sábado, 20 de janeiro de 2018

INSPIRAÇÃO: COMO UMA MÃE SUPEROU SUA DOR PARA AJUDAR PAIS DE CRIANÇAS ESPECIAIS

Por Célia Ribeiro

Gritos alegres de crianças correndo pela casa, com brinquedos espalhados naquela bagunça típica dos pequenos exploradores, eram o ideal de família que o jovem casal esperava construir quando foi surpreendido pela notícia da primeira gravidez, apenas três meses após o casamento. O que Cláudia Marin e Rafael Gomes Castelazi não imaginavam é que, naquele ambiente de tanto amor, estavam recebendo um guerreiro que transformaria suas vidas para sempre.

Bia, Cláudia e Mateus: hora de brincarem juntos
Aos 10 anos, Mateus Castelazi é portador da Síndrome de West, diagnosticada aos dois meses de idade. Muito rara, a síndrome é caracterizada pela epilepsia, um transtorno neurológico de longa duração que provoca convulsões e exige cuidados permanentes: da dieta cetogênica (alto grau de gordura e proteína e pobre em carboidrato), aos medicamentos caros e de difícil acesso como o Canabidiol (derivado da Canabis Sativa – maconha), à terapia multidisciplinar, Mateus concentra as atenções 24 horas no dia.

Mesmo despertando de hora em hora para ver o filho, Cláudia encontrou forças para, ao invés de se lamentar, pensar em como ajudar milhares de famílias especiais que passam por problemas semelhantes ou até piores, no caso de crianças ligadas a aparelhos respiratórios. Foi quando, em contato com um grupo de mães, que se comunicavam pelo aplicativo WhatsApp, brotou a ideia de fundar uma entidade. Assim nasceu a “Associação Anjos Guerreiros”.
Família reunida: inspiração na vida
DOR LANCINANTE

“A descoberta nunca é fácil para ninguém. A aceitação, pra mim, foi fácil. A descoberta não”, recordou Cláudia ao explicar o difícil caminho até o diagnóstico. Mateus nasceu com desconforto respiratório, permanecendo 09 dias na UTI onde contraiu uma infecção generalizada  tratada com uso maciço de antibióticos. Conforme disse, até hoje não se sabe se Mateus nasceu com a síndrome ou se a desenvolveu pelas complicações na UTI. O certo é que, aos 39 dias, ele começou a convulsionar obrigando os pais a fazerem uma verdadeira maratona em busca de diagnóstico, seguida de tratamento que incluiu duas cirurgias no cérebro.
Traje especial permite
participar das brincadeiras

Nestes 10 anos, com o apoio incondicional da família, Mateus tem recebido o melhor tratamento possível, registrando sensível evolução, embora não se comunique verbalmente e nem ande (só consegue sustentar o pescoço e o tronco). Isso, no entanto, não é motivo ficar trancado em casa. A família se programa para passeios no shopping, viagens e até a praia ele já conheceu.

O pequeno guerreiro não vai à escola, devido às convulsões, atualmente sob controle. Das 50 convulsões por dia, com o uso do Canabidiol e outros medicamentos de alto custo, fornecidos pelo Estado, as crises passaram de zero a duas por dia. Por isso, Mateus conta com auxílio pedagógico de uma professora da Rede Municipal de Ensino, uma vez por semana, na residência.

A agenda dele é concorrida. Graças ao convênio médico, Mateus é atendido em casa por profissionais de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional. Segundo Cláudia, apesar do tratamento intensivo, todos tentam levar uma vida leve na medida do possível: “Temos dias alegres? Temos, porque se a gente viver de tristeza e lamentação somente, de que vale a vida?”, pergunta.

Ela recorda o período mais difícil, da descoberta da síndrome: “Doeu bastante. Era como facadas no peito, tiros na cabeça. Foi uma fase muito conturbada”. E destaca o apoio de Rafael, agradecendo “a Deus pelo marido que me deu porque ele sempre esteve ao meu lado. Eu conheço famílias que o pai, quando descobre que a criança é especial, abandona a mãe. Muitas vezes, essas mães têm que cuidar sozinhas dos seus filhos”.
Casal se dedica a apoiar as famílias e lutar contra o preconceito

MATERNIDADE

Claudia Marin era proprietária de uma Clínica de Estética quando Mateus chegou. Ela tinha duas opções: continuar trabalhando e contratar alguém para cuidar do filho ou optar pela maternidade em período integral. Ela ficou com a vocação de ser mãe.  O trabalho é árduo: o filho se alimenta a cada 4 horas, rigorosamente, com comida pastosa em porções que não podem ultrapassar o peso indicado. A água de Mateus não é líquida e sim espessada e ele também usa fraldas, além de ter horários controlados para um sem número de medicamentos.

Mesmo com uma rotina intensa, Cláudia e o marido não se esqueceram do sonho de aumentarem a família. “Quando engravidei, meu marido falou se Deus mandar outro filho especial para nós, vamos amar e cuidar igual ao Mateus. O medo persistiu até ela nascer”, revelou, referindo-se à Beatriz, menina de lindos olhos verdes que, aos dois anos, espalha brinquedos pela sala e pula alegremente de um lado para outro, cheia de energia!
Refeições pesadas com cuidado

APOIO ÀS FAMÍLIAS

 A chegada de Bia iluminou a vida da família e, mesmo dividida entre a atenção aos dois filhos, Cláudia encontrou disposição para amadurecer a ideia de criação da ONG. Do contato via WhatsApp com cerca de 100 pessoas que participam de um grupo de familiares de pessoas com deficiência, foi marcada a primeira reunião na residência de Cláudia. Do primeiro encontro, com 15 participantes, até a formalização, o processo só cresceu.

Atualmente, a Associação Anjos Guerreiros vive uma fase de expansão, seguindo os preceitos que nortearam sua fundação: a Missão de orientar as famílias e dar voz às pessoas com deficiência; a Visão de futuro de ser referência regional em orientação sobre a pessoa com deficiência; e os Valores – amor, inclusão, empatia, respeito, transparência, imparcialidade e comprometimento.

Cláudia Marin observou que a ONG se propõe a acolher e orientar as famílias desde seus direitos para conquista de medicamentos de alto custo, até a simples cartela de estacionamento em vagas especiais, passando pelo apoio no momento da descoberta da condição das crianças recém-nascidas.
Dirigentes da ONG Anjos Guerreiros
Ela lembrou que há uma avenida a percorrer, citando as dificuldades das áreas de educação, saúde e até acessibilidade para os deficientes. Para 2018, entre as metas estão a ampliação e implementação das ações para melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência, promover o 2º Carna-Especial (carnaval em local e data a serem definidos), a capacitação de voluntários para fazer o acolhimento das famílias, parcerias com instituições públicas e privadas e participação nas audiências públicas para dar visibilidade à entidade “e sermos reconhecidos”.

ONG precisa de voluntpários

DIRETORIA

A ONG “Árvore da Cidadania” auxiliou a entidade na sua reestruturação. Atualmente, seus dirigentes estão assim distribuídos: Cláudia Marin (presidente do Conselho de Administração), Gledson Fonseca, Márcio Liberato, Sueli Fonseca e William Neves (Conselheiros), Nayara Mazini (Presidente da Associação Anjos Guerreiros) e diretores Bruna Montoro (Recursos Humanos), Denilson Evangelista (Marketing & Tecnologia), Eduardo Gianini (Qualidade), Ivanice Assis Silva (Relacionamento), Izilda Figueiredo (Processos) e Regiane Ferreira (Financeiro & Patrimônio).

A Associação Anjos Guerreiros necessita de voluntários, sede para a entidade e recursos financeiros para trazer benefícios às famílias, através de palestras, cursos e material informativo. O e-mail de contato é: aanjosguerreiros@gmail.com No Facebook, o perfil da ONG tem muitas informações e fotos: @Associacaoanjosguerreiros.

domingo, 14 de janeiro de 2018

PRODUTORES AGROECOLÓGICOS SUPERAM DESAFIOS ATÉ A MESA DO CONSUMIDOR.

Por Célia Ribeiro

O clima ameno no fim de tarde, após vários dias de chuva intermitente, foi recebido como um presente pelos agricultores presentes à Feira de Pequenos Produtores Agroecológicos de Marília, realizada na quarta-feira (10), no Espaço Cultural “Ezequiel Bambini”. Mas, a julgar pela rapidez com que a maior parte dos produtos foi vendida, saiu premiado quem chegou primeiro.
Márcia Zaros oferece licores à degustação
Com início às 17 horas, menos de uma hora depois, muitos expositores viram desaparecer os produtos nas bancas aonde cores e cheiros atraíam olhares curiosos: verduras, legumes, frutas, hortaliças, geleias, licores, queijos de leite de vaca e de cabra, conservas, doces caseiros e artesanato encantaram os visitantes.

Promovida pela Associação dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos de Marília e Região, o diferencial da feira era oferecer produtos agrícolas sem agrotóxicos. Com cerca de um ano de atividades, a entidade caminha para a formalização: ainda que não tenha obtido o certificado de produção orgânica, se norteia pelos princípios da Agroecologia. Ou seja, praticar uma agricultura ambientalmente sustentável, economicamente eficiente e socialmente justa.
Licores à base de frutas do quintal

CONSTRUÇÃO COLETIVA

Tendo no currículo vários trabalhos de arranjos produtivos, como a horta comunitária da zona oeste de Marília, Márcia Zaros cultiva ervas aromáticas, frutas e flores no quintal de casa, no Jardim Acapulco. Eles são a base de licores botânicos e geleias, sem corantes ou conservantes, que ela produz artesanalmente e comercializa pela internet.

É ela que explica o movimento desses agricultores: “A Associação iniciou pela necessidade do consumidor ter uma feira de produtos que não usam agrotóxicos, porque para falar orgânico tem que ter selo e a gente ainda não está neste processo. Não tinha feira de produtores em Marília e é uma coisa importante, que várias cidades têm, que a secretaria local e a secretaria de Estado da Agricultura abraçam. E Marília nunca teve, muito menos nesta linha ecológica que não usa agrotóxicos”, contou.

Conforme disse, os cerca de 15 produtores de Marília, Oriente, Vera Cruz e Pompeia, das zonas urbana e rural, começaram a trocar informações e amadurecer a ideia de somarem esforços em uma entidade capaz de representa-los. A Associação promoveu várias reuniões para discussão sobre o estatuto e outros temas necessários à formalização e, diante do sucesso da feira desta semana, ganharam fôlego para seguirem adiante.
Uva sem agrotóxico para geleias

“Os pequenos produtores têm que se virar para continuarem produzindo. Eles não conseguem entrar no mercado porque eles são pequenos. Para o pequeno produtor, a venda direta é de extrema importância, no caso a feira. Hoje, os pequenos produtores, não importa se usam ou não veneno, dependem da venda direta”, observou Márcia Zaros ao defender a importância de se criar mecanismos para viabilizar a realização de feiras voltadas a este segmento.

Durante o evento de quarta-feira, Márcia Zaros afirmou, enquanto atendia algumas clientes interessadas em degustar os licores, que se surpreendeu com o movimento: “Não imaginava que fosse aparecer tanta gente de uma vez. Não tem nem uma hora que começamos e já vendemos quase tudo”. A feira estava prevista para se encerrar às 21 horas.

Márcia Zaros disse que “a Associação é uma construção coletiva. Surgiu a partir da necessidade da gente se juntar e formar forças para ver o que a gente consegue fazer junto, já que não há políticas agrícolas locais que nos ajudem e nos incentivem”. Para ela, a entidade “deveria receber apoio das secretarias da Agricultura, do Meio-Ambiente e da Cultura porque nossa feira é considerada sociocultural pois também temos a parte do artesanato”.
Doces caseiros, geleias e queijos de leite de cabra foram muito disputados
Por sua vez, o secretário municipal da Agricultura, Odracyr de Oliveira Capponi, em nota de sua assessoria, afirmou que “a Secretaria se colocou e está à disposição da Associação de Pequenos Produtores Rurais e Urbanos de Marília”, informando que a pasta “tem mais de dez projetos para a agricultura familiar em Marília”.

BANHO DE CACHOEIRA

Com o astral nas alturas, José Antônio Nigro, produtor de hortifrúti há 10 anos em uma propriedade no Distrito de Padre Nóbrega, não demora a revelar o segredo do bom humor contagiante: longos banhos de cachoeira para se energizar ajudam a recuperar o fôlego para o trabalho na terra.
À frente de uma das bancas mais concorridas, ele atendia os clientes com sorriso estampado no rosto, oferecendo geleias e conservas para degustação enquanto mostrava a diversidade de ervas aromáticas e frutas exóticas  que cultiva graças à troca de sementes e mudas com produtores de outros países.
Nigro atendeu as clientes explicando o processo produtivo
“Você conhece a Achachairú?” pergunta, oferecendo uma frutinha amarela, parecida com acerola, natural da Bolívia, com alto poder antioxidante e rica em vitamina C. Assim, deixando os clientes à vontade, ele conseguiu vender rapidamente sua produção para tristeza de visitantes como a cozinheira Jucélia Borghi.

Pouco antes das 18h ela lamentava não ter chegado no início. “Espero que tenha outras feiras porque quero chegar bem cedo, logo que abrir”, disse, enquanto escolhia algumas ervas para suas receitas. Ela elogiou a organização da feira e disse que gostaria de ver mais iniciativas como essa, de venda direta, do produtor ao consumidor, de produtos livres de agrotóxicos.
Nigro e as hortaliças que cultiva
na propriedade de Padre Nóbrega

Se depender da disposição de produtores como Nigro, esse é apenas o início de uma bela história: “Levanto cedo, por volta das 6h e já vou lidar com a horta”, contou, explicando que não tem dificuldade para escoar seus produtos seja por encomenda de restaurantes ou através de pedidos nas redes sociais.

“Nunca usei veneno. É tão fácil produzir e ficam se envenenando e pagando mais caro. Isso que é pior”, finalizou celebrando seu estilo de vida saudável que inclui o trabalho na terra, a produção de geleias e conservas e, claro, os banhos na cachoeira que ele faz questão de cuidar: “Eu também me sinto um guardião da cachoeira”, concluiu antes de se despedir e atender às clientes que continuavam chegando...

domingo, 7 de janeiro de 2018

ARVORE DA CIDADANIA: ONG CULTIVA VOLUNTARIADO EM 20 PROJETOS SOCIAIS

Por Célia Ribeiro

Suas raízes rasgaram a terra desviando de rochas e obstáculos para formarem uma base resistente capaz de sustentar a copa e os numerosos galhos. Os frutos, por sua vez, geraram sementes que em contato com a mãe terra brotaram reiniciando o ciclo da vida. Esta é a “Árvore da Cidadania”, uma ONG (Organização Não Governamental) responsável por 20 projetos sociais desenvolvidos por 160 voluntários nos municípios de Pompéia (sede da instituição) e Marília.
Projeto Octo: polvinhos de lã doados aos bebês prematuros em UTI neonatal
Para conhecer o genoma desta árvore, é preciso voltar 10 anos no tempo. Ela brotou no terreno fértil da Jacto, um dos maiores grupos empresarias do País. Em dezembro de 2008, foi realizada uma campanha para convidar os colaboradores da fábrica de máquinas agrícolas a participarem de um programa de voluntariado.

Entre os colaboradores estava o engenheiro Márcio Liberato que abraçou a ideia, junto com um grupo de profissionais, e que atualmente dedicam seu tempo à ONG instalada na sede do Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura. Entre tantos diferenciais da instituição, chama a atenção o fato de não haver uma hierarquia engessada. Não há diretoria, apenas líderes dos projetos, e Márcio faz questão de se colocar como “voluntário, apenas voluntário”.
Comemoração do Dia Internacional do Voluntariado em dezembro de 2017
CONEXÃO

Segundo Márcio Liberato, “a Árvore da Cidadania está organizada em áreas sociais: saúde, educação, assistência social, tecnologia, artes, cidadania e geração de renda, onde cada área tem seus projetos, cada um com seu líder e seus voluntários. "A gente acompanha para ver as necessidades, para dar a condição de sustentabilidade e seguir em frente”, assinalou.

Conforme disse, “na educação, estamos reformando uma escola, temos cursinho pré-vestibular para jovens carentes; temos aula de alfabetização para adultos etc. É bem eclético e de acordo com a disponibilidade dos voluntários. A gente não cria demandas, apenas apoia”.
Projeto "Um Jacto de Amor" doou quase 2 mil litros de leite materno
No site www.arvoredacidadania.org.br e nas redes sociais estão informações detalhadas sobre as atividades da ONG. O engenheiro explicou que “a Árvore da Cidadania tem como missão incentivar e apoiar o voluntariado de forma organizada e responsável. A gente entende que para chegar na ponta e alcançar o maior número de pessoas possível a gente tem que estar nos canais que essas pessoas acessam”.

Por isso, foi natural o caminho até encontrar um voluntário para desenvolver um aplicativo para celular em que os interessados acessam os projetos e informam-se sobre cada um com suas características podendo manifestar interesse em contribuir com um ou mais trabalhos. O aplicativo para Android está em funcionamento e, nos próximos dias, estará disponível para o Sistema iOS (iPhone) também.
Antonio Bezerra, Madalena Abdo (Amigos do COM) e Márcio Liberato
PROJETOS

“Somos semente de uma árvore que cresce a cada dia e que possamos semear mais, fazendo nosso mundo cada vez melhor”. Com essa apresentação a ONG deixa claro seu objetivo: fomentar o voluntariado de maneira sustentável. E um dos projetos mais longevos, nascido em 2008, contribuiu para salvar milhares de vidas de bebês prematuros: através da coleta de leite humano enviado ao Banco de Leite de Marília, já foram captados quase 2 mil litros, desde 2008. É o projeto “Um Jacto de Amor”.

Há outros projetos voltados à saúde, como “Um Parto de Amor” que desde 2017 atua na melhoria da qualidade do parto e nascimento dos bebês; o “Projeto Cuidar”(2017) voltado à assistência psicossocial aos profissionais que trabalham em regime de estresse; a “Oficina Atelier de Bordado” (2009) que ensina artes manuais para que se perpetuem algumas técnicas em vias de desaparecimento; “Projeto Aconchego” (2008) de confecção de mantas de crochê para doações no período do inverno; a “Oficina de Crochê” (2016) que ensina crochê para crianças matriculadas no Colégio das Irmãs (Pompeia); o “Projeto Octo” (2017) confecção de polvos de crochê para bebês prematuros em UTIs neonatais; “Nossa Biblioteca” (2008) com a disponibilização de livros doados na Biblioteca do Clube da Jacto; a “Oficina de Leitura” (2009) que tem atividades de leitura e contação de estórias para crianças no Colégio das Irmãs; “Projeto Árvore do Saber” (2017) que é um cursinho preparatório para o vestibular para jovens carentes; o “Projeto Caminho Suave” (2017) de alfabetização de adultos; “Família 17” que atua na reforma de salas de aula da Escola Estadual 17 de Setembro com a participação de alunos, pais e professores; “Campanha do lacre” (2010) que coleta lacres de alumínio de latinhas para reciclagem e aquisição de cadeiras de roda; “Projeto Visão 2038” (2017) é focado no  planejamento estratégico para o município de Pompéia no ano 2038; “Projeto Amor Exigente” (2015) que dá apoio e suporte em condições familiares a dependentes químicos; “Projeto Tartania” (2017) com desenvolvimento de atividades lúdicas para educação e combate ao abuso infantil; “Equoterapia Cavalgar Esperança” (2011) através de atividades de equoterapia aos participantes da APAE de Pompeia e “Viva mais” (2017) que é a campanha municipal de proteção e apoio a crianças e adolescentes.
Oficina de leitura: obras à disposição das crianças
MOTIVAÇÃO

“O Programa de Voluntariado Árvore da Cidadania nasceu em 2008 dentro da Jacto, mas, em função da significância que ele tem para a comunidade, hoje atua dentro do Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura, com a participação aberta a toda comunidade”, explicou Márcio Liberato.

Ele informou que dos 160 voluntários, 20 são de Marília: “Temos trabalhado com a Associação Anjos Guerreiros, instituída em 2016, em Marília. Fizemos um trabalho de reestruturação em conjunto com a AAG, focado no planejamento estratégico da instituição, buscando melhorar a organização para encarar a sua missão, que é orientar as famílias e dar voz às pessoas com deficiência”. A Associação Anjos Guerreiros está recebendo novos voluntários. Contatos através do telefone (14) 99613-4411, em Marília.
Projeto Aconchego: trabalhos manuais executados por voluntários
De férias do trabalho, ele concedeu a entrevista brincando que “voluntário não tira férias. Quem disse que o coração para de bater enquanto a gente dorme?” Ele falou também com entusiasmo dos resultados alcançados pelos projetos. Um dos mais emocionantes é o “Projeto Octo”: a partir de lãs doadas pela comunidade, voluntárias confeccionam polvinhos de crochê que são entregues aos bebês prematuros na UTI Neonatal do Hospital Materno Infantil de Marília.

“Eles se recuperam mais rápido. Em função da criticidade que estão passando, com o polvinho lá dentro se sentem mais confortáveis, acolhidos, ganham peso mais rápido e saem antes do tempo previsto”, observou o voluntário, acrescentando que o bebê leva o polvinho para casa após a alta. “Estas mesmas voluntárias participam do Projeto Aconchego: confeccionam mantas de lã na época do inverno ou roupinhas de bebês, casaquinhos, sapatinhos e toquinhas para doar às famílias mais carentes”, assinalou.


Com tantas histórias que renderiam um livro, a “Árvore da Cidadania” frutificou no Natal de 2017 com o “Projeto Amor de Irmão”. Vinte e cinco voluntários visitaram a Casa de Passagem na Rua Sargento Ananias, em Marília, em busca das pessoas em situação de rua quando entregaram 60 panetones, adquiridos da campanha “Panetone Solidário” do Tauste, e 70 Bíblias. Ele se emocionou ao relatar a reação das pessoas naquela noite: teve o rapaz que pediu o violão do grupo emprestado e tocou lindamente, teve o encontro de uma família (casal e filha de dois anos) que vivia na rua e recebeu uma ajuda especial.

O grupo procurou a família no dia seguinte, conseguiu emprego na construção civil para o pai e dinheiro para manter os três em um hotel modesto até que ele tivesse renda para se reerguer. Essa, na opinião dos voluntários da ONG, foi a demonstração do verdadeiro espírito de Natal.

DESAFIOS

Com tantos planos, a “Árvore da Cidadania” espera semear a solidariedade onde for possível. A meta é conquistar mais 200 voluntários em 2018, embora Márcio Liberato sonhe mais alto. Para ele, o melhor dos mundos seria ter um voluntário em cada família, atuando em prol da comunidade.

Ele destaca a importância do engajamento de todos: “A gente acredita muito nisso, que a transformação da comunidade só se consegue com engajamento de pessoas, do poder público, da iniciativa privada e do terceiro setor. Ninguém cresce sozinho. Esse é um dos valores que a gente tem no Grupo Jacto”.

Para saber mais sobre a “Arvore da Cidadania”, acesse: www.arvoredacidadania.org.br, baixe o aplicativo no celular ou acompanhe os projetos no Facebook. A ONG está sediada no Instituto de Desenvolvimento Familiar Chieko Nishimura, à Avenida Floriano Peixoto, 333 em Pompéia. Telefone para contato, informações e adesão aos projetos : (14) 98200-4080.

*Reportagem publicada na edição de 07.01.2018 do Jornal da Manhã

Fotos: Arquivo Árvore da Cidadania

domingo, 31 de dezembro de 2017

COM APOIO DA COMUNIDADE, CACAM RESGATA A INFÂNCIA DE CRIANÇAS EM MARILIA.

Por Célia Ribeiro

O relógio marcava 11 horas quando um cheirinho de comida caseira, sentido desde a vizinhança, aguçava o apetite dos operários concentrados na obra ao lado da cozinha. Nas panelas estavam as refeições que seriam servidas pelo CACAM (Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Marília) aos menores abrigados, na zona norte da cidade.
Brinquedoteca da entidade
Comum, esta cena foi registrada na semana que antecedeu o Natal. Muitas crianças já haviam sido encaminhadas para as famílias de apoio, um bem-sucedido programa da entidade que permite a integração dos menores com famílias previamente cadastradas, nos finais de semana e em datas especiais.

No entanto, o trabalho de construção e reforma do CACAM seguia a todo vapor com os operários empenhados na conclusão das melhorias desta que é uma das instituições modelo responsáveis pelo acolhimento de crianças e adolescentes, de zero a 17 anos, em situação de risco encaminhadas pela Justiça.
Da cozinha, que será reformada em 2018, saem todas as refeições
ACOLHIMENTO

Segundo explicou a assistente social Lorine Vila Real de Souza Ribeiro, para participar do programa os casais não podem fazer parte da lista de adoções do Fórum, precisam residir em Marília, serem casados ou manterem união estável, e estarem cadastrados há um ano, no mínimo. Neste período, os interessados participam das atividades no CACAM, conhecem as crianças que, posteriormente, se sentirão à vontade nas saídas dos finais de semana.
Crianças brincam na festa de fim de ano
Ela falou com entusiasmo sobre a importância dessa parceria: “As crianças amam e as famílias somam conosco. Quando chegam no serviço de acolhimento, as crianças não têm noção de nada, nem como se portar numa mesa, como usar o banheiro, como tomar banho, nada. Então, nós ensinamos coisas básicas”.

Além disso, prosseguiu, “inserimos na escola porque a rotina de ir à escola eles não têm nas casas dos pais de origem. A gente coloca regras, normas, ensina educação básica de comportamento e a família de apoio vem para fortalecer todo esse ensinamento. A família de apoio orienta como se fosse um filho”, disse sem disfarçar a emoção.
Em imagem de arquivo, Hederaldo Benetti, no berçário da entidade
A assistente social informou que, normalmente, as crianças e jovens saem às sextas-feiras, após a aula, e voltam ao CACAM no domingo no final da tarde. Nas festas de fim de ano, a saída ocorre no dia 23 de dezembro e o retorno no dia dois de janeiro sendo que, no caso de irmãos, há o cuidado de coloca-los com a mesma família de apoio.
Lorine, assistente social do CACAM


Lorine Ribeiro assinalou que “a época de Natal é importante para eles. No serviço de acolhimento atendemos todas as áreas de saúde, educação, mas o calor da família é diferente. No Natal eles precisam muito dessas famílias para se sentirem felizes, é um momento acolhedor que eles precisam. As crianças são muito carentes de atenção e a família de apoio pode dar uma atenção exclusiva”.

CANTEIRO DE OBRAS

O presidente do CACAM, Hederaldo Benetti, do Rotary Clube Marília de Dirceu, explicou que a entidade se mantém com o suporte do clube de serviços, doações de empresas e a solidariedade da comunidade que contribui com os eventos de geração de renda, incluindo o bazar permanente que movimenta entre 500 e 600 reais por semana.
Lojinha tem ar condicionado e provadores: geração de renda
Graças ao trabalho de fôlego desenvolvido pela direção da instituição, o CACAM tem as portas abertas sempre que necessita. O Tauste Ação Social, por exemplo, contribuiu com grande parte dos recursos das reformas e ampliações que tiveram, ainda, a colaboração da Sasazaki ao fornecer portas e janelas.

Quem visita a entidade em um dia e volta alguns meses depois sempre encontra alguma coisa diferente. E para melhor! Os investimentos são programados dentro de um planejamento que tem por objetivo oferecer um local seguro, confortável e acolhedor às crianças e adolescentes que chegam com muitas histórias tristes na bagagem de mão.

Recentemente, o prédio passou por uma grande reforma. Além da readequação das instalações elétricas e inclusão dos itens de segurança exigidos pelo Corpo de Bombeiros, como sinalizadores e lâmpadas de emergência, os dois grandes quartos transformaram-se em seis dormitórios menores para acomodarem, no máximo, 04 crianças cada um.
Presidente em quarto com ar condicionado


Considerado um luxo para alguns e uma necessidade para muitos, os aparelhos de ar condicionado, instalados em todos os dormitórios, foram recebidos com alívio nas noites quentes. A climatização também chegou ao bazar permanente: uma verdadeira loja, com provadores e araras, onde se encontra desde roupas, calçados, acessórios, eletrodomésticos, móveis etc, novos e seminovos em bom estado, com preços variando de um a cinco reais.

O bazar permanente funciona das 8 às 18 horas, é equipado com câmeras de segurança, a exemplo de todas as instalações do CACAM e representa uma ajuda e tanto para custear as despesas. A comunidade participa com doações e também adquirindo produtos na loja. E quem quiser colaborar pode entrar em contato pelo telefone (14) 34331645 ou ir à Rua Vidal Negreiros, 367, Bairro Palmital.

Com visível entusiasmo, o presidente Hederaldo Benetti, mostrou a reforma dos dormitórios climatizados onde foram adquiridos móveis (guarda-roupa, camas, colchões, cômodas) e roupas de cama novos e falou dos planos para 2018: a reforma geral da cozinha.
No dia 18 de dezembro aconteceu a confraternização com a comunidade
Apenas com móveis e eletrodomésticos, a nova cozinha exigirá 40 mil reais de investimento, fora os materiais de construção e de acabamento. Mas, como tudo que diz respeito ao CACAM atrai ajuda, no balanço do próximo ano, a tradicional festa de confraternização que reúne a comunidade, incluindo as famílias de apoio, terá mais um bom motivo para celebrar.

*Reportagem publicada na edição de 03.01.2018 do Jornal da Manhã.

Em agosto de 2010, este blog publicou uma reportagem sobre o CACAM que pode ser acessada AQUI!


domingo, 24 de dezembro de 2017

EM TERRENO FÉRTIL, PROJETO SEMEIA O FUTURO DE CRIANÇAS E JOVENS NA ZONA OESTE.

Por Célia Ribeiro

No fim de uma rua de terra batida, o terreno fértil responde brotando as sementes transformadoras que lhe são lançadas. Onde parece que a cidade termina é o princípio de tudo: uma construção simples abriga os sonhos de centenas de crianças e adolescentes, dos Jardins Cavalari e Higienópolis, assistidos pela ONG Projeto Semear Marília.
As crianças são acompanhadas no contra turno da escola
Como diz a canção “Prelúdio”, imortalizada por Raul Seixas, “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas, sonho que se sonha junto é realidade!” Essa teoria foi provada pelo encontro de uma ONG com o trabalho de uma mulher simples, que reunia na modesta residência, além de seus filhos, sobrinhos e vizinhos para contação de história, seguida de café da manhã, todo domingo.

Mãe de três filhos, Sandra Mara Luiz Ribeiro, 38 anos, sonhava com um futuro diferente para as crianças da vizinhança no Jardim Cavalari, Zona Oeste de Marília. “Meu pai foi o primeiro morador da favela ali de baixo”, contou com olhar sereno lembrando a infância. Em seguida, como uma boa contadora de história, mergulhou no tempo para relatar como tudo começou.
Adriano, Valéria, Sandra e Breno
Em 2014, Sandra trabalhava no setor de conservação e limpeza do Hospital Universitário. Certo dia, deixando a timidez de lado, abordou Claudino Brunharoto Junior, funcionário da instituição, em busca de doação de livros para as atividades que mantinha aos domingos, desde 2011. Como um dos 12 fundadores da ONG, de pronto ele se interessou pela história daquela figura de sorriso fácil e quis conhecer a iniciativa.

Dos primeiros grupos de crianças e adolescentes, o boca-a-boca se encarregou de espalhar a boa nova como o vento espalha o pólen das plantas. Em pouco tempo, já eram quase 20 crianças cada domingo. Para preparar o café da manhã, Sandra contava com doações de amigos para o leite, uma irmã fazia bolos e assim, a cada semana, a contação de histórias atraía um público fiel.
Aula de Jiu-Jitsu
Esse foi o cenário encontrado pela direção da ONG que, desde 2010, atuava em campanhas para arrecadação e distribuição de material escolar e apoio a outras entidades para reformas de bibliotecas, espaços de estudos etc. Com mais de 150 voluntários, formando um grupo heterogêneo (de juiz do Trabalho, advogados, engenheiros, médicas, empresários a estudantes e donas de casa), a instituição abraçou a causa.

SEMEADURA

Segundo a pedagoga Valéria de Oliveira Munhoz Evangelista, “trabalhou-se durante muito tempo só aos domingos. Mas, na busca de reconhecimento e certificado inserimos as atividades da semana no contra turno da atividade escolar, porque o objetivo é a criança ir para escola em um período e ter atividade em outro”.
As atividades são comandadas por profissionais voluntários

Dessa forma, há dois anos, crianças a partir dos cinco anos e adolescentes até 17 anos têm acesso a uma programação diversificada durante a semana: Jiu-jitsu (arte marcial japonesa), balé, sapateado, dança, pintura em tecido, inglês, oficina de jogos para crianças com déficit de aprendizagem etc.

E como os brotos que se espalham em terra bem cuidada, a ONG atraiu importantes parcerias: a EMEFEI Chico Xavier avalia as crianças e adolescentes encaminhando-os para o projeto que dispõe de psicopedagogas voluntárias prontas a auxiliarem os estudantes em dificuldade. Além disso, a ONG “Psicologia e Integração Social” oferece atendimento psicológico individual a crianças e mães, durante sessões realizadas aos domingos em sala privativa construída no fundo do terreno da casa de Sandra.
Apresentação musical no evento de fim de ano
Muito organizada, a ONG Projeto Semear trabalha com escala de voluntários para a realização das atividades, explicou Valéria Munhoz: “Temos um grupo forte de psicopedagogas voluntárias do Semear que ajudam neste atendimento individual às crianças que têm dificuldade de aprendizagem. Temos psicopedagogas de manhã e à tarde, durante a semana”.

Aos domingos, mantendo a tradição, os voluntários são distribuídos em escalas com 20 pessoas para apoiarem as atividades desenvolvidas por temas. Por exemplo, o Natal, cuja culminância aconteceu no dia 17, foi o tema central que norteou os trabalhos desde novembro.

CULTIVE UM CAMPEÃO

“Através do Jiu-jitsu, do esporte, conseguimos patrocínio com empresas que pagam para o adolescente uma pequena bolsa de 250 reais por mês e uma cesta básica para a família”, acrescentou Valéria Munhoz. Para participar, o estudante não pode ter faltas e nem notas ruins na escola. Atualmente seis atletas são contemplados.

Um dos fundadores da ONG e atual coordenador geral, o juiz do Trabalho Breno Ortiz Tavares Costa afirmou que “o programa é para o adolescente que frequenta com seriedade, que treina sério, que aceita essa proposta”. O apoio vai além. Os jovens têm suporte para leitura de textos, de livros e elaboração de redações que são corrigidas pelos voluntários em preparação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).
Pais e familiares se uniram aos voluintários na festa de 17 de dezembro

Ele prosseguiu assinalando que “a ideia é incentivar o adolescente a terminar o colegial e se preparar para o curso técnico ou vestibular. A ideia é pegar a criança até adolescência indo para o vestibular e o mercado de trabalho”.

SONHANDO ALTO 

A auxiliar de limpeza Kelly Borges, 42 anos, participou da festa de Natal de domingo passado com o  filho de 16 anos e uma neta de 8 anos. Para ela, a ONG “é excelente porque ocupa a cabeça das crianças. A gente percebe a melhoria, uma mudança grande neles. Meu filho, que gosta de balé, ganhou uma bolsa de estudo para uma escola da cidade a partir de 2018”.

Tales com a mãe Kelly
Ao lado, Tales Vinicius, estudante do primeiro ano do ensino médio, falou com empolgação sobre a novidade: “Esse projeto foi onde me encontrei porque aprendo um pouco de tudo”. Com a possibilidade de fazer aulas de balé com a professora Amanda Lima ele sonha realizar o sonho de se tornar um bailarino profissional.

NOVA SEDE: FINCANDO RAÍZES 

Apesar das ampliações na estrutura física, a casa da Sandra ficou pequena para as mais de 100 crianças e adolescentes assistidos. Por isso, a proposta do NEAP (Núcleo Espírita Amor e Paz) de doar um terreno, localizado nas imediações, e os recursos iniciais para construção da sede própria chegaram como uma benção. Quando estiver concluído, em meados de 2018, o prédio funcionará com o projeto da ONG Semear durante o dia e à noite receberá as atividades do NEAP.
Obras da sede própria na fase de fundação
A sustentabilidade econômica da ONG é garantida com doações da comunidade e de empresas. No site: www.apoiesemear.com.br estão as diversas formas de contribuir com a causa. E no portal da ONG, www.projetosemearmarilia.org.br, é possível conhecer a abrangência do projeto e ter acesso às prestações de contas desde 2012 em uma invejável demonstração de transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos.

E por falar em recursos, este ano o Papai Noel chegou mais cedo com a campanha do Panetone Solidário do Tauste. A meta é chegar a 30 mil unidades, até 31 de dezembro, com renda totalmente revertida para a construção da nova sede do Semear. Neste Natal, ao levar para casa ou presentear família e amigos com panetones, todos podem colocar mais um tijolinho nesta obra.

* Reportagem publicada na edição de 24.12.2017 do Jornal da Manhã

Obs. Fotos de atividades são do site da ONG (http://www.projetosemearmarilia.org.br/)
e Fotos da comemoração do Natal são de Célia Ribeiro


domingo, 17 de dezembro de 2017

COMO A SENSIBILIDADE ALIMENTAR LEVOU UMA JORNALISTA A CRIAR RECEITAS SAUDÁVEIS.

Por Célia Ribeiro

Os balões coloridos e as réplicas dos personagens recepcionam os pequenos convidados. Na mesa principal, ao lado do bolo temático, docinhos em embalagens multicoloridas atraem os olhinhos curiosos. Para a maioria das crianças, a hora das guloseimas é aguardada como um presente; mas, para algumas delas, os brigadeiros continuarão fora de alcance por serem portadores de algum tipo de sensibilidade alimentar.
Brownies são o carro chefe da confeitaria Mombrum
A situação descrita acima é mais comum do que se imagina. Estudos apontam que, de cada 100 crianças, 8 apresentam sensibilidade a algum alimento. Evidentemente, as crianças (e seus pais) são os que mais sofrem, o que abriu uma avenida de oportunidades para quem apresenta alternativas inclusivas neste universo.

Em Marília, a jornalista Mariana Roncari, 32 anos, se encontrou na confeitaria artesanal ao fundar a Mombrum, em abril deste ano. Apaixonada por doces, principalmente à base de chocolate, ela possui sensibilidade a nada menos que 38 alimentos e, como os pequenos das festinhas infantis, tinha que passar bem longe dos bolos, brigadeiros e beijinhos de côco.
Fabrício e Mariana no Bazar da Vila das Artes
Sem ser uma expert na cozinha, Mariana correu atrás do prejuízo. Frequentou cursos de confeitaria, fez experimentos e adaptações, chegando a receitas que fazem muito sucesso não só entre quem tem alergia ou sensibilidade alimentar como, também, entre o crescente público vegano que não come nada de origem animal.

UMA BOA CAUSA

A ideia era iniciar a Mombrum mais adiante, não fosse uma gatinha doente cruzar seu caminho. Mariana conta que recolheu o animal muito debilitado, na rua, encaminhando-o ao hospital veterinário. Apesar das tentativas, Lili não resistiu, morrendo quatro dias depois deixando, além de saudade, uma conta de 800 reais com o tratamento. Muito triste, a jornalista teve a ideia de produzir brownies para vender entre amigos e levantar os recursos necessários.
Tiramissú: delícia da confeitaria italiana 
Sobremesa de chocolate típica da culinária dos Estados Unidos, o brownie conquista pela combinação de sabores. Mas, sensível ao leite e derivados, farinha de trigo etc, a jornalista criou uma versão que leva ovos caipiras, manteiga de búfala, chocolate, cacau e açúcar cristal. “A ideia era vender 80 brownies a 80 amigos, por 10 reais. Em uma semana consegui vender tudo e pagar a conta do veterinário. Mas, os pedidos continuaram chegando”, revela.

A boa aceitação do doce americano alavancou a confeitaria artesanal da jornalista que pesquisou outros ingredientes e, atualmente, oferece também a opção com chocolate belga, ovos caipiras, óleo de côco, cacau e xilitol (adoçante natural à base de fibras vegetais). Do brownie para o brigadeiro, foi um pulo.

Mariana Roncari criou opções que têm como ingredientes leite condensado de amêndoas preparado por ela, cacau, chocolate em altas concentrações, açúcar de côco ou demerara, manteiga de búfala ou óleo de côco, dependendo da sensibilidade alimentar. Há ainda as trufinhas de tâmaras com macadâmia, amendoim e castanhas. Ou seja, brigadeiros e beijinhos garantidos para quem tem intolerância, é vegano ou procura opções menos calóricas.
Brigadeiro leva leite condensado de leite de amêndoa: sucesso nas festas infantis
E, suprassumo do bom gosto, Mariana se aventurou por outras paragens e já produz, sempre sob encomenda, Tiramissú (delícia italiana) e até cheese cake sem queijo, usando pasta de castanha de caju.

HOMENAGEM AO AVÔ

Neta do conceituado professor Dr. Idevar Mombrum, titular da Faculdade de Medicina da UNESP de Botucatu, que trabalhou na implantação do curso de Medicina da Unimar, Mariana Roncari decidiu homenageá-lo. “É um nome que já tinha ligação com a cidade. Muitos tinham o nome do meu avô na memória e foi ele que me trouxe para Marília onde vim estudar jornalismo”. Ela lamenta o Dr. Mombrum ter falecido seis meses antes de se formar. A homenagem na confeitaria, dessa forma, tem um sabor ainda mais doce.

A jornalista conta que percorreu um longo caminho até diagnosticar seu problema. Sempre doente, faltando ao trabalho, tratou de gastrite erosiva, enxaqueca crônica “e nenhum médico conseguia resolver”. Chegou a fazer testes para alergia até a pelos de gatos, sua paixão. Nada. Foi somente quando a nutricionista Priscila Franco solicitou exames relacionados a 220 alimentos que ela foi confrontada com a dura realidade.
Brownies têm duas opções, incluindo a versão com chocolate belga

Mariana Roncari é sensível a nada menos que 38 alimentos, incluindo milho, soja, feijão, trigo, leite de vaca, castanha de caju, linhaça e até ao açúcar da cana-de-açúcar. No auge da crise, chegou a pesar 48 quilos e foi com muita persistência que encontrou o caminho para se manter saudável.

“Aprendi o que era comer, o respeito pelo corpo. Hoje, consigo entender o meu corpo, ouvir o que ele me fala e respeitar isso, quais alimentos são legais”, assinala, acrescentando que tenta preservar seu corpo “porque já fiquei muito doente e agora não pego nem gripe, nunca mais tive amidalite”.

CRIANÇAS

Conciliando o trabalho na Revista D’Marilia, Mariana Roncari tem a ajuda do namorado, Fabrício Resende, na Mombrum. A dupla participa de feiras veganas e eventos como o recente Bazar Quintal da Vila, na Vila das Artes, além de atender encomendas.

A jornalista relata, com visível emoção, a alegria que sentiu ao produzir uma versão de brigadeiros para a festa de aniversário de uma garotinha de um ano que nunca ingeriu açúcar. Para ela, poder oferecer produtos feitos com critério e que atendam às necessidades, seja uma leve sensibilidade até uma alergia alimentar mais severa, é inspirador.
Docinhos que lembram beijinhos e brigadeiros são vendidos em centos
Conforme disse, “há outras pessoas trabalhando neste segmento. Eu trabalho com receitas personalizadas. Por exemplo, se não pode leite de vaca substituo por manteiga de búfala, leite condensado de leite de amêndoa; se é diabético posso usar stevia ou xilitol. O importante é oferecer um produto gostoso e saudável sem abrir mão do prazer de um bom doce”.

Para saber mais sobre a confeitaria artesanal Mombrum, acesse o perfil nas redes sociais: FACEBOOK @mombrumconfeitaria ou WhatsApp: 14 98825-0355

* Reportagem publicada na edição impressa de 17.12.2017 no Jornal da Manhã

sábado, 9 de dezembro de 2017

ORIGINAIS E ACESSÍVEIS, OS PRODUTOS ARTESANAIS SÃO DISPUTADOS NO FIM DO ANO.

Por Célia Ribeiro

Um fio de linha e um retalho de tecido aqui, uma essência borrifada ali e pérolas selecionadas com cuidado: nas mãos habilidosas de três artesãs vão surgindo criações delicadas e únicas. São produtos artesanais, criativos e acessíveis a todos os bolsos, que fazem a alegria de quem costuma presentear amigos e familiares nas festas de fim de ano.
Saboaria artesanal: sabonete empérolas
Marília é uma cidade privilegiada quando o assunto é talento. Há muita gente fazendo trabalhos em grupos de voluntários para ajudar uma causa ou entidade, criando sozinha para relaxar a mente e o corpo, ou que descobriu uma nova fonte de renda aliando o prazer de produzir encomendas ao novo negócio.

A seguir, três artesãs contam um pouco sobre seu trabalho.

JÉSSICA GOMES: SABOARIA ARTESANAL

Formada em Recursos Humanos, a jovem Jéssica Gomes sempre se encantou com o belo. Por 07 anos trabalhou com a venda de acessórios e tinha uma clientela cativa. Mas, estava faltando alguma coisa: “Eu gostava muito do que eu fazia, mas chegou um momento que senti a necessidade de mudar e fazer algo que, além de ser o meu trabalho, me relaxasse muito”, contou.
Parece doce: mas é sabonete cremoso de colher

Com o apoio da mãe, a servidora pública Regina Moura, ela encarou o desafio capacitando-se nos cursos de saboaria artesanal. O resultado apareceu tão logo abriu o “Ateliê A Lua Me Disse”. Os sabonetes cremosos em potes, acompanhados de colher, lembram os doces que fazem sucesso nas festas infantis. Acondicionados em vidros adornados por fibras naturais, tecidinhos e frutas desidratadas, os sabonetes de colher enfeitam e perfumam podendo ser usados no lavabo ou no banho.
Jéssica e a mãe Regina
A lista do Ateliê é variada: sabonetes líquidos, em creme e em barra, água de lençois, aromatizadores, mini sabonetes em formato de pérolas acondicionados em elegantes frascos de vidro, Kits em caixas decoradas, hidratantes, sais de banho, pós-barba, sachês etc. Aproveitando o Natal, a novidade fica por conta de sabonetes com formato de Papai Noel e da Sagrada Família, além de caixas e sacolinhas decoradas para embalar presentes.

Jéssica afirmou que “as pessoas gostam muito de procurar os presentes. Todo mundo gosta de ganhar um mimo para a pele, para perfumar a casa ou seu ambiente de trabalho”. Ela explicou que produz diariamente, “por ser um trabalho delicado e que exige um tempo; por exemplo, o sabonete em barra tem um tempo de derretimento da matéria prima, um tempo para esfriar e poder misturar o restante da matéria prima e um tempo de secagem.”
Os kits são muito pedidos no fim do ano
Sobre o interesse pelo seu trabalho, Jessica disse que “o artesanato sempre esteve em alta. As pessoas acham lindo por ser algo que não se encontra, na maioria das vezes, no comércio tradicional. E, como podemos criar de acordo com as necessidades e desejos de cada um, creio que é um ponto que atraia o interesse das pessoas”.
Os sabonetes recebem decoração especial
Ela concluiu destacando o prazer que encontrou no novo trabalho: “Adoro fazer artesanato, adoro arte em geral e creio que, quando fazemos o que realmente gostamos, não tem como dar errado. Acho que a energia positiva que desprendemos em tudo o que fazemos com amor atrai o que há de mais positivo sempre”.
Papai Noel em sabonete: sucesso no Natal
A artesã exibe suas criações na fanpage https://www.facebook.com/ALUAMD/ onde podem ser feitas encomendas. Os produtos têm etiqueta com prazo de validade.

ANGELA BOTTINO: SANTAS & SANTOS

Eles fazem sucesso o ano inteiro. Mas, em datas religiosas as encomendas chegam a todo instante: são os santos e santas customizados pela artesã Angela Bottino. Com rara delicadeza, ela produz os trabalhos de acordo com os pedidos, o que torna suas peças únicas tanto para quem vai presenteá-las como para quem deseja ter em casa ou no trabalho uma das suas criações.
Imaculada conceição e Nossa Senhora de Fátima

Angela revela como tudo começou: “Sempre fui ligada às artes. Fui professora de Artes e ao me aposentar eu procurava algo para fazer quando vi algumas imagens customizadas e me apaixonei. As amigas viram e começaram a pedir” e com suas postagens nas redes sociais os pedidos aumentaram.
Santa Apolonia, protetora dos dentistas
Ela comentou que “as pessoas que encomendam minhas imagens são devotas, ou quem deseja dar um presente a alguém que aprecie ou tenha devoção a alguma santa. O meu diferencial acredito que seja o fato de tentar colocar nas peças os desejos de meus clientes”.

A delicadeza das pérolas no manto de Nossa Senhora Aparecida
Angela disse que pede prazo para entregar os trabalhos porque “não deixo estoque pronto. Assim que vou produzir uma peça dedico a ela o meu dia. Só compra peças artesanais quem realmente gosta de algo diferenciado. Cada peça é única. Em cada uma existe o amor que se coloca na elaboração, diferente de um produto industrializado”.

O contato de Angela é: https://www.facebook.com/angela.bottino.7 

MARA BONELLO PERES TÁPIAS: ARTE EM FAMÍLIA

O sorriso chega antes que ela: a publicitária Mara Bonello Peres Tápias é a alegria em pessoa. Bem-humorada, sempre ilumina o seu entorno. E com essa animação toda é que ela se joga nos trabalhos manuais por inspiração da irmã, Helena Rubira Peres. “Tudo começou pela Helena.  Ela fazia alguns trabalhos de personalização de toalhas de banho e o pessoal que trabalhava com ela começou a encomendar. Mas, só fazia para dar de presente”, revelou ao falar sobre o início da atividade.
Artesã reaproveita CDs nos escapulários de porta
Ela prosseguiu contando que a irmã se animou, foi se empolgando, “comprando tecidos, linhas, tintas, etc. E fez uma promessa que quando se aposentasse iria se dedicar a isso. O tempo foi passando e ela ainda trabalhando convidou a mim e minha outra irmã Inez para nos reunirmos uma vez por semana”.
Mara (Esq) com as irmãs Helena e Inez e amigas Tereza e Eni

O resultado dos encontros semanais pode ser visto em lindas peças confeccionadas pelas irmãs e por amigas que, vez ou outra, apareciam: “Nós nos víamos, dávamos boas risadas e ainda fazíamos um lanchinho bem especial. Chegamos a fazer um bazar bem lindo e com muitas  peças artesanais no quintal da casa da Helena”.
Atenção aos detalhes: trabalhos especiais
Com uma pegada sustentável, Mara reaproveita CDs que seriam descartados como base para lindos escapulários de porta: Nossa Senhora, Anjo da Guarda, Espírito Santo, Virgem Maria, Santo Antônio, São Francisco entre outros. “As encomendas acontecem naturalmente. Deixo em exposição na Clínica da Mariana Tavares onde a Juliana Tápias trabalha e as coisas vão acontecendo”.
Há várias opções de escapulários de portas
Nas redes sociais, Mara também compartilha suas criações. E, entre sorrisos e alto astral segue colocando arte em cada retalho adornado por rendas e fitas.

O contato de Mara é: https://www.facebook.com/mara.bonelloperestapias