica, materiais de consumo, funcionária da limpeza etc. Além disso, são promovidos eventos (almoços, venda de pizzas etc) e a Prefeitura concede uma subvenção mensal.

QUEBRANDO O GELO

Na recepção aos participantes, há voluntários que enfrentaram e superaram problemas semelhantes e também pessoas que, mesmo sem problemas na família, se sensibilizam com a causa e oferecem ajuda. Todos passam por capacitações e cursos de formação de modo a darem seu melhor no desenvolvimento dos trabalhos.

Voluntário Mário César: entusiasmo pela causa
Um dos mais entusiasmados pelo “Amor-Exigente”, o voluntário Mário Cesar Vieira Marques, contou que, há cinco anos, chegou à entidade pelas mãos da saudosa Drª Lucila Costa, uma das ex-dirigentes do AE. Foi conhecer e se encantou com a proposta do grupo pela seriedade e comprometimento de todos. Atualmente, ele participa de um grupo voltado à sobriedade apoiando ex-dependentes químicos.

Toda semana, a rotina se repete: pontualmente às 20 horas, todos se dirigem a um grande auditório climatizado, com capacidade para 150 pessoas, onde assistem a uma palestra de 20 minutos. A cada vez, um novo tema é abordado e, ao final, é lembrada a máxima segundo a qual “o que você diz aqui, o que você ouve aqui, quem você vê aqui, aqui permanece”.

Sorteio de brindes
Em seguida, os participantes são orientados a seguirem para as diversas salas onde se reúnem sob a supervisão de um coordenador. Tem a sala dos que chegam pela primeira vez, quando podem se abrir, revelando a razão de terem procurado o AE. Para os que já frequentam, há os grupos de pais de filhos dependentes químicos; pais com filhos internados em tratamento para dependência química; pais de filhos que passaram pela internação; filhos que se trataram e se reúnem para manterem a sobriedade; grupo de co-dependência (o familiar salva-vidas que vive o problema e precisa de suporte), entre outros.

Uma das coisas que chama a atenção é a preocupação com a prevenção. Há dois grupos: um de pais de filhos que não passaram pela experimentação do álcool e drogas; e outro de jovens de 10 a 15 anos, que apresentam problemas comportamentais. Esse último é conhecido por “Amor-Exigentinho”.

SUPERAÇÃO

O “Amor-Exigente” coleciona centenas de histórias de luta, sofrimento e superação. Uma delas é contada por uma professora aposentada, viúva de 68 anos, que há 24 anos participa do AE. Sob a condição do anonimato, ela aceitou compartilhar sua experiência com objetivo de mostrar que é possível vencer um problema tão grave, aparentemente insolúvel, e dar esperança a outras mães.

E por falar nisso, este domingo será mais um “Dia das Mães” de agradecimento e celebração para a aposentada. Afinal, os dois filhos que a levaram a procurar o AE, quando a entidade estava começando em Marília, livraram-se do uso de substâncias químicas, concluíram a formação superior, casaram-se, tiveram filhos e são profissionais bem sucedidos.
Professora aposentada buscou ajuda 24 anos atrás: hoje é voluntária
“Busquei o AE numa fase muito difícil da minha vida. Tenho três filhos, dos quais dois eram adolescentes (14 e 16 anos) e começaram a fazer experimentação de maconha. Na época, a maconha era tida como uma droga terrível. Não se tinha, por exemplo, a presença do crack como tem hoje. Quem sabia que um filho estava fazendo uso de maconha era como se o mundo tivesse desabado”, recordou.

A professora aposentada disse que o grupo era pequeno, com poucos voluntários que se reuniam na Igreja Nossa Senhora de Fátima: “Foi lá que eu encontrei suporte para superar essa dificuldade, aplicando a proposta, as metas semanais. Eu e meu marido íamos juntos”.

Ela observou que no começo não foi fácil: “O AE é uma proposta onde você tem que tomar atitudes e para isso, primeiramente, tem que mudar seu comportamento. Até então, a gente era muito facilitador, dava tudo o que eles queriam. Éramos pais facilitadores. No AE aprendemos que precisa de limite para tudo porque tudo que é demais faz mal. Até comida demais faz mal”, pontuou.

ACOLHIMENTO

Hoje voluntária do AE de Marília, a aposentada lembrou que o que mais lhe chamou a atenção foi a receptividade: “São pessoas muito simples e todos são iguais. Não existe problema maior ou menor. Problema é tudo o que nos aflige. Nos identificamos pelo acolhimento e a proposta que, a princípio parecia difícil de ser aplicada, conforme frequentávamos percebemos que nada daquilo era difícil”.

Neste sentido, complementou: “Tudo aquilo fazia parte da vida de uma pessoa que queria qualidade de vida real, que os filhos pediam limites. Muitas vezes, a gente não quer enxergar, não tem coragem de colocar limites”. O sigilo também foi apontado como um recurso importante porque deixa as pessoas à vontade para se abrirem e pedirem ajuda.

Princípios do Amor-Exigente
Sobre sua participação como voluntária, a aposentada explicou que diante do que o AE fez por sua família, acabou se “contaminando com isso tudo. Você percebe que sua vida vai tomando um rumo diferente para melhor e por isso você vai se doando”.

Mas, em sua jornada, ela acompanhou alguns dramas. Nem tudo são flores: “Já teve muito preconceito com o AE de que era grupo que colocava filho pra fora de casa, que era grupo de drogado. Na verdade, o ponto principal nosso não é o dependente e sim a prevenção”.

Prosseguindo, ela comentou que “às vezes, a gente recebe pais com filho de 40 anos que usa drogas, mora com eles e vivem em sofrimento sem conseguirem tomar uma atitude. São idosos de 60, 70 anos. A gente faz os pais entenderem que aquele filho precisa ter uma vida própria, fazer uma escolha porque é cômodo usar drogas e continuar na casa dos pais”.

Ela afirmou que os casos de sucesso são inúmeros, com registros de “rapazes que passaram pelo AE, pela internação, recuperaram sua vida e hoje estão em cargos importantes, com trabalho e família”. Mas, infelizmente, também houve casos de perdas como de um jovem que desistiu de viver após 10 anos de tentativas de superação.

MENSAGEM PARA AS MÃES

Em alusão ao “Dia das Mães”, comemorado neste domingo, a professora aposentada deixou uma mensagem às mães: “Jamais desistam do seu problema. Nós, como mães, não podemos desistir dos nossos filhos mesmo que eles estejam no fundo do poço, presos, perdidos, talvez nas ruas. Não podemos desistir. Aqui no AE a gente sempre fala que existe uma saída e que a luz não está no fundo do túnel. A luz está na gente. A luz está em você”.

Para saber mais sobre o AE, acesse: www.amorexigente.org.br As reuniões acontecem às segundas-feiras, às 20h, no endereço: Rua Maria Angelina Zillo Vanin, 75 (no fim da Rua Santa Helena), em Marília.  Nas redes sociais, acesse: https://www.facebook.com/amorexigente.marilia/

terça-feira, 8 de maio de 2018

“PARA A MAMÃE, COM AMOR”: BAZAR NA VILA DAS ARTES REUNIU MÚSICA E ARTESANATO.

Por Célia Ribeiro

Parecia um encontro de amigos da vida toda, alguns não se viam há tempos, outros celebravam mais uma parceria. Em comum, o gosto pelos trabalhos manuais. Foi neste clima festivo que a Vila das Artes promoveu o terceiro bazar em homenagem ao “Dia das Mães”, no último sábado (05). Foram expostos trabalhos totalmente artesanais (bijuterias, estamparias, sabonetes e aromatizadores, descanso de panelas, jogos americanos, flores de tecido, bolsas, quadros, tapeçaria, rendas Renascença etc) além de docinhos e bolachinhas para presentear.
Silza Más Rosa confere os artigos em renda Renascença de Maceió

Como em todos os eventos da Vila, a artista plástica Patrícia Muller, fundadora do espaço, incluiu uma parte cultural na programação com dança e apresentações musicais. Neste ano, Kréo Fidelis fez um show com voz e violão e o grupo “Batuke do Pé” emocionou o público com números de sapateado. Para as crianças, a novidade foi a oficina de percussão com Augusto Botelho.
Judineide e Petrô trouxeram a renda Renascença das rendeiras de Maceió
No amplo espaço do conhecido “Quintal da Vila”, localizado à Rua Atílio Gomes Melo, 64, no bairro Fragata, as barracas alternavam os produtos cujo colorido atraía os olhares. E como o tempo bom ajudou, muitas pessoas foram passear com suas mães que aproveitaram para escolher algumas lembrancinhas.
Clima de encontro entre amigos
Silza Más Rosa e Nelice Rojo, que gostam de trabalhos manuais e estão sempre envolvidas com artesanato, eram algumas das visitantes mais animadas: “Eu sou apaixonada por artesanato e apesar de fazer de quase tudo estou saindo carregada com essas sacolas. Impossível ver tantas coisas bonitas e não levar”, revelou Silza. Ela comentou que “o Bazar da Vila é um lugar de reencontro em que a gente fica batendo papo embaixo da mangueira e encontra todas as amigas que gostam de artesanato”.

Toda a delicadeza das flores em tecido
Silza elogiou a variedade do bazar e a qualidade dos produtos, como “as roupas de Paula Simões, as bijuterias finas, a tapeçaria, os sabonetes e aromatizadores de Renata Genta e a renda renascença”. Aliás, as peças em renda vieram de Maceió pelas mãos de Petrô Ximenes e Judineide Toledo, que é aluna da Vila e, a convite de Patrícia Muller, trouxe os artigos confeccionados pelas rendeiras nordestinas. Petrô e Judineide vieram para Marília há alguns anos e agora pensam em trazer um pedacinho do Nordeste para a cidade. (Conheça mais em: https://www.instagram.com/beiju.ju/)
Renata e Ângela: amizade antiga
PAIXÃO

Desde muito pequena, Renata Genta expressava seu talento com os bordados que aprendeu com a mãe, Eneida Genta de Oliveira Melo (Grupo Marília Baunilha e Patch). No entanto, após formar-se em Direito e atuar na área por alguns anos, decidiu mergulhar fundo na arte abrindo um ateliê para dedicar-se, exclusivamente, à saboaria artesanal.
Renata Genta trocou o Direito pela saboaria artesanal
“Sempre amei artesanato. Aprendi a bordar desde pequenininha com minha mãe e os sabonetes foram um encontro. Larguei tudo, deixei de advogar e há sete anos tenho o ateliê onde trabalho e também promovo os cursos”, explicou.   Na Vila das Artes, sua barraca era uma das mais concorridas porque os visitantes podiam experimentar as fragrâncias e conhecer a variedade de opções para presentear. (Saiba mais em: https://www.instagram.com/renatagenta/)
Sueli Congelian levou bolachinhas que têm receita exclusiva

Falando em encontro de amigas, as flores de tecidos, bloquinhos de anotações e agendas, e vários itens de artesanato do trio Renata Pinheiro Nogueira Nicolau, Ângela Buonano e Denise Prado também chamavam a atenção pela delicadeza do trabalho: “A gente é amiga da vida toda. Nossos filhos cresceram e estudaram juntos”, explicou Renata, contando que as amigas se reuniram no início do ano para produzirem para o bazar de maio e que agora estão animadas para o bazar de Natal: “Nos aguardem”, disse, sorrindo.
Bonecas de tecido
Como em outros eventos da Vila, a parte gastronômica estava garantida: saladas, pães, sucos, doces e salgados de vários tipos fizeram muito sucesso, assim como os produtos de Sueli Coneglian: bolachinhas e pães de mel com sabor inconfundível eram uma opção diferente para presentear as mamães. “Nossos produtos são feitos com receitas criadas por nós. E o pão de mel tem uma textura diferente que sempre agrada”, explicou.

ALEGRIA

Ao final do Bazar, Patrícia Muller fez um balanço positivo: ela destacou a grande diversidade de expositores e o clima familiar que transformou o evento em um encontro de amigos: “Nossos bazares vão acontecendo de acordo com as pessoas que estão por perto. Neste ano, vieram novos parceiros, uma aluna de Maceió trouxe renda Renascença, chamei a artista plástica Denise Ferrioli que morou fora do Brasil e agora está aqui, tivemos oficina para crianças, música com Kreo Fidelis e o Batuke do Pé que emocionou com o sapateado”.

A fundadora da Vila das Artes assinalou a importância da troca entre os participantes: “A ideia de juntar as pessoas que fazem para vender os trabalhos é maravilhosa. E também os artesãos conhecerem os trabalhos uns dos outros”.
Patrícia Muller e o grupo Batuke do Pé
Finalizando, ela observou que o “Dia das Mães” tem um apelo afetivo: “Vimos que o clima era muito alegre o dia todo, com filhos que trouxeram as mães para passear. Além de mostrar os trabalhos, a gente abraça os amigos aqui. É a melhor festa do ano”.

domingo, 6 de maio de 2018

REPORTAGEM INÉDITA NESTA TERÇA-FEIRA, 08/05

Caros, excepcionalmente, o blog será atualizado nesta terça-feira, dia 08 de maio,com reportagem inédita. Domingo, dia 13, voltamos às atualizações semanais.

sábado, 28 de abril de 2018

DONA SENHORINHA AFASTA A SOLIDÃO ESPALHANDO CORES PELA CASA.

Por Célia Ribeiro

Na rua principal do Distrito de Padre Nóbrega, uma casa muito simples chama a atenção de quem por ali passa pela primeira vez. Protegida por árvores centenárias, a construção do início do século passado exibe, qual uma galeria a céu aberto, a arte de dona Senhorinha. Ninguém paga nada para admirar as paisagens coloridas pintadas em pedaços de madeira, cascas de árvores e telas reutilizadas encontradas no lixo.
Exposição ao ar livre: telas coloridas na fachada da casa simples
Aos 60 anos, Maria Senhorinha Alves Feitosa Gavioli carrega uma profunda melancolia. Seu olhar distante e a fala monossilábica, entrecortada pelas lembranças do passado, dizem muito. “Foi por solidão”, revelou diante da pergunta sobre o começo de sua jornada. Casada com um servidor público municipal que trabalha na limpeza urbana e mãe de um único filho, “que gosta mesmo é de montar em boi”, ela utiliza os pincéis para colorir seu entorno como se convidasse a alegria para dentro.


As cascas de árvores são aproveitadas
No sábado (21), às 9h30, as panelas exalavam um convidativo aroma de alho e cebola refogados para o preparo do almoço. No feriado, ela recebeu a visita de parentes a quem pediu licença para atender a reportagem e mostrar, com visível timidez, um pouco de sua criação. Cada parede da casa é forrada com as pinturas. Além disso, cascas de árvore e galhos ajudam a compor a decoração do interior.
Melancolia: dona Senhorinha pinta para espantar a solidão
O contato com a natureza está impregnado em suas origens: “Eu gosto mesmo é de mexer na terra. Quando não estou aqui, estou no pedaço de terra lá embaixo, onde faço uma horta. Todo mundo ajuda, o pessoal da farmácia dá semente, adubo, água, e vou plantando o que dá”.

Das flores rústicas que encontra pelo caminho ela extrai a inspiração para as pinceladas. Sem se preocupar com técnica ou qualidade dos materiais, o que importa para dona Senhorinha é “fazer uma flor bonita e bem colorida”. Ela utiliza tintas de tecido, as mais simples e baratas: “Não tenho dinheiro para comprar tinta boa e nem tela. De vez em quando meu marido acha umas telas ou alguém traz umas usadas. Eu pinto por cima e faço outro desenho”, explicou.
Flores por todo lado

A solidão a que dona Senhorinha se referiu no começo da conversa está muito relacionada com a perda da mãe, em 2009, quando completaria 90 anos. Ela volta os olhos para a parede repleta de fotografias da família e mostra, orgulhosa, a imagem da mãe em um quadro antigo em que as cores se desgastaram com o tempo.
Memória viva: dezenas de fotos cobrem a parede da sala
Além disso, o marido passou longo período hospitalizado em tratamento e como o filho trabalha muito, saindo antes do sol nascer da edícula que ocupa no terreno ao lado, dona Senhorinha se sente muito só. “Às vezes faço crochê. Mas, também gosto de pintar e de colocar flores por todo lado”, assinalou.
Sobras de madeira e tinta de tecido: vale tudo para pintar
Um dos poucos momentos em que esboça um sorriso é ao se referir à netinha, “que vive com a mãe no Mato Grosso”. Ela sente muito a falta da menina e contou que a parede de fotos e lembranças ajuda a aliviar a saudade. Sobre o filho, as palavras são sempre de orgulho pelo “homem trabalhador que ele é e que nunca me deu trabalho. Não bebe, não fuma, não tem vícios. Só gosta de boi”.
Dona Senhorinha e o marido João Getúlio Gavioli
Quanto ao futuro, dona Senhorinha parece conformada com a vida simples e pacata que leva. E não tem esperança em vender seus quadros: “Ninguém compra. De vez em quando, aparece alguém com uma tela pra gente pintar. Mas, é difícil. Não tenho sorte”. E assim, segue pincelando cores e criando flores para aplacar a melancolia.

Quem quiser conhecer as flores de dona Senhorinha, o endereço é Avenida Sampaio Vidal, 668, no Distrito de Padre Nóbrega.

sábado, 21 de abril de 2018

AGRO ECOLOGIA: QUALIDADE E PREÇO ATRAÍRAM CONSUMIDOR À FEIRA

Por Célia Ribeiro

Ao cair da tarde, os raios dourados do pôr do sol disputavam atenção com a roda de capoeira e as manifestações culturais na 1ª Feira de Luta Contra os Agrotóxicos, sábado passado, na área pública em frente à EMEFEI Chico Xavier (zona oeste de Marília). Agrofloresteiros vindos de três assentamentos de Gália e Promissão levaram frutas, verduras e legumes orgânicos para venda direta ao consumidor.
Feira ao entardecer: público aprovou a iniciativa
“Existe um consenso formado pelos meios de comunicação, pela grande imprensa, pelas universidades e escolas técnicas, de que não é possível produzir sem veneno”, afirmou o militante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Ângelo Diogo Mazin, do assentamento “Luiz Beltrame”, da cidade de Gália. Para ele, a feira de orgânicos contribuiu para divulgar junto à população “que dá para produzir alimento sem veneno”.
Vista geral da feira: orgânicos, música e arte
Bem organizada, a feira encerrou a programação iniciada pela manhã. A proposta era reunir cultura, arte e informação em um espaço aberto ao público que também aproveitou para adquirir produtos frescos a preços acessíveis. Apenas no assentamento de Gália, 27 famílias se dedicam ao cultivo orgânico em 100 hectares. Também estavam representados agricultores dos assentamentos Dandara e Reunidas, de Promissão.
Produtos orgânicos a preços acessíveis
De acordo com Diogo, “a gente tem feito um trabalho com os agricultores de recuperação e de desintoxicação do solo. De fato, os solos que a gente herda, de assentamentos, são solos que foram muito cultivados pelo agronegócio”. Os cuidados consistem no plantio de “culturas como adubo verde, feijão guandu, protalária etc, que ajudam a restaurar a fauna do solo”.
Diogo, agrofloresteiro

VENDA DIRETA

Ele destacou que “um dos objetivos da feira é aproximar o produtor do consumidor para que tenha contato com quem produziu a banana, a laranja, as hortaliças. Com isso, se estabelece uma relação de confiança além do que oferece um produto de menor valor. Também é importante porque está sendo mais justo do que a gente vender para o atravessador”.

Perguntado sobre os preços mais caros pagos pelos produtos orgânicos, Diogo afirmou que “a gente é contra transformar a agro ecologia, o debate dos orgânicos, para ganhar dinheiro. A gente quer oferecer um alimento saudável para os trabalhadores que estão na cidade, que são nossos irmãos, para que eles também tenham uma vida saudável”.

Finalizando, ele explicou que os assentados estão “plantado comida no meio da floresta. Ao invés de colocar 04 pés de alface em determinado espaçamento da agricultura convencional, a gente coloca 04 pés de alface, mais 06 pés de rúcula, mais 04 de berinjela e tomate e no meio planta uma bananeira que vai ajudar com os nutrientes”. Ele espera que a feira se torne periódica, a cada 15 ou 30 dias, com produtos frescos, de qualidade e a preços justos: “Nos nossos cálculos, produzir de maneira sustentável, sem agredir o meio-ambiente, ainda é mais barato que a produção do agronegócio”.
À esquerda, Alexandro e a mãe atendem a clientela
Entre os agricultores presentes, Alexandro Soares e sua mãe estavam animados com o sucesso da feira. Eles comandavam uma das bancas de legumes e frutas atendendo a todos com simpatia: “Tomara que a gente volte outras vezes. Dava medo trazer muita coisa e não conseguir vender. Mas, está indo muito bem”, disse o produtor.
Sílvio cruzou a cidade para conhecer a feira
Se depender da clientela, o evento terá uma segunda edição garantida: Silvio Favaneli, residente no bairro Aeroporto, cruzou a cidade só para conhecer a feira. Ele elogiou a qualidade dos produtos e os preços mais baixos que, no fim das contas, são um atrativo e tanto. Sem falar, claro, no belo pôr do sol!

CAPOEIRA: ARTE E CULTURA NA PRAÇA






LIXO: MARILIA PARTICIPA DE CONSÓRCIO PARA DESTINAÇÃO FINAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Por Célia Ribeiro

Apostando na união de esforços de quem compartilha os mesmos problemas, o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista foi criado para buscar soluções a um dos mais graves problemas dos municípios: a correta destinação do lixo. Segundo Daniel Alonso, prefeito de Marília e vice-presidente da entidade, em até dois anos deverá ser implantado um projeto que represente menos agressão ao meio ambiente e mais economia para os cofres públicos das cidades envolvidas.
Alonso e Daniel Bugalho (presidente do Consórcio e prefeito de Presidente Prudente)
no lançamento do Consórcio em março de 2018
Durante entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o prefeito explicou que o Consórcio conta, ainda, com os municípios de Presidente Prudente, Paraguaçu Paulista, Rancharia, Presidente Bernardes e Caiabu. Ressalvou, no entanto, que o orçamento de mais de R$ 3,5 milhões, dos quais R$ 1.486.988,16 são da quota de Marília para o exercício de 2018, “trata-se apenas de uma previsão orçamentária. Não significa que gastaremos esse dinheiro”.

Atualmente, Marília paga R$ 700 mil mensais para o transbordo (transporte das quase 200 toneladas de lixo até os aterros de Quatá e Rancharia). Caso tivesse que solucionar sozinha o problema da destinação dos resíduos sólidos, a cidade necessitaria de um pesado investimento para se enquadrar nas rigorosas normas dos órgãos ambientais.
Transbordo do lixo custa 700 mil reais por mês (Foto Mauro Abreu)
“Não sabemos se teremos um ou dois baricentros. Os estudos do Consórcio mostrarão as alternativas”, frisou Daniel Alonso. Conforme disse, inicialmente, os seis municípios se cotizarão para adquirirem a área para um aterro coletivo: “Os estudos preliminares nos dão conta de que essa relação custo/distância/volume, trabalhando com grande volume, fica mais barato transportar o lixo do que ter um aterro apenas para o lixo da cidade”.

O prefeito informou que os planos para o lixo passam pela construção, em Marília, de uma usina para triagem em que seriam aproveitados os catadores de recicláveis, a queima de materiais não recicláveis para geração de energia (em 2017 foi feito chamamento público para empresas interessadas no projeto) e no transporte dos resíduos orgânicos restantes para o aterro do consórcio.

Daniel Alonso destacou que nada está definido porque somente os estudos técnicos darão um panorama das alternativas aos municípios que, necessariamente, deverão obter as autorizações junto aos órgãos ambientais, como a CETESB. Finalizando, o prefeito afirmou que o município não colocará dinheiro próprio devendo obter ajuda junto aos governos estadual e federal, além de firmar parceria com a iniciativa privada.

Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o próximo passo para as prefeituras que já aderiram ao consórcio é a elaboração do termo de referência. Com informações técnicas detalhando a situação de cada município, o documento vai subsidiar a elaboração dos projetos que buscam a solução final para os resíduos domésticos, da construção civil, da saúde, além dos chamados grandes volumes (sofás, geladeiras, etc.) e os resíduos gerados pela poda de árvores.

domingo, 15 de abril de 2018

AGROTÓXICOS: COMITÊ LANÇA LUZ SOBRE RISCOS À SAÚDE E MEIO-AMBIENTE

Por Célia Ribeiro

As estatísticas são alarmantes e os estudos demonstram, cada vez mais, o impacto negativo do uso indiscriminado dos agrotóxicos na saúde da população e os danos ao meio ambiente. Encarando o poder do agronegócio, responsável pelo superávit comercial do País, os ambientalistas utilizam a mobilização dos comitês municipais para difundirem informações e sensibilizarem as autoridades no sentido de implementarem políticas públicas.
Aplicação incorreta de defensivos pode matar as abelhas. (Foto Ivan Evangelista Jr.)
Em Marília, o Coletivo Socioambiental – Resistência e Luta gestou a formação do Comitê da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, cujo lançamento aconteceu no último dia sete de abril e contou com a presença, dentre outros, do agrofloresteiro e assentado no Projeto de Assentamento “Luiz Beltrame” de Gália, Ângelo Diogo Mazin.
Água da chuva leva agrotóxicos ao Rio do Peixe (Foto: Ivan Evangelista Jr.)
Segundo os militantes do Coletivo, Antonio Luiz Carvalho Leme (gestor ambiental com especialização em Recursos Hídricos e Educação Ambiental, e Meio Ambiente e Sociedade) e seu filho, Gustavo Schorr Carvalho Leme (gestor de Políticas Públicas), a articulação teve início há poucos meses e tem um modelo em que a liberdade dá o tom.

“É uma ideia muito antiga que a gente começou a colocar em prática no fim do ano passado no sentido de reunir grupos, forças, movimentos e pessoas de uma centro-esquerda ambientalista de Marília. Pessoas que comungam deste ponto de vista e fazem um trabalho de pensar a cidade, o território”, explicou Luiz Leme.
Gustavo e Luiz Leme, ambientalistas
Conforme disse, o Coletivo não tem diretoria, nem CNPJ, “porque é um espaço sem burocracia onde as pessoas e grupos se reúnem e colocam o que estão fazendo ou pretendem fazer. A partir disso, a gente começa a fazer um trabalho articulado”. O primeiro fruto foi o Comitê da Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e Pela Vida que o coletivo ajudou a preparar e que terá futuro independente a partir de agora.

VENENO NA MESA

A questão dos agrotóxicos, ao lado de temas como saneamento básico, merece atenção por sua importância ao impactar a saúde das pessoas. Segundo Luiz Leme, o Comitê definiu três linhas básicas de atuação: manter a conscientização da população, através da distribuição de material informativo nas feiras livres e na ilha em frente à Galeria Atenas; lutar por leis que proíbam a pulverização aérea de agrotóxicos e incentivar a produção e o consumo de produtos orgânicos, inclusive na merenda escolar.
Lançamento do Comitê contra os Agrotóxicos em Marília
Gustavo Schorr afirmou que os membros do Comitê serão incentivados a participarem de Conselhos Municipais como os do Meio Ambiente (CADES) e da Segurança Alimentar (CONSEA). Há planos, ainda, para realização de análises na água dos Rios do Peixe e Tibiriçá, periodicamente, para identificar o nível de oxigênio, por exemplo, utilizando kits bem simples que poderão ser manuseados por estudantes de primeiro e segundo graus.

Sobre a pulverização aérea, Luiz Leme observou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o lançamento de agrotóxicos possa atingir até 32 quilômetros de distância. Ele citou o caso do assentamento do MST (Movimento dos Sem Terra) de Gália onde vivem 77 famílias e 27 unidades se dedicam à produção agro ecológica orgânica em 100 hectares: a área foi atingida por uma pulverização em uma propriedade vizinha, conforme denúncia levada às autoridades.
A pulverização aérea pode atingir até 32 km de distância
“No Brasil, estima-se que cada pessoa consuma 7,3 litros de agrotóxico por ano. É um consumo distribuído na contaminação do solo, da água e dos alimentos. No caso do Paraná, estado onde há agricultura em imensas áreas, o consumo per capita chega a 8,7 litros”, destacou o ambientalista. Conforme disse, os pesticidas também afetam o equilíbrio ambiental ao reduzir o número de abelhas polinizadoras, com a destruição de habitat dos pássaros.

Outro dado alarmante foi a pesquisa realizada em Lucas do Rio Verde (Mato Grosso) onde foi registrada contaminação de 100 por cento do leite materno analisado das mães que amamentam seus bebês. “O que era para ser alimento natural é veneno”, pontuou Leme.
Como se não bastasse, o Brasil está no topo das estatísticas de contaminação de trabalhadores que aplicam os agrotóxicos nas lavouras sem a utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). E Marília aparece no ranking com um nada honroso quarto lugar no Estado de São Paulo e 24º a nível nacional.
Trabalhador sem proteção: contaminação no campo (Foto: ecycle.com)
AGRICULTURA ORGÂNICA

Estão crescendo as áreas com cultivo de produtos orgânicos, sobretudo nas pequenas propriedades, com o surgimento de feiras livres em que os agricultores comercializam sua produção diretamente. Essa tendência é uma das lutas dos ambientalistas que querem ver difundidas as informações sobre os benefícios dos alimentos livres de agrotóxicos.
Defensivo descartado incorretamente
em Avencas (Foto: Ivan Evangelista Jr)

Por sua vez, caberá ao poder público contribuir incentivando a agricultura orgânica, começando pela aquisição dos produtos diretamente dos pequenos produtores para enriquecer a merenda escolar. Já será um grande passo!

domingo, 8 de abril de 2018

COM QUEDA DE 40% NA ARRECADAÇÃO, ACC PROCURA FORMA DE MANTER O ATENDIMENTO.

Por Célia Ribeiro

Com a evolução da medicina, são cada vez maiores as chances de cura dos diversos tipos de câncer. Apesar disso, o impacto da notícia para o paciente e seus familiares é quase sempre devastador, o que torna essencial o papel de instituições como a ACC (Associação de Combate ao Câncer de Marília), não apenas no acolhimento  como, principalmente, no suporte àqueles vindos das camadas mais carentes da população.
Maria Antonia (esquerda) com voluntárias na cozinha de toda quinta-feira
Aos 25 anos, a entidade vive um momento crítico: graças à burocracia oficial, viu reduzir em 40 por cento a receita anual proveniente das doações da Nota Fiscal Paulista, programa da Secretaria Estadual da Fazenda.  Anteriormente, os voluntários captavam as notas nas urnas colocadas em pontos de coleta e faziam a digitação dos dados dos documentos em que o consumidor não registrou o CPF.

A operação, embora trabalhosa, rendia entre 170 mil e 200 mil reais por ano. No entanto, a partir de janeiro de 2018, foi alterada a sistemática: o consumidor deve acessar o site da nota fiscal paulista (fazenda.sp.gov.br/nfp) e inserir a informação com os dados da entidade (CNPJ) que deseja beneficiar e por quanto tempo. Muitos esqueceram a senha e nem lembram o e-mail que cadastraram.
Bingos mensais ajudam na arrecadação de recursos
Segundo a presidente da ACC, Maria Antonia Antonelle, as despesas giram por volta de 45 mil reais por mês e a receita da nota fiscal paulista era a principal fonte. “Estamos fazendo campanhas, cadastrando consumidores em shopping, bancos etc, mas ficou muito mais difícil”, explicou, assinalando que só em maio será possível ter uma ideia de quanto será arrecadado.

Uma vez por ano, a Loja Alba faz uma campanha de venda de camisetas, alusiva ao câncer de mama, que na última edição gerou 12 mil reais e empresas como o Tauste contribuem com as promoções, como as pizzas solidárias. Outras fontes de recursos são raras: este ano, a entidade foi contemplada com uma emenda parlamentar do deputado estadual Abelardo Camarinha, no valor de 100 mil reais. Os recursos serão totalmente investidos na aquisição de medicamentos e suplementos alimentares
para os portadores de câncer em tratamento.
Voluntários: a força da entidade
ATENDIMENTO HUMANIZADO

Com reconhecimento de utilidade pública nas três esferas (municipal, estadual e federal), a ACC possui uma excelente estrutura, incluindo a Casa de Apoio em que pacientes e seus acompanhantes podem fazer todas as refeições e pernoitarem sem gastarem nada. Além disso, a entidade oferece atendimento personalizado com assistente social, psicóloga, nutricionista e fisioterapeuta.
O artesanato, vendido em bazares e na sede, geram renda para a ACC
“Aqui, os pacientes não são tratados como em hospitais, em que ficam horas na fila. Na ACC eles têm hora marcada e se sentem como se estivessem em uma clínica particular”, frisou a presidente.  Para se ter uma ideia do alcance desse trabalho, desenvolvido em grande parte por profissionais voluntários, em média são atendidos 3.500 pacientes e 1.500 acompanhantes, todos os anos.

A instituição recebe pacientes de 63 municípios da região de Marília, fora os de outros estados que, vez ou outra, são encaminhados pelo Hospital de Clínicas e Santa Casa onde realizam os tratamentos de radioterapia e quimioterapia. Com a queda na receita, o trabalho de sensibilização junto às Prefeituras foi intensificado a fim de obter ajuda para as despesas mais onerosas que são os medicamentos e suplementos alimentares.
Venda de pizzas ocorre periodicanente

Maria Antonia explicou que, desde as diretorias anteriores, a ACC sempre tentou apoio junto aos municípios, sem sucesso. Agora, como medida emergencial, a entidade deixará de fornecer os medicamentos e suplementos para os pacientes da região, beneficiando apenas os de Marília.

Visivelmente emocionada, a presidente disse que embora seja pequena, a subvenção da Prefeitura de Marília, de R$ 3.600,00 mensais, é de grande ajuda. Ela observou que “os voluntários são de Marília, as empresas que nos ajudam são daqui e por isso, neste momento, vamos atender com suplementos e medicamentos apenas os pacientes da cidade. Os demais continuarão sendo atendidos nos serviços de psicologia, nutrição, fisioterapia, podem fazer as refeições e pernoitar na Casa Apoio, sem gastar um centavo. Mas, não temos como dar os medicamentos e suplementos que são muito caros”.

ALTO CUSTO

A presidente da ACC falou com tristeza sobre a restrição da clientela: “Os suplementos são muito caros. Usamos vários como Nutren, Ensure, Isosource, entre outros, que pagamos 66 reais cada lata direto no fornecedor porque na farmácia custa mais de 100 reais. E tem paciente que só se alimenta disso porque, quando faz quimioterapia ou radioterapia, mexe muito com o paladar e o sistema digestivo. O paciente sente náuseas e precisa estar forte para aguentar o tratamento. Se começar a perder peso eles suspendem a quimioterapia”, destacou.

Conforme disse, antes da medida extrema, por absoluta falta de condições, foi tentado de tudo: “Enviamos ofícios a todas as Secretarias Municipais da Saúde, mandamos folders, informações sobre os pacientes atendidos de cada cidade e nem assim tivemos retorno”. Ela observou que não precisa haver uma subvenção oficial da Prefeitura: “Desde que haja uma parceria com entidades querendo nos ajudar, promovendo um evento, uma pizza solidária, um jantar ou outra atividade, em prol da ACC, nós voltaremos a ajudar os pacientes daquela cidade”.
Devido à qualidade e bom preço, os bazares são concorridos
Maria Antonia fez questão de frisar que as despesas da ACC “vão muito além do que a pessoa consome. Está embutida toda a nossa estrutura, todos os profissionais pagos, água, luz, gás, telefone, equipe de limpeza, da cozinha, recepção etc”. Há diversos profissionais voluntários, mas alguns tiveram que ser contratados pela entidade que precisou suportar mais esse gasto.

GERAÇÃO DE RENDA

Aposentada da Caixa Econômica Federal, Maria Antonia Antonelle é também gemóloga, profissional que identifica e precifica pedras preciosas, atividade que deixou em segundo plano quando abraçou a presidência da ACC. E, como em um verdadeiro garimpo, está à frente das iniciativas que objetivam a geração de renda para a manutenção da instituição.

Com cerca de 80 voluntários atuantes, a ACC promove bingos mensais na própria entidade, vende pizzas solidárias e, às quintas-feiras, de sua cozinha saem delícias como rosca de calabresa, torta de frango, beliscão, bolachinhas etc. O bazar da pechincha, que aceita doações de roupas, calçados, móveis etc, em bom estado e o Brechic (brechó com itens diferenciados) também ajudam a angariar recursos, além do bazar de artesanato e a venda de peças na sede da entidade.
A presidente em ação de captação
de doadores de nota fiscal no shopping

Por sua vez, os cerca de 300 sócios são responsáveis por uma arrecadação mensal de 4 mil reais, valor que a entidade espera ampliar com uma grande campanha para adesão aos novos sócios a ser lançada nas próximas semanas. A ACC precisa contar com uma receita fixa mensal para ter mais equilíbrio.

A presidente fez questão de destacar  a importância dos voluntários que contribuem com tempo e energia dando o melhor de si em prol do próximo. Ela comentou que muitas pessoas, aposentadas e com tempo livre, estão depressivas em casa e poderiam contribuir com a entidade. Periodicamente são realizadas capacitações para novos voluntários.

“Não somos nada sem os voluntários. Sem eles, nenhuma entidade funciona. Precisamos motivar as pessoas, precisamos de ajuda para fazer nossos projetos. Temos que envolver os universitários. Isso está renascendo nos jovens. Está havendo um olhar deles para essas causas e isso deve ser estimulado pela própria universidade e pelas escolas, desde pequenininhos, porque todo mundo tem algo que pode doar, independente de governos”, finalizou.

Para conhecer ou contribuir com a ACC, o endereço é Rua Marrey Junior, 101 – ao lado do Fórum de Marília. Telefone (14) 34545660 e e-mail: accmarilia@hotmail.com O site é: accmarilia.org.br