segunda-feira, 20 de novembro de 2017

SENAC Marília: evento gratuito debate diversidade no cotidiano do trabalho social

Evento gratuito debate diversidade no cotidiano do trabalho social
O Senac Marília realiza, na próxima terça-feira (21), o evento Sala Social: Reflexões e Diálogos, com o objetivo de promover um espaço de debate e aproximação entre os diferentes setores sociais sobre as demandas e tendências das novas tecnologias. A atividade contará com uma palestra sobre a diversidade e as dinâmicas de convivência a partir de questões relacionadas ao desenvolvimento humano e à constituição de seus direitos para contribuir com a minimização das vulnerabilidades e a disseminação das práticas sociais.
O debate é aberto ao público e destinado, principalmente, a profissionais da área de gestão, recursos humanos e desenvolvimento social de empresas públicas e privadas. Durante a atividade será feita uma exposição dialogada, com dinâmica e roda de conversa sobre as diversidades encontradas no ambiente de trabalho social, suas consequências e desdobramentos. Para participar da atividade, as inscrições devem ser feitas pelo Portal Senac www.sp.senac.br/marilia.

Serviço:
Palestra: Diversidade no Cotidiano do Trabalho Social
Data: 21 de novembro de 2017
Horário: das 13h30 às 15h30
Local: Senac Marília
Endereço: Rua Paraíba, 125 - Centro
Informações: www.sp.senac.br/marilia

Fonte: ComTexto Comunicação Corporativa

domingo, 19 de novembro de 2017

AFROFEST: PROJETO DIFUNDE CULTURA E DESENVOLVE A AUTOESTIMA DAS CRIANÇAS

Por Célia Ribeiro

Um projeto social, iniciado há cinco anos em Marília com o objetivo de difundir a cultura negra, ganhou nova dimensão ao extrapolar o binômio moda e beleza para atuar no desenvolvimento da autoestima, sobretudo das crianças. O Afrofest teve seu ápice neste fim de semana, com os concursos Miss e Mister Beleza Negra das escolas estaduais, desfile Top Kids e Teens (sexta-feira) e Concurso Miss e Mister Beleza Negra 2017 (sábado).
Cartaz do evento 2017

No entanto, o trabalho começou em fevereiro com a inscrição das crianças e jovens que chegaram ao Afrofest cheios de expectativa. Quem explica é Denise Campos Justino,  uma das voluntárias que mesmo após deixar uma das coordenadorias na Secretaria Municipal da Cultura, onde atuou por vários anos, transpira entusiasmo pela causa.

Ela contou que a ideia surgiu quando seu filho Jairo e alguns amigos questionaram a existência de eventos das comunidades italiana, portuguesa, árabe e japonesa, enquanto não se fazia nada alusivo à comunidade negra. “Queríamos, desde o início, trabalhar a questão da beleza, da autoestima, porque o negro, tanto a criança como o jovem, não se olha no espelho e fala ‘eu sou negro’. Diz sou mulato, puxei mais para a minha mãe, fica aquele colorismo. Ele tem que se reconhecer negro primeiro e, segundo, sou negro e sou bonito”, destacou.
Abertura do evento (17/11): Denise Justino é a primeira à esquerda
Denise explicou que o Afrofest teve início com o concurso, em 2014. A partir do segundo ano, chegaram as primeiras crianças. Hoje, 60 delas se reúnem com a equipe, no último sábado de cada mês, no Espaço Cultural: “Com a criança a gente trabalha de forma lúdica. Não fico falando do racismo, do preconceito”, assinalou.

A ativista cultural recordou o dia em que  abordou a controversa questão capilar: “Sabe porque nosso cabelo é assim? Porque lá na África, se você tiver o cabelo totalmente liso vai cozinhar seu cérebro”. Com essa naturalidade no falar, os cinco voluntários tratam de temas recorrentes visando elevar a autoestima das crianças e jovens negros que passam a ter orgulho da sua pele e do seu cabelo.
“A coisa mais grata é quando uma mãe chegou e disse que a filha tinha vergonha de ser negra; que depois que entrou no Afrofest ela adora ser negra, se acha linda e empoderada e vai para a escola com o cabelo solto”, prosseguiu. Conforme disse, “o preconceito existe quando a gente não conhece. Tudo o que a gente vai falando, elas vão assimilando porque criança é um coração aberto para tudo”.

Nos encontros do grupo, os voluntários “ensinam sobre o estudo da África. A gente fala sobre africanidade, sobre identidade racial porque tem muita criança que o pai é negro e a mãe é branca ou ao contrário”, acrescentou.
Denise e as meninas do Afrofest

Denise Campos Justino frisou que as crianças que participam do projeto “não são crianças de risco,  são crianças negras, assim como as jovens dos concursos. Temos algumas que moram na periferia, mas a maioria é de universitárias”. No dia 04 de novembro, houve um encontrão entre as crianças e os participantes dos concursos de beleza negra. “As meninas vendo aquelas negras lindas, algumas de tranças, desfilando, se inspiram. Eu quero que elas olhem e digam: olha lá, deu certo. Não são prostitutas, não estão pedindo”, observou.

Ela coleciona histórias emocionantes que dão novo fôlego à equipe Afrofest para continuar desenvolvendo o projeto, como a mãe de uma das meninas que revelou: “Minha filha mudou completamente. Até as notas estão melhores”. Para Denise, “não tem dinheiro no mundo que pague”. 

REFERÊNCIA NEGRA

Filha do ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Nadir de Campos, Denise recordou a época escolar no famoso colégio particular que frequentava: “Não havia um colega negro, uma professora negra, nada que eu quisesse ser negra. Só tinha branco. Éramos só eu e minha irmã. Não tinha referência nenhuma”.

Prosseguindo, ela observou que “todo negro um dia tem um start e fala: sou negro, mesmo. O gordo emagrece, o japonês pode fazer uma cirurgia para abrir o olho, o ruivo pode ficar moreno, mas o negro é negro e acabou. Sou negro, mas tenho meus direitos e meus deveres. Não é aquele negócio de orgulho negro, porque nós somos negros, somos maravilhosos, não somos melhores que ninguém; isso que eu quero passar para as crianças, a questão da igualdade”.

Denise Justino fez questão de frisar que o Afrofest não envolve credos: “A gente não trabalha com questão de religião porque não dá certo. Nada que venha imposto de religião ou de partido político dá certo”. Ela revelou que houve pressão para incluir religião de matriz africana como o candomblé, mas não cedeu.
Tássia  eleita Princesa Beleza Negra em 18/11 com Diego Antônio (2º Mister)
“Quando a criança vem se inscrever não tem campo religião na ficha. Pode ter criança do candomblé, espírita, católica, evangélica. Eu sou evangélica, mas nunca chamei meu pastor para vir orar para as crianças, nunca peguei grupo de dança da minha igreja para colocar aqui.
Às vezes, querem jogar todo negro em uma vala comum, como se todo negro tivesse que ser de matriz africana”, disse, lembrando que visitou a África, recentemente, onde sua filha foi estudar e viu muçulmanos, católicos e evangélicos convivendo harmoniosamente.

PROGRAMAÇÃO

Denise Campos Justino falou, ainda, sobre a parte cultural do Afrofest que se inicia em fevereiro, começa a ter mais foco nos concursos em julho, quando são abertas as inscrições, mas também tem a parte de dança e música: “hip hop, street dance, capoeira, maculelê, happy, samba, pagode, porque é uma coisa universal”.

Durante o ano são desenvolvidas ações de cidadania: a conselheira do Conselho Estadual da Condição Feminina, Rossana Camacho, proferiu uma palestra às concorrentes do Miss Beleza Negra sobre o enfrentamento à violência. “Nossa preocupação é cultural, de empoderar essas meninas através do conhecimento. Fizemos a campanha de doação de sangue que leva cidadania, princípios e valores”.

A Campanha “Sangue Muito Bom”, levou dezenas de doadores do Afrofest e apoiadores do projeto ao Hemocentro, no último dia 11, como Tássia Camilo Barbosa, 28 anos, programadora de produção e candidata à Miss beleza Negra: “Achei a campanha extremamente importante. As pessoas precisam de empatia, a gente se colocando no lugar do outro. Tem muita gente precisando e não custa nada. É um ato muito bonito. A gente tem que doar mesmo”.
Tássia foi uma das doadoras de sangue


Com um sorriso iluminando o rosto, Tássia afirmou que “as pessoas precisam conhecer sobre o que é a nossa cultura, a nossa cor. Tem muita gente que acha que é bonito e gosta dos nossos turbantes, das nossas cores, mas não entende. Espero que com o projeto, o concurso, enfim, a gente consiga levar informações para as pessoas e não só o visual. As pessoas precisam conhecer um pouco da nossa cultura que é magnífica”.

APOIADORES

Realizado pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Cultura de Marília, juntamente com a equipe Afrofest, o evento teve o apoio dos seguintes patrocinadores: Banco Bradesco, Microlins, MegaEasy, FAIP, ONG Afrobras, Faculdade Zumbi dos Palmares (São Paulo), Hill Fashion e Estylo New.

GRITO DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Acontece neste domingo (19), a partir das 15 horas, na praça do Tiro de Guerra de Marília (zona norte), o Grito da Consciência Negra, em homenagem ao “Dia da Consciência Negra” comemorado no dia 20 de novembro. O evento tem apoio da Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Cultura.

Segundo informações publicadas no blog da Secretaria da cultura, “o Movimento Negro de Marília está composto por representantes de segmentos da juventude, religiões de matrizes africanas, carnavalescos e grupos da diversidade de Marília e que se reuniram para pensar e propor atividades que valorizem a comunidade negra em regiões que carecem dessas oportunidades culturais e artísticas na cidade de Marília”, explicou Luciano Cruz, da Comissão Organizadora do evento.

Aberto ao público, o evento conta com oficinas, feira de gastronomia, exposições, rodas de conversa, capoeira, dança e música.



sábado, 11 de novembro de 2017

CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS: EXEMPLO VEM DE CASA NA ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS

Por Célia Ribeiro

Devido ao horário de verão, os últimos raios de sol ainda desfilam pelo tapete verde do campo de futebol quando se ouve o burburinho anunciar a chegada dos primeiros craques: é dia de disputa acirrada na Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília e Região (AEA). O que poucos sabem é o segredo de manutenção do gramado: a água abundante da natureza captada e armazenada em um sistema bem planejado sob a varanda no entorno da construção principal.
Água da chuva garante a irrigação sem custos
Na sede de mais de mil metros quadrados localizada em área privilegiada nas imediações do Esmeralda Shopping, a Associação mostra que o exemplo vem de casa. Quando foi concebida, a construção previu utilizar elementos que remetessem à preservação ambiental e ao baixo consumo de energia. Das econômicas lâmpadas de LED presentes no imenso salão social ao uso das águas pluviais, o projeto focou na sustentabilidade ambiental.
35 mil litros de água armazenados sob a varanda
Segundo o presidente licenciado da AEA e presidente em exercício do CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), engenheiro Edson Navarro, “desde a concepção do prédio, tratamos da captação da água da chuva. Embaixo da varanda temos cinco caixas de 7.000 litros cada. São 35 mil litros que a gente usa de água da chuva para irrigar o campo”.

Com uma vasta área de 6.228 metros quadrados repleta de jardins, além do campo de futebol, a sede da entidade demanda uma grande quantidade de água. Mesmo com a capacidade de 35 mil litros de armazenamento, em períodos de estiagem é necessário lançar mão da água potável da rede abastecida pelo DAEM.
Cinco caixas de 7.000 litros no subsolo

Para Edson Navarro, o exemplo da AEA de captar, armazenar e utilizar a água da chuva é uma tendência irreversível, assim como outras soluções que geram economia com baixo impacto ambiental: “Na área de arquitetura não se pode pensar em uma instalação se não pensar nela com energia solar, aquecimento de água por energia solar, reaproveitamento de água da chuva, gerar energia na sua casa com sistema fotovoltaico”.

Engenheiro Edson Navarro

Conforme disse, “é uma tendência que o mercado nacional vai partir para isso, mesmo porque o custo da energia elétrica subiu. Tem o problema dos reservatórios porque, a cada dia que passa, temos menos água”, frisou o engenheiro eletricista.
Com mais de 300 associados, a entidade promove muitos eventos
Finalizando, ele informou que existem estudos para desenvolver um projeto piloto em condomínios horizontais visando a captação da água da chuva para distribuição às residências em uma rede separada da rede de água potável. “Para fazer um sistema individual fica caro, ao contrário de fazer no condomínio todo e distribuir a água captada da chuva para irrigação de jardins, por exemplo”.

Lâmpadas de LED nas instalações: de olho na economia

Espelhando-se em iniciativas inovadoras, como no Japão, a expectativa é que as soluções baseadas nas construções sustentáveis deixem de ser exceção e se tornem mais comuns daqui para frente.

ESPECIALISTA DARÁ TREINAMENTO

Nos dias 01 e 02 de dezembro, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília e Região promoverá um treinamento sobre “Construções Sustentáveis” em sua sede à Rua Mecenas Pinto Bueno, 1207, com o engenheiro civil Fernando de Barros, especialista em planejamento e gestão ambiental pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro e mestre em engenharia de edificações e saneamento pela UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Construções sustentpáveis são tendência irreversível
A programação do evento, que tem o apoio do CREA-SP, inclui: impactos ambientais provocados pela construção civil; como é a construção hoje no Brasil; como saber se a construção é sustentável; práticas adotadas para diminuir os impactos ambientais; sistemas de certificação para construções etc.

A presidente em exercício da Associação, engenheira Claudia Sornas Campos, afirmou que “a AEA de Marília cumpre o seu papel de integrar e valorizar os profissionais promovendo cursos de atualização como este voltado para o aperfeiçoamento das técnicas em construções sustentáveis”. Ela concluiu assinalando que “será um momento muito apropriado para a troca de experiências e agregar novos conhecimentos”.

Para outras informações e inscrições, os interessados devem entrar em contato pelo telefone (14) 34336024. Associados da AEA têm desconto e pagam 30 reais, não sócios 100 reais e  universitários pagarão meia inscrição no valor de 50 reais.

(Fotos: Ramon Barbosa Franco/AEA)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

HORTAS VERTICAIS, JABUTICABEIRA EM VASOS: A NATUREZA PEDE PASSAGEM ONDE FALTA ESPAÇO.

Por Célia Ribeiro

Poucas lembranças da infância são tão marcantes quanto as incursões aos pomares, comuns há três ou quatro décadas, em grande parte das residências do interior. O esforço para subir na jabuticabeira, equilibrando-se nos galhos que cediam, provocando tombos de todo tipo, era recompensado pelo prazer de sentir o espocar da frutinha doce, de casca fina e escura, na boca.
Jabuticabeira em vaso, temperos nas bacias: verde é vida!
Em tempos modernos, escalar a jabuticabeira exige muito mais esforço para as crianças crescidas. Mas, nem tudo está perdido: graças à evolução da genética, é possível saborear as frutinhas o ano inteiro. Espécies híbridas podem ser cultivadas em vasos exigindo apenas muita água e sol. No quintal, nas casas de proporções cada vez menores e até nas varandas dos apartamentos, as jabuticabeiras reinam como nunca.
Frutas o ano todo

O relato é da arquiteta e paisagista Aglays Damaceno, reconhecida pela qualidade dos projetos de hortas (verticais, em vasos e até em bacias) e pomares com frutíferas que crescem pouco e já chegam às casas produzindo frutos. Em 2.012, este blog fez um perfil da profissional, conhecida como a “Menina do Dedo Verde”, em alusão ao clássico francês de Maurice Druon.

Nestes cinco anos, além do aprimoramento profissional, Aglays mantém-se focada em recuperar tudo que for possível, como as orquídeas que, vez ou outra, clientes descartam e ela recolhe ao “Pronto-Socorro” das plantas em que, pacientemente, zela para que possam florescer novamente.

Aliás, em sua confortável residência, a paisagista aproveita para fazer experimentos. Nos últimos dias, por exemplo, ela está testando o orégano como forração em um vaso no jardim de inverno. “Até agora está pegando sol forte e está aguentando. Vou esperar um pouco mais para ver como fica para indicar como opção aos meus clientes”, explicou.

Segundo ela, a procura por jardins em residências novas ou após reforma sempre teve boa demanda. No entanto, há alguns anos, além de flores e plantas, os clientes têm procurado projetos para mini hortas. Com pouco espaço, as opções são inúmeras: bacias com temperos (salsinha, cebolinha, tomilho, manjericão, alecrim e hortelã), passando pela instalação de vasos nas paredes até o plantio de frutíferas que crescem pouco e produzem muito.
Aglays no jardim de inverno de sua casa: local de experimentos
“Noto que as pessoas estão investindo mais na qualidade do que consomem. Cozinhar é motivo para reunir a família e os amigos. Por isso, todo mundo quer ter os temperos ao alcance das mãos, seja na cozinha gourmet ou na área da churrasqueira”, comentou Aglays. Conforme disse, a falta de espaço não é um impedimento.
Entre as flores, as orquídeas são as mais solicitadas
Ela explicou que ao ser procurada, marca uma visita ao local e conversa com os clientes para saber suas expectativas. A partir daí, elabora o projeto e, após a aprovação e eventuais ajustes, passa à fase da execução supervisionando cada detalhe que é compartilhado, via fotos no WhatsApp, com os interessados.
Maçã no quintal

De acordo com a paisagista, a manutenção das hortas domésticas é bem simples: “Não exige muita coisa, além de água. Precisa estar em um local onde bata sol de uma a duas horas por dia. Conforme vai colhendo os temperos, eles vão brotando. E se morrerem, após um tempo, é só replantar”.

Sobre as frutíferas, Aglays mostrou toda orgulhosa a primeira maçã do seu mini pomar em vaso. “A muda veio cheia de flores. A maçã nasceu e começou a crescer. Mas, estou com dó de comer”, disse rindo. Agora, a expectativa está no pé de limão siciliano adquirido recentemente.

Sobre as jabuticabeiras, ela explica que é uma preferência nacional: “A maioria quer. Já coloquei vasos perto de piscina, mas também em varandas de apartamento. Com baixo investimento dá para ter essa lembrança da infância em casa”. No mercado, a partir de 100 reais, já é possível encontrar plantas produzindo.

Os cuidados são: instalar um dreno de dois centímetros de diâmetro no fundo do vaso (50 por 50 cm), adicionar uma camada de cinco centímetros de argila expandida ou pedra britada, sem tampar o orifício, cobrir com um pedaço de manta acrílica seguida de camada de areia grossa. Depois, basta colocar a terra preparada (à venda em lojas especializadas) e plantar a muda. Aglays também costuma cobrir a terra com cascas de árvores para manter a umidade.
Falta de espaço não é desculpa: sempre é possível ter uma mini horta
Ao longo dos anos, a paisagista coleciona histórias tocantes, como a da horta que fez para uma família na região. Quem queria muito era o marido, que faleceu. A viúva, em sua homenagem, pediu que Aglays fizesse a melhor horta que conseguisse no quintal da residência. Missão cumprida. “Certamente, quando essa senhora for cuidar dos legumes e verduras terá muitas lembranças”, finalizou.

Para ler a reportagem de 2012 com a paisagista, clique aqui. Para contata-la o e-mail é: aglays@gmail.com Rede Social: https://www.facebook.com/aglays.damaceno 

Profissionais do Ano: AEA apresenta agrônomo, engenheiro e arquiteta eleitos pela classe

Por Célia Ribeiro

Com quase 400 membros, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília (AEA) escolheu, pelo voto dos seus associados, os “Profissionais do Ano 2017”. Na noite de quarta-feira (01), foram apresentados à imprensa o engenheiro agrônomo Osmar Reis, o engenheiro eletricista Moyses Dalan da Silva e a arquiteta Ana Beatriz de Paula Menin.
Osmar Reis, Ana Beatriz Menin e Moyses Dalan: homenageados
Na sede projetada para gerar o menor impacto ambiental possível, incluindo a captação da água da chuva para irrigação do campo de futebol, a Associação recebeu a diretoria, jornalistas e convidados que puderam conhecer melhor os eleitos. Segundo a presidente interina, Claudia Sornas Campos, a homenagem é muito democrática: pela internet, os associados votam nos nomes que consideram ter se destacado em suas áreas de atuação.

“Eu dou muito valor a esse prêmio porque são os próprios profissionais que votam. Então, eles que reconhecem o valor, o que é muito importante”, afirmou a presidente. Ela destacou a escolha deste ano: o experiente agrônomo Osmar Reis, o engenheiro eletricista Moyses Dalan que já presidiu a entidade e tem uma trajetória profissional de sucesso e a arquiteta Ana Beatriz de Paula Menin que “apesar de nova, está despontando com trabalhos notáveis”.
Diretoria da Associação e os profissionais do ano eleitos em 2017
Por sua vez, o presidente do CREA/SP (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), engenheiro eletricista e engenheiro de segurança do trabalho, Edson Navarro, falou da alegria de reunir a categoria para homenagear os colegas.

SUSTENTABILIDADE

Para a arquiteta Ana Beatriz Menin, que retornou a Marília há 4 anos, após atuar em importantes projetos em grandes centros, a premiação foi recebida com surpresa: “Ter esse olhar das pessoas que você admira, profissionalmente, e ser escolhida como destaque, é uma coisa muito forte”, assinalou.

Antenada com seu tempo, ela contou que procura participar de cursos, feiras e eventos para se manter atualizada. Sobre o aumento do interesse por projetos com pegada sustentável, a arquiteta disse que “é o futuro. Hoje temos materiais 100 por cento ecológicos”. Entretanto, reclamou dos altos preços que inibem uma maior expansão do segmento.
Sustentabilidade na sede da entidade (Foto: site AEA)

Ainda na área de inovação, Beatriz Menin comentou sobre a chegada da portaria remota aos condomínios do interior: “Acho que nosso estilo de vida tem mudado muito de uns tempos para cá. É muito comum essa tecnologia, há muitos anos, nos Estados Unidos. E a gente tem aceitado um pouco mais essa ideia”. Ela ressalvou que os projetos devem prever essa alternativa no futuro: “O que tenho sugerido, como não se sabe a tendência do mercado, é já deixar preparado”, embora também considere importante o serviço da portaria presencial.

Quando se fala em sustentabilidade ambiental, o engenheiro eletricista Moyses Dalan é referência. Feliz por ter sido eleito um dos profissionais do ano, ele comentou os avanços no uso das energias fotovoltaica (solar) e eólica (ventos) em projetos residenciais, comerciais e industriais. “Esta é uma coisa muito forte no mercado”, disse, citando que o alto custo da energia elétrica, em função da escassez de água dos reservatórios, tem impulsionado as pesquisas no sentido de se obter alternativas viáveis economicamente.

Os investimentos ainda são altos, ressaltou o profissional, acrescentando que à medida em que houver mais demanda, os preços devem cair possibilitando que um número maior de projetos possa ser executado com fontes alternativas de energia.

As soluções de sustentabilidade aplicadas na sede da Associação dos Engenheiros e uma reportagem sobre projetos que usam energia fotovoltaica e eólica serão abordados neste blog, nas próximas semanas. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AURORA BOREAL: PONTE PARA A REINSERÇÃO SOCIAL DE MULHERES DEPENDENTES QUÍMICAS

Por Célia Ribeiro

Na ensolarada manhã de sábado, com a primavera soprando, suavemente, os primeiros ventos da nova estação, um refúgio encrustado na zona oeste de Marília teve sua habitual tranquilidade interrompida pelo badalar de um antigo sino. O som inconfundível, que fazia as vezes da campanhia, anunciava a chegada dos visitantes à Aurora Boreal, obra conduzida pelas Irmãs Missionárias de Nossa Senhora de Fátima com o objetivo de reinserir, na família e na sociedade, as mulheres que passaram por tratamentos de dependência química.
O badalar do sino anuncia as visitas

Para entender a importância desse projeto, é preciso retroceder no tempo e contar a trajetória da Irmã Santa Mendes da Silva, assessora da Pastoral da Sobriedade, assessora eclesiástica da Pastoral Diocesana e presidente da obra. De sorriso fácil e olhar expressivo, Irmã Santa parece levitar em seus trajes azuis enquanto explica esse trabalho inovador.

Missionária no exterior por 28 anos, dos quais 23 anos vividos na Itália, 03 anos na Dinamarca e 02 anos em Israel, Irmã Santa retornou ao Brasil em 2.008 para trabalhar na Comunidade Terapêutica de Tupã voltada ao tratamento de dependentes químicos do sexo masculino. Durante sua jornada, preparou-se cursando Assistência Social, Filosofia e Teologia, o que lhe rendeu bagagem suficiente para o trabalho espiritual na comunidade onde também levou sua alegria e seu tempero inconfundível para a cozinha.

Em Tupã, a convite do Bispo Emérito D. Osvaldo, Irmã Santa iniciou o trabalho com entusiasmo juvenil. Mas, com o passar do tempo, foi tomada por uma inquietação diante dos quase 40 internos atendidos: “Eu estava responsável pela espiritualidade e sentia uma angústia nos rapazes quando se aproximava a saída deles. Tem os que não querem voltar para casa. E tem a família que não sabe como lidar e já deu situação de abandono”, confidenciou com o semblante fechado.
Irmã Santa (centro) preside a Aurora Boreal
Foi daquela situação que Irmã Santa acredita ter brotado a ideia da Aurora Boreal. Afinal, após passar pelas comunidades terapêuticas ou clínicas de reabilitação para desintoxicação, os dependentes químicos, tanto homens como mulheres, precisam encontrar pontes para transitarem, em segurança, de volta ao meio da família e da sociedade.

PROVIDÊNCIA DIVINA

O local onde funciona o Centro de Apoio Aurora Boreal da Associação das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora de Fátima pertence ao Estado e foi cedido para o desenvolvimento de projetos sociais em 2.004. Segundo a presidente da obra, em 2010, houve uma tentativa frustrada de trabalho com adolescentes: "Com tanta tecnologia, poucos se interessam por trabalhos manuais”, disse ao justificar a desativação da iniciativa.
Instalações simples em meio à natureza: refúgio para o recomeço
Em 2.011, com o aval da Congregação das Irmãs Missionárias, teve início o projeto de reinserção social para dependentes químicos do sexo masculino em que a casa abrigava residentes egressos de comunidades terapêuticas. Eles participavam de atividades esportivas, laborterapia, psicologia individual e em grupo, realizavam artesanato, cuidavam da horta e tinham os momentos para estudos e a espiritualidade. Ao todo, 56 homens foram assistidos nos seis anos seguintes.
Laborterapia: a horta também garante verduras e legumes frescos 
A nova fase, com a oportunidade de atender exclusivamente as mulheres, teve início em setembro de 2017 diante da constatação de que há poucas iniciativas voltadas para a reinserção das dependentes químicas. A casa poderá abrigar até seis residentes, mas começará com três vagas diante dos custos de manutenção e da disponibilidade de trabalho voluntário das irmãs que permanecem 24 horas, em sistema de revezamento, junto às assistidas.

“A Aurora Boreal é um fenômeno da natureza porque só Deus consegue fazer aquela maravilha toda. E nós acreditamos que, na dependência química, esse novo despertar é uma Aurora Boreal na vida da pessoa”, comentou Irmã Santa enquanto mostrava as instalações da entidade.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Na visita à Aurora Boreal, a conselheira do Conselho Estadual da Condição Feminina e delegada aposentada, Rossana Rossini Camacho, e a assistente social Cássia Giandon que atuou na Delegacia de Defesa da Mulher, foram recebidas pelas irmãs da Congregação e pelos diretores da entidade: Manoel Francisco Otre (secretário diocesano), Claudemir Messias dos Santos (tesoureiro diocesano), Zenin Gasparoto (membro da Pastoral da Sobriedade) e Fátima Aparecida da Silva Domingos.
Roda de conversa: Rossana Camacho falou sobre políticas públicas
Sob a sombra das árvores naquele ambiente bucólico, Irmã Santa conduziu a roda de conversa que contou com a presença da primeira residente: Adriana, 51 anos. “Essa é uma causa válida, necessária e está dentro de Marília onde existe a demanda”, iniciou Rossana Camacho. Conforme disse, “a sociedade precisa fazer o seu papel e o poder público se juntar para que essa obra siga em frente”.
Fátima, Rossana e Cássia com as irmãs missionárias
A conselheira estadual afirmou que trabalha “com políticas públicas para mulheres e isso é uma das políticas: trabalhar com a mulher em situação de violência. A mulher dependente química está exposta, é mais vulnerável que os homens. Tem a questão da gravidez, da facilidade de conseguir a sua droga. Então, isso aqui é necessário e temos que nos mobilizar”, acentuou.
Irmã Santa na cozinha: ambiente acolhedor
Para Zenin Gasparoto, que há muitos anos atua na área, “esse é um trabalho sério, mas tem pessoas que não acreditam. Lido com isso 24 horas porque, para a sociedade, é mais fácil julgar, criticar e condenar do que estender a mão. As pessoas acham que é uma perda de tempo, que não tem solução”.
Um dos quartos da instituição
Irmã Santa ressaltou que a Aurora Boreal não realiza tratamento para dependência química, atuando na reinserção social para que ex-usuários não retornem ao álcool e às drogas. Rossana Camacho complementou lembrando que “o que está se fazendo é quebrar a corrente da violência. Depois do tratamento é preciso fazer com que essas mulheres voltem a ter uma vida normal resgatando sua dignidade e isso é mais difícil”.
O colorido de uma  das salas da entidade
Zenin afirmou que “a família está tão doente quanto o usuário. Por isso, a obra faz o trabalho com a família para o resgate”. Neste sentido, a religiosa afirmou que “a casa é disponível para acolher a família a qualquer momento que quiser visitar. Nossos residentes estão voltando para a sociedade, trabalham, fazem cursos, mas vivem aqui. Somos a segunda família”.

VÍCIO AOS 14 ANOS

Aos 51 anos, órfã e com uma única irmã residindo no exterior, Adriana foi a primeira residente da nova fase da Aurora Boreal. Demonstrando um pouco de dificuldade para se expressar, devido aos medicamentos, ela tem uma curadora que a encaminhou para o projeto e tem se revelado um “anjo da guarda”.
Adriana: confiança no recomeço


Aos 14 anos conheceu o primeiro vício: o cigarro. Em seguida, experimentou álcool, maconha, cocaína, crack e tudo o que pudesse chegar às suas mãos. Pela situação financeira da família, conseguiu acesso aos tratamentos, mas logo recaía. Adriana contou que chegou a beber álcool gel em uma fase de abstinência severa e que, mesmo com cuidadoras por perto, conseguia um jeito de driblar a vigilância e voltar às ruas em busca de mais drogas.

Ao contar sua história, ela disse que, pela primeira vez, participava de um trabalho de reinserção após sair da fase de desintoxicação. Adriana ainda não pode sair sozinha, mas revela uma incrível vontade de superação: “Quero melhorar minha saúde, fazer academia, cuidar dos meus dentes”, contou.

Enquanto caminhava mostrando seu quarto cuidadosamente arrumado, Adriana recordou com tristeza as fases difíceis que enfrentou: “Teve uma vez que a comunidade em que eu estava, com umas 300 pessoas, foi lacrada. A gente era trancada em quarto escuro, sem banheiro e obrigada a fazer trabalho pesado”.
A capela está sempre aberta e a entidade recebe pessoas de qualquer religião
As memórias tristes ela tenta apagar com a esperança de que, finalmente, terá o poder de escrever uma nova história: “Acordo bem cedo, cuido dos morangos, da horta, me ocupo aqui. É um lugar que dá paz, que é o que todo mundo precisa”, finalizou.

CONTATOS

Para saber mais sobre a Aurora Boreal ou contribuir com o projeto, entre em contato no e-mail: auroraborealmf@gmail.com ou telefone (14) 33064354. A entidade localiza-se à Rua Antônio Dantas, 135, Quadra N no Jardim América, em Marília/SP.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

CÉLIA RIBEIRO E KLAUS BERNARDINO FIRMAM PARCERIA PARA DIFUSÃO DAS BOAS NOTÍCIAS


O maior portal de jornalismo da região, Visão Notícias, estreia nova roupagem com muitas novidades. Uma delas é a parceria entre os jornalistas Klaus Bernardino, fundador do site, e Célia Ribeiro do blog “Marília Sustentável” que tem seu foco na divulgação de reportagens sobre sustentabilidade ambiental e responsabilidade social.
Jornalistas Célia Ribeiro e Klaus Bernardino (Foto: Sílvio Ribeiro)
“É um lugar para se ler as boas notícias, conhecer ideias inspiradoras, os projetos que deram certo e aqueles que dependem de ajuda para decolarem. Desde 2010, o blog, que nasceu como uma extensão da página publicada aos domingos, no Jornal Correio Mariliense, dá visibilidade aos personagens que fazem acontecer”, explicou Célia Ribeiro.

Ela afirmou que “trabalhar com o Klaus, a quem conheço desde nossa juventude, há mais de 30 anos, vai ser um privilégio. Tenho uma profunda admiração por seu talento, sua ética profissional e seu caráter. Não aceitaria me associar a um profissional que não tivesse esse perfil. Por isso, estou mais do que animada para darmos o ‘start’ e iniciarmos as publicações”.

Com 37 anos de profissão, Célia Ribeiro foi repórter e editora-chefe do antigo Jornal Correio de Marília, editora de Sustentabilidade do Correio Mariliense e especializou-se em Comunicação Corporativa tendo atuado em grandes organizações como a Fundação Dr. Amaral Carvalho de Jaú, Santa Casa de Misericórdia de Marília, FUMES (Famema e HC) etc. Atualmente, responde pela Comunicação Corporativa da Maternidade e Gota de Leite e é gerente do Grupo Calcular.

“Pelo trabalho que desenvolvi na elaboração e gerenciamento de projetos sociais conheci muitas instituições sérias que lutam para manterem seus atendimentos ao público alvo. Com o retorno do blog a ideia é divulgar todo esse trabalho e as ações dos voluntários para que a sociedade possa participar ativamente da transformação que deseja”, explicou.

PARCERIA

O editor Klaus Bernardino destacou a parceria com o “Marília Sustentável” e também p trabalho realizado pela jornalista Célia Ribeiro: “A Célia é uma excelente e respeitada profissional. Sempre admirei o blog o blog ‘Marília Sustentável’ e quando ela me disse que estava retomando esse projeto, imediatamente sugeri a parceria e ela, de pronto, aceitou. Quem ganha com isso é Marília e toda região”, afirmou.
Blog e Site difundindo as boas novas

O blog pretende atuar, ainda, no mapeamento das ONGs de Marília e da região, onde poderão ser encontradas informações sobre as instituições, suas áreas de atuação e as formas de apoiá-las. Célia Ribeiro adiantou que estuda promover oficinas para formação de voluntários em parcerias que estão sendo viabilizadas, com previsão para o primeiro trimestre de 2018.

Ela assinalou que, na área ambiental, “há uma estrada pela frente. Muita gente boa investindo em boas práticas, na agricultura orgânica e nas soluções que têm por objetivo reduzir o impacto dos resíduos gerados e que tanto mal fazem ao meio-ambiente”. Por isso, os temas ligados ao turismo ecológico, às construções sustentáveis, às ONGs preservacionistas, “enfim, às boas ideias nesta área, queremos dar um tratamento adequado na divulgação séria e responsável”.

Quanto ao Visão Notícias, Célia Ribeiro afirmou que “trata-se de um portal de notícias bem atuante, com notícias divulgadas após a devida checagem dos fatos, como deve fazer o bom jornalismo. E, entre as iniciativas de Marília que, felizmente, tem bons exemplos em outros profissionais, estar ao lado do Klaus Bernardino e sua equipe é uma honra”.

Finalizando, a jornalista Célia Ribeiro explicou que o blog “Marília Sustentável” estará linkado na capa do Visão Notícias e trará reportagens exclusivas todas as sextas-feiras, além de atualizações ao longo da semana de notícias de interesse da área. A primeira matéria mostrará um projeto social inovador voltado à recuperação social de dependentes químicos, no dia 27 de outubro de 2017.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MARILIA SUSTENTÁVEL VAI VOLTAR! ANOTEM: 27 DE OUTUBRO DE 2017!

Depois de um longo período, estamos preparando o retorno do Blog que deu voz às iniciativas inspiradoras nas áreas de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Muitos anônimos têm feito a diferença em Marilia. E, no dia 27 de outubro de 2017, estaremos de volta, com força total, garimpando as ideias e os personagens que fazem nosso mundo melhor!
Aguardem!!!!
Estamos voltando...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Para sobreviver, Associação Amor de Mãe reduz atendimento das crianças em 57% e foca na sustentabilidade econômica.

Por Célia Ribeiro

No fim de 2014, o cenário sombrio vislumbrado pelos analistas econômicos alertava que o ano de 2015 seria de muitos desafios. Para uma instituição filantrópica, cravada na periferia de Marília/SP e acostumada a todo tipo de dificuldade, este seria mais um ano de trabalho duro para fechar as contas. Só que não. Quando janeiro chegou, a Associação Amor de Mãe se viu diante de um dilema que a obrigou a adotar medidas drásticas para continuar de pé, como a redução de 140 para 60 no número de crianças assistidas.

Hora de brincar: crise reduziu as vagas
Criada há 08 anos a partir do trabalho social da Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a Associação Amor de Mãe é uma das mais sérias instituições filantrópicas de Marília. Fundada e dirigida pela professora voluntária Tammy Regina Gripa e sua mãe, Marluci Silva Gripa, a entidade goza de tanta credibilidade que possui dezenas de parceiros e apoiadores na iniciativa privada e entre entidades de classe, universidades e clubes de serviço.

A Prefeitura colabora com a doação de alimentos para o preparo de refeições e cede recursos humanos. No entanto, para manter o atendimento às crianças da zona oeste, sobretudo do Jardim Califórnia e adjacências, a instituição promove eventos (jantares, bazares e feiras de sobremesa) e investe em projetos de geração de renda para garantir sua sustentabilidade econômica.
 
Muito profissionalismo marca o atendimento da entidade
A padaria industrial, construída e equipada pelo Supermercado Tauste, produz uma grande variedade de produtos (pães, roscas, salgados etc) que são comercializados em bancas no final das missas da Igreja Santa Izabel (sábado à noite) e Paróquia Santa Clara (domingo pela manhã), além de receber encomendas com entrega em domicílio.

Caixa zerado

Tammy Gripa: luta diária 
“Quando janeiro chegou, não tinha nada em caixa. Tínhamos muitos débitos e não sabíamos o que fazer. Mesmo com as crianças em férias, as dívidas continuavam, como encargos com funcionários, água e luz”, recordou Tammy Gripa. Sem saída, ela partiu para a única opção disponível: “Desesperada, fiz um empréstimo pessoal e paguei as dívidas”, contou, explicando que o fôlego provisório deu um alívio para virar o jogo.

“Comecei a correr atrás de novos projetos e inscrevi um no Banco do Brasil. Felizmente, ele foi aprovado e a verba veio em março, R$ 5.600,00 por mês, até o fim do ano, para pagamento de funcionários, psicopedagoga, psicóloga, assistente social e mais um professor”, informou a diretora.
 
Refeições equilibradas são servidas diariamente
O projeto apoiado pelo Banco do Brasil previa o atendimento de apenas 60 crianças, selecionadas entre as que apresentassem dificuldades de aprendizado e estivessem em situação de risco, além de pertencerem a famílias de baixíssima renda. Neste novo cenário, a Associação Amor de Mãe precisou reduzir de 140 para 60 o número de atendidos, além de suspender as oficinas (de violão, flauta, balé, artesanato etc) que espera retomar futuramente.

Oficinas de música, como a de violão, foram suspensas
“O projeto é para crianças que têm problemas, com pais separados, cuidadas pelas avós, que têm pais presos ou drogados, ou têm transtornos na escola e ninguém consegue fazer nada. Esses problemas gritantes é que estamos trabalhando este ano”, explicou Tammy. Ela contou que “em fevereiro, no início das aulas, reuni todos os pais e dissemos que não teria mais as oficinas e iríamos fazer a seleção para crianças de 05 a 11 anos: quem mora na região Oeste e tem renda de até dois salários mínimos”.

A entidade sempre atuou em duas frentes: desenvolvendo projetos de geração de renda para as famílias e a assistência às crianças que frequentam o local no contra turno da escola. Lá, fazem as tarefas escolares com acompanhamento, recebem alimentação e, antes das mudanças, também participavam de oficinas culturais.

Cadê as bailarinas? Meninas sonham com as aulas de balé.
Com uma estrutura bem montada, a Associação Amor de Mãe segue buscando alternativas para ampliar a arrecadação e formar mão de obra entre as mulheres desempregadas que desejam aprender um ofício. Neste sentido, o curso de salgados ministrado em parceria com a FATEC, em maio, capacitou as mulheres que perderam o emprego na crise econômica. Com inscrições gratuitas, o curso recebeu doação da matéria prima do Leilão Solidário.

Bolsas artesanais

Aproveitando as instalações da sala de costura, a instituição está produzindo, em caráter experimental, bolsas com tecidos de mostruários de estofados doados pelas empresas. As peças estão sendo comercializadas para ajudarem na manutenção da entidade, assinalou Tammy Gripa.

Confecção de bolsas para
geração de renda
“Todos os dias fazemos alguma coisa para sobreviver. Na Japan Fest, onde fomos muito bem acolhidos, fizemos pão de mel que renderam mil reais e ajudaram a pagar as contas de água e luz. No Esmeralda Shopping, nossa feira da sobremesa rendeu 600 reais e assim vamos em frente”, comentou a diretora.

Na agenda, estão marcados uma feira da sobremesa no Tauste Norte (dia 06/06) e o I Baile Jantar do Dia dos Namorados (dia 12/06) no Alves Hotel, a 35 reais o valor do ingresso individual.

Quanto à retomada das atividades, Tammy espera voltar aos poucos com as oficinas “porque as crianças, sem terem o que fazer, ficam na frente da televisão”. Uma das que mais sentiu a desativação foi a de balé. Ela recordou a apresentação das meninas, no final de 2013, no Teatro do Colégio Sagrado Coração: “Foi emocionante e muito lindo. Fazer balé é sonho de uma criança rica e não de uma criança pobre. Essas crianças não podem sonhar mais porque precisaríamos de um patrocinador”, pontuou.
 
Bruna e Yasmin
Uma das mais ansiosas pela volta das aulas de balé é Yasmim Tainara, nove anos, moradora do Jardim Califórnia. “Ela se destacou muito e até recebeu um prêmio por sua dedicação”, revelou Tammy Gripa. A menina disse que o balé a ajudou muito na parte de disciplina e organização: “Quero muito que volte logo”, disse. Ao seu lado, Bruna Pereira, 12 anos, contou que gostava das aulas de balé porque a atividade a ajudou a perder um pouco da timidez.

Aprendendo com a dor
 
Delícias da padaria
“Não podemos perder tempo porque já sofremos muito”, assinalou Tammy Gripa que já está elaborando projetos para 2016. “Aprendemos muito com o sofrimento do ano passado. E hoje aprendemos com quem realmente sofre. Sofrem essas crianças que nem se imagina. Tenho vítimas de violência sexual, tenho vítimas de drogas, de criança que foi gestada com os pais no auge do crack”, desabafou.


Padaria profissional, construída e equipada pelo Tauste.
A mudança no perfil dos assistidos, pelo visto, veio reforçar a determinação da instituição em manter-se de pé, apesar de todas as dificuldades, procurando alternativas de geração de renda para voltar a atender a clientela especial que tanto necessita desse apoio.

Para encomendar pães, salgados (quibe, coxinha, rissoles, bolinhas de queijo) a partir de cinco reais a bandeja e outras delícias, telefone para: (14) 3422.5525.

Para saber mais, Marília Sustentável publicou outras reportagens sobre a entidade que você confere clicando nas datas: 2010, 2011 e 2013.
 Obs: Imagens de atividades são do arquivo da instituição

domingo, 10 de maio de 2015

Motivadas pelo amor aos idosos, irmãs criam trabalho inovador que vai além dos cuidados em saúde, levando alegria à melhor idade.

Por Célia Ribeiro

Os olhos curiosos brilham de encantamento, explorando cada novidade. O sorriso, tímido a princípio, lentamente se abre revelando a alegria repentina. Essa cena que, à primeira vista, poderia remeter ao passeio de uma criança no parque de diversões faz parte da rotina de duas irmãs que criaram em Marília/SP um projeto inovador de cuidados voltados à terceira idade.

No lugar do gira-gira e dos balanços, os idosos se deliciam com coisas simples como um passeio no shopping onde saboreiam um cafezinho em meio à movimentação natural do entorno. Como companhia, eles têm uma das irmãs Sabrina E. Vicari Talheiro e Silmara Neris Vicari, auxiliares de enfermagem por profissão, mas que adoram o convívio com o pessoal da melhor idade.
 
O passeio no bosque é um dos mais solicitados
Tudo começou em abril de 2014, período da Páscoa. Renascimento para os cristãos, essa época carrega um simbolismo para Sabrina, 36 anos, casada e mãe de uma menina de sete anos. Auxiliar de enfermagem na Santa Casa de Misericórdia de Marília, ela estava acostumada a cuidar dos idosos hospitalizados de quem ouvia muitas histórias.

“Foi aí que pensei: por que não chegar neles antes da doença?”, explicou Sabrina, contando como surgiu a ideia de criar o serviço de acompanhante para os idosos. Com o nome de “Assistência para a melhor idade”, a atividade visa trazer um pouco de brilho às pessoas idosas que muitas vezes passam o dia sozinhas em casa.
 
(Esq.) Sabrina e Silmara
“Vendo televisão o dia inteiro só assistem notícias ruins. Aí que surgem as doenças, a depressão, a pressão alta”, prosseguiu Sabrina explicando que o trabalho que oferece, em parceria com a irmã, tem trazido muito alegria a elas. Em dias alternados, por causa da carga horária nos empregos formais, as irmãs agendam a assistência conforme a necessidade.

“Às vezes, os levamos ao supermercado para fazerem compras ou para passeios no bosque, para andarem de pedalinho, ao shopping tomar um café ou ver um filme no cinema”, explica Sabrina. Mas, se for preciso, as irmãs acompanham os idosos às consultas médicas. Tudo em veículos próprios.

Amor ao próximo

“Criamos este projeto com intuito de dar amor ao próximo, dar amor aos idosos, chegar antes da doença. Eles têm tantas histórias para contar”, afirmou acrescentando que em um ano de atividades observou como tem sido compensador: “Isso muda o astral, eles ficam mais positivos”.

Os valores cobrados variam de acordo com o tipo de atividade solicitada. A auxiliar de enfermagem disse que “o trabalho ainda está no início porque temos um ano e muita gente não conhece. Mas, esperamos poder ampliar o número de idosos atendidos e expandir”.


Diversão das irmãs com aposentada de 85 anos
Pensando além, Sabrina contou que mandou fazer um uniforme logo no começo das atividades.  Trajando um elegante terninho, ela acredita no futuro da proposta e revela sorridente o sonho de ter um escritório no shopping onde formalizaria o negócio. “Rir é o melhor remédio. Arrancar um sorriso do pessoal da melhor idade é um grande presente para nós”, concluiu.

Para entrar em contato com a Sabrina e Silmara, da “Assistência para a Melhor Idade”, ligue para: (14) 997468085.

Obs: Fotos do arquivo pessoal de Silmara.


domingo, 3 de maio de 2015

Enfrentando obstáculos de toda ordem, moradores unem esforços para construção de um parque ecológico no Jardim Acapulco II.

Por Célia Ribeiro

Na agradável manhã de outono, com o céu tingido de azul profundo, uma pequena área, às margens dos vales da zona oeste de Marília, recebe alguns visitantes. Moradores da Rua Benedito Nery de Barros e de outras vias do entorno, localizadas no Jardim Acapulco II, aproveitam o final de semana para acompanharem o desenvolvimento do embrionário parque ecológico que sonham construir no local.
 
Bernardo é seguido pelo pato que levou ao lago
A iniciativa do ex-morador Osni Mieto que, cansado de ver o mato alto e a sujeira do outro lado da rua, arregaçou as mangas e começou a limpar a área plantando as primeiras mudas de espécies nativas e frutíferas, ganhou a solidariedade do vizinho, Basílio dos Anjos. Passados quase 15 anos, Osni mudou-se do Acapulco, mas deixou seu coração no lugar: ele continua cuidando da área, com o mesmo vigor de antes, ao lado do vizinho Basílio e de novos moradores que se juntaram ao grupo.

Em julho de 2013, “Marília Sustentável” publicou uma reportagem, mostrando a vontade do bairro de contar com um parque, no extinto jornal Correio Mariliense e neste blog.  Quase dois anos depois, os moradores conquistaram algumas vitórias graças à atenção do vice-prefeito Sérgio Lopes Sobrinho que se sensibilizou com o projeto ao tomar conhecimento da notícia.
 
Mais de 350 mudas de árvores já plantadas
A Prefeitura tem enviado equipes para roçar o mato e colaborou com o desassoreamento do lago formado a partir de duas nascentes d’água. No entanto, ele está assoreado, novamente. Isto porque, sem o plantio de grama para proteger as margens, as chuvas fortes arrastam a areia comprometendo todo o trabalho realizado, explicou Osni Mieto.

“É uma pena acontecer um negócio desses porque, na verdade, foi feito um trabalho com máquina, formou esse talude e tudo mais. Nós protocolamos junto à Prefeitura um pedido para que fosse colocado grama no entorno do lago. Esse pedido andou de secretaria em secretaria, foi para o gabinete do prefeito, fizeram orçamento e nada foi às vias de fato”, lamentou Basílio dos Anjos.
 
(Esq.) Bernardo, Basílio e Osni
Segundo ele, “vieram as chuvas e se pode constatar que está cheio de areia, de sedimento, de barro que, aos poucos, vai minando o lago, vai acabando com a capacidade dele de estar renovando a água, de estar oxigenando a água. Isso é lamentável”, frisou.

Diante das mais de 350 mudas de árvores nativas (pau-brasil, cedro-rosa etc) e frutíferas plantadas, Basílio reconhece que, desde 2001, a área do futuro parque experimentou melhorias. Entretanto, disse que há muito que fazer: “Continua sendo aquele trabalho de formiguinha. Ou seja, consciência de uma minoria, de quase ninguém”, observou, destacando o trabalho de Osni e, mais recentemente, do novo morador, o engenheiro Bernardo Manchini.

Viveiro próprio
Osni levou as mudas que formou em sua casa
para plantar no fim de semana.

No sábado, 02 de maio, Osni Mieto chegou carregando várias mudas na caminhonete para plantar no fim de semana. Com muita paciência, ele formou as mudas no viveiro de sua casa, no Jardim Universitário. “A goiabeira, por exemplo, tem dois anos de cuidados para chegar neste porte e poder ser plantada”, revelou.

“Hoje eu trouxe mais frutíferas porque estava precisando. Já temos mogno, pau-brasil, ipês, ingazeiros, que são árvores rústicas. Aqui temos amora, goiaba araçá, manga, para atrair pássaros”, explicou. Como pioneiro no projeto de formação do parque ecológico, o ex-morador do bairro não se intimida de bater na porta do vice-prefeito para pedir ajuda, sempre que necessário.

Ele elogiou o apoio de Sérgio Sobrinho sem esquecer-se de cobrar a grama para o entorno do lago e outras melhorias como a instalação de iluminação e limpeza periódica do mato para inibir quem passa por lá apenas para jogar lixo e entulho.
 
(Esq.) Basílio, Osni, Márcia Zaros, João e Ricardo: união de vizinhos
E por falar em lixo, o engenheiro Bernardo mostrava-se indignado com a falta de educação das pessoas: “Esse lixo que jogam lá é porque tinha mato por todos os lados. A pessoa vem e consegue jogar escondidinho. No último caso, jogaram tanto lixo e é de uma pessoa só porque achei prova da OAB da pessoa, documento do carro da pessoa. Recolhi e está guardado. É de família de advogados da cidade”, comentou.

Patos e peixes

Terminando a construção de sua residência no bairro, Bernardo é um dos mais entusiasmados com a área verde. Com a esposa, Bianca Manchini, presentou o lago com filhotes de patos adquiridos na feira livre. As aves dão mais vida ao lugar e encantam as crianças que adoram brincar por ali.

Visionário, o casal que se encantou com a beleza natural do vale pensa grande. “Quando Bianca estava no meio da faculdade de arquitetura fez um projeto arquitetônico da praça, com pista de cooper, iluminação etc”, revelou Bernardo. Conforme disse, foram mapeadas as nascentes de água e técnicos da CETESB já teriam visitado o local que, no futuro, poderá abrigar um segundo lago. O estudo de Bianca foi entregue ao vice-prefeito e os moradores aguardam a concretização do projeto.
 
Sem a proteção da grama o lago vai sendo assoreado.
Morador do Acapulco II há 08 anos, o professor da UNESP, Ricardo Monteagudo, elogiou a união dos vizinhos: “A ideia de plantar árvores de diversas origens é para atrair pássaros e criar uma área agradável de preservação para a gente ficar”, disse. Ele só lamentou que pessoas estranhas ao bairro tivessem praticado atos de vandalismo, roubando os balanços instalados para a diversão das crianças.

Por outro lado, Ricardo contou que como resultado da manutenção da área algumas pessoas começam a aproveitar os momentos de lazer na tranquilidade do bairro, fazendo piqueniques nos finais de semana.

Ele observou que o lago, apesar de pequeno, também atrai a atenção: “Um morador colocou peixes, o outro vizinho trouxe patos. Outro tinha uma relação tão grande com o lago que tinha uma garça que vinha aqui e ele pescava para dar o peixe na boca da garça. Ela comia na mão dele. Quando tinha muita gente, ela não vinha. Então, ele pescava e deixava para a garça vir comer mais tarde. Foi criando uma relação orgânica com o lugar e a lagoa.”

Bernardo e Osni: determinação para
conseguir o sonhado parque ecológico
Já o servidor público estadual, João Augusto Soares, morador há 05 anos, disse que há planos de ampliar o plantio de mudas de árvore em outra parte do imenso terreno público. “A ideia é fazer uma área verde, de praça. Mas, é um trabalho de formiguinha quando são só 06 pessoas que encabeçam e são poucas as pessoas que vêm ajudar na preservação da área”.

Ao lado do filho pequeno, João lembrou dos riscos ao futuro do planeta: “A preservação ambiental é o que a gente tem que cuidar daqui para frente porque, se continuar do jeito que está a degradação, a geração do meu filho não vai conhecer muita coisa”, finalizou.

Para ler a reportagem de 2013 clique AQUI.