segunda-feira, 24 de abril de 2017

MARILIA SUSTENTÁVEL VAI VOLTAR!

Depois de um longo período, estamos preparando o retorno do Blog que deu voz às iniciativas inspiradoras nas áreas de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Muitos anônimos têm feito a diferença em Marilia. E, em breve, estaremos de volta, com força total, garimpando as ideias e os personagens que fazem nosso mundo melhor!
Aguardem!!!!
Estamos voltando...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Para sobreviver, Associação Amor de Mãe reduz atendimento das crianças em 57% e foca na sustentabilidade econômica.

Por Célia Ribeiro

No fim de 2014, o cenário sombrio vislumbrado pelos analistas econômicos alertava que o ano de 2015 seria de muitos desafios. Para uma instituição filantrópica, cravada na periferia de Marília/SP e acostumada a todo tipo de dificuldade, este seria mais um ano de trabalho duro para fechar as contas. Só que não. Quando janeiro chegou, a Associação Amor de Mãe se viu diante de um dilema que a obrigou a adotar medidas drásticas para continuar de pé, como a redução de 140 para 60 no número de crianças assistidas.

Hora de brincar: crise reduziu as vagas
Criada há 08 anos a partir do trabalho social da Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a Associação Amor de Mãe é uma das mais sérias instituições filantrópicas de Marília. Fundada e dirigida pela professora voluntária Tammy Regina Gripa e sua mãe, Marluci Silva Gripa, a entidade goza de tanta credibilidade que possui dezenas de parceiros e apoiadores na iniciativa privada e entre entidades de classe, universidades e clubes de serviço.

A Prefeitura colabora com a doação de alimentos para o preparo de refeições e cede recursos humanos. No entanto, para manter o atendimento às crianças da zona oeste, sobretudo do Jardim Califórnia e adjacências, a instituição promove eventos (jantares, bazares e feiras de sobremesa) e investe em projetos de geração de renda para garantir sua sustentabilidade econômica.
 
Muito profissionalismo marca o atendimento da entidade
A padaria industrial, construída e equipada pelo Supermercado Tauste, produz uma grande variedade de produtos (pães, roscas, salgados etc) que são comercializados em bancas no final das missas da Igreja Santa Izabel (sábado à noite) e Paróquia Santa Clara (domingo pela manhã), além de receber encomendas com entrega em domicílio.

Caixa zerado

Tammy Gripa: luta diária 
“Quando janeiro chegou, não tinha nada em caixa. Tínhamos muitos débitos e não sabíamos o que fazer. Mesmo com as crianças em férias, as dívidas continuavam, como encargos com funcionários, água e luz”, recordou Tammy Gripa. Sem saída, ela partiu para a única opção disponível: “Desesperada, fiz um empréstimo pessoal e paguei as dívidas”, contou, explicando que o fôlego provisório deu um alívio para virar o jogo.

“Comecei a correr atrás de novos projetos e inscrevi um no Banco do Brasil. Felizmente, ele foi aprovado e a verba veio em março, R$ 5.600,00 por mês, até o fim do ano, para pagamento de funcionários, psicopedagoga, psicóloga, assistente social e mais um professor”, informou a diretora.
 
Refeições equilibradas são servidas diariamente
O projeto apoiado pelo Banco do Brasil previa o atendimento de apenas 60 crianças, selecionadas entre as que apresentassem dificuldades de aprendizado e estivessem em situação de risco, além de pertencerem a famílias de baixíssima renda. Neste novo cenário, a Associação Amor de Mãe precisou reduzir de 140 para 60 o número de atendidos, além de suspender as oficinas (de violão, flauta, balé, artesanato etc) que espera retomar futuramente.

Oficinas de música, como a de violão, foram suspensas
“O projeto é para crianças que têm problemas, com pais separados, cuidadas pelas avós, que têm pais presos ou drogados, ou têm transtornos na escola e ninguém consegue fazer nada. Esses problemas gritantes é que estamos trabalhando este ano”, explicou Tammy. Ela contou que “em fevereiro, no início das aulas, reuni todos os pais e dissemos que não teria mais as oficinas e iríamos fazer a seleção para crianças de 05 a 11 anos: quem mora na região Oeste e tem renda de até dois salários mínimos”.

A entidade sempre atuou em duas frentes: desenvolvendo projetos de geração de renda para as famílias e a assistência às crianças que frequentam o local no contra turno da escola. Lá, fazem as tarefas escolares com acompanhamento, recebem alimentação e, antes das mudanças, também participavam de oficinas culturais.

Cadê as bailarinas? Meninas sonham com as aulas de balé.
Com uma estrutura bem montada, a Associação Amor de Mãe segue buscando alternativas para ampliar a arrecadação e formar mão de obra entre as mulheres desempregadas que desejam aprender um ofício. Neste sentido, o curso de salgados ministrado em parceria com a FATEC, em maio, capacitou as mulheres que perderam o emprego na crise econômica. Com inscrições gratuitas, o curso recebeu doação da matéria prima do Leilão Solidário.

Bolsas artesanais

Aproveitando as instalações da sala de costura, a instituição está produzindo, em caráter experimental, bolsas com tecidos de mostruários de estofados doados pelas empresas. As peças estão sendo comercializadas para ajudarem na manutenção da entidade, assinalou Tammy Gripa.

Confecção de bolsas para
geração de renda
“Todos os dias fazemos alguma coisa para sobreviver. Na Japan Fest, onde fomos muito bem acolhidos, fizemos pão de mel que renderam mil reais e ajudaram a pagar as contas de água e luz. No Esmeralda Shopping, nossa feira da sobremesa rendeu 600 reais e assim vamos em frente”, comentou a diretora.

Na agenda, estão marcados uma feira da sobremesa no Tauste Norte (dia 06/06) e o I Baile Jantar do Dia dos Namorados (dia 12/06) no Alves Hotel, a 35 reais o valor do ingresso individual.

Quanto à retomada das atividades, Tammy espera voltar aos poucos com as oficinas “porque as crianças, sem terem o que fazer, ficam na frente da televisão”. Uma das que mais sentiu a desativação foi a de balé. Ela recordou a apresentação das meninas, no final de 2013, no Teatro do Colégio Sagrado Coração: “Foi emocionante e muito lindo. Fazer balé é sonho de uma criança rica e não de uma criança pobre. Essas crianças não podem sonhar mais porque precisaríamos de um patrocinador”, pontuou.
 
Bruna e Yasmin
Uma das mais ansiosas pela volta das aulas de balé é Yasmim Tainara, nove anos, moradora do Jardim Califórnia. “Ela se destacou muito e até recebeu um prêmio por sua dedicação”, revelou Tammy Gripa. A menina disse que o balé a ajudou muito na parte de disciplina e organização: “Quero muito que volte logo”, disse. Ao seu lado, Bruna Pereira, 12 anos, contou que gostava das aulas de balé porque a atividade a ajudou a perder um pouco da timidez.

Aprendendo com a dor
 
Delícias da padaria
“Não podemos perder tempo porque já sofremos muito”, assinalou Tammy Gripa que já está elaborando projetos para 2016. “Aprendemos muito com o sofrimento do ano passado. E hoje aprendemos com quem realmente sofre. Sofrem essas crianças que nem se imagina. Tenho vítimas de violência sexual, tenho vítimas de drogas, de criança que foi gestada com os pais no auge do crack”, desabafou.


Padaria profissional, construída e equipada pelo Tauste.
A mudança no perfil dos assistidos, pelo visto, veio reforçar a determinação da instituição em manter-se de pé, apesar de todas as dificuldades, procurando alternativas de geração de renda para voltar a atender a clientela especial que tanto necessita desse apoio.

Para encomendar pães, salgados (quibe, coxinha, rissoles, bolinhas de queijo) a partir de cinco reais a bandeja e outras delícias, telefone para: (14) 3422.5525.

Para saber mais, Marília Sustentável publicou outras reportagens sobre a entidade que você confere clicando nas datas: 2010, 2011 e 2013.
 Obs: Imagens de atividades são do arquivo da instituição

domingo, 10 de maio de 2015

Motivadas pelo amor aos idosos, irmãs criam trabalho inovador que vai além dos cuidados em saúde, levando alegria à melhor idade.

Por Célia Ribeiro

Os olhos curiosos brilham de encantamento, explorando cada novidade. O sorriso, tímido a princípio, lentamente se abre revelando a alegria repentina. Essa cena que, à primeira vista, poderia remeter ao passeio de uma criança no parque de diversões faz parte da rotina de duas irmãs que criaram em Marília/SP um projeto inovador de cuidados voltados à terceira idade.

No lugar do gira-gira e dos balanços, os idosos se deliciam com coisas simples como um passeio no shopping onde saboreiam um cafezinho em meio à movimentação natural do entorno. Como companhia, eles têm uma das irmãs Sabrina E. Vicari Talheiro e Silmara Neris Vicari, auxiliares de enfermagem por profissão, mas que adoram o convívio com o pessoal da melhor idade.
 
O passeio no bosque é um dos mais solicitados
Tudo começou em abril de 2014, período da Páscoa. Renascimento para os cristãos, essa época carrega um simbolismo para Sabrina, 36 anos, casada e mãe de uma menina de sete anos. Auxiliar de enfermagem na Santa Casa de Misericórdia de Marília, ela estava acostumada a cuidar dos idosos hospitalizados de quem ouvia muitas histórias.

“Foi aí que pensei: por que não chegar neles antes da doença?”, explicou Sabrina, contando como surgiu a ideia de criar o serviço de acompanhante para os idosos. Com o nome de “Assistência para a melhor idade”, a atividade visa trazer um pouco de brilho às pessoas idosas que muitas vezes passam o dia sozinhas em casa.
 
(Esq.) Sabrina e Silmara
“Vendo televisão o dia inteiro só assistem notícias ruins. Aí que surgem as doenças, a depressão, a pressão alta”, prosseguiu Sabrina explicando que o trabalho que oferece, em parceria com a irmã, tem trazido muito alegria a elas. Em dias alternados, por causa da carga horária nos empregos formais, as irmãs agendam a assistência conforme a necessidade.

“Às vezes, os levamos ao supermercado para fazerem compras ou para passeios no bosque, para andarem de pedalinho, ao shopping tomar um café ou ver um filme no cinema”, explica Sabrina. Mas, se for preciso, as irmãs acompanham os idosos às consultas médicas. Tudo em veículos próprios.

Amor ao próximo

“Criamos este projeto com intuito de dar amor ao próximo, dar amor aos idosos, chegar antes da doença. Eles têm tantas histórias para contar”, afirmou acrescentando que em um ano de atividades observou como tem sido compensador: “Isso muda o astral, eles ficam mais positivos”.

Os valores cobrados variam de acordo com o tipo de atividade solicitada. A auxiliar de enfermagem disse que “o trabalho ainda está no início porque temos um ano e muita gente não conhece. Mas, esperamos poder ampliar o número de idosos atendidos e expandir”.


Diversão das irmãs com aposentada de 85 anos
Pensando além, Sabrina contou que mandou fazer um uniforme logo no começo das atividades.  Trajando um elegante terninho, ela acredita no futuro da proposta e revela sorridente o sonho de ter um escritório no shopping onde formalizaria o negócio. “Rir é o melhor remédio. Arrancar um sorriso do pessoal da melhor idade é um grande presente para nós”, concluiu.

Para entrar em contato com a Sabrina e Silmara, da “Assistência para a Melhor Idade”, ligue para: (14) 997468085.

Obs: Fotos do arquivo pessoal de Silmara.


domingo, 3 de maio de 2015

Enfrentando obstáculos de toda ordem, moradores unem esforços para construção de um parque ecológico no Jardim Acapulco II.

Por Célia Ribeiro

Na agradável manhã de outono, com o céu tingido de azul profundo, uma pequena área, às margens dos vales da zona oeste de Marília, recebe alguns visitantes. Moradores da Rua Benedito Nery de Barros e de outras vias do entorno, localizadas no Jardim Acapulco II, aproveitam o final de semana para acompanharem o desenvolvimento do embrionário parque ecológico que sonham construir no local.
 
Bernardo é seguido pelo pato que levou ao lago
A iniciativa do ex-morador Osni Mieto que, cansado de ver o mato alto e a sujeira do outro lado da rua, arregaçou as mangas e começou a limpar a área plantando as primeiras mudas de espécies nativas e frutíferas, ganhou a solidariedade do vizinho, Basílio dos Anjos. Passados quase 15 anos, Osni mudou-se do Acapulco, mas deixou seu coração no lugar: ele continua cuidando da área, com o mesmo vigor de antes, ao lado do vizinho Basílio e de novos moradores que se juntaram ao grupo.

Em julho de 2013, “Marília Sustentável” publicou uma reportagem, mostrando a vontade do bairro de contar com um parque, no extinto jornal Correio Mariliense e neste blog.  Quase dois anos depois, os moradores conquistaram algumas vitórias graças à atenção do vice-prefeito Sérgio Lopes Sobrinho que se sensibilizou com o projeto ao tomar conhecimento da notícia.
 
Mais de 350 mudas de árvores já plantadas
A Prefeitura tem enviado equipes para roçar o mato e colaborou com o desassoreamento do lago formado a partir de duas nascentes d’água. No entanto, ele está assoreado, novamente. Isto porque, sem o plantio de grama para proteger as margens, as chuvas fortes arrastam a areia comprometendo todo o trabalho realizado, explicou Osni Mieto.

“É uma pena acontecer um negócio desses porque, na verdade, foi feito um trabalho com máquina, formou esse talude e tudo mais. Nós protocolamos junto à Prefeitura um pedido para que fosse colocado grama no entorno do lago. Esse pedido andou de secretaria em secretaria, foi para o gabinete do prefeito, fizeram orçamento e nada foi às vias de fato”, lamentou Basílio dos Anjos.
 
(Esq.) Bernardo, Basílio e Osni
Segundo ele, “vieram as chuvas e se pode constatar que está cheio de areia, de sedimento, de barro que, aos poucos, vai minando o lago, vai acabando com a capacidade dele de estar renovando a água, de estar oxigenando a água. Isso é lamentável”, frisou.

Diante das mais de 350 mudas de árvores nativas (pau-brasil, cedro-rosa etc) e frutíferas plantadas, Basílio reconhece que, desde 2001, a área do futuro parque experimentou melhorias. Entretanto, disse que há muito que fazer: “Continua sendo aquele trabalho de formiguinha. Ou seja, consciência de uma minoria, de quase ninguém”, observou, destacando o trabalho de Osni e, mais recentemente, do novo morador, o engenheiro Bernardo Manchini.

Viveiro próprio
Osni levou as mudas que formou em sua casa
para plantar no fim de semana.

No sábado, 02 de maio, Osni Mieto chegou carregando várias mudas na caminhonete para plantar no fim de semana. Com muita paciência, ele formou as mudas no viveiro de sua casa, no Jardim Universitário. “A goiabeira, por exemplo, tem dois anos de cuidados para chegar neste porte e poder ser plantada”, revelou.

“Hoje eu trouxe mais frutíferas porque estava precisando. Já temos mogno, pau-brasil, ipês, ingazeiros, que são árvores rústicas. Aqui temos amora, goiaba araçá, manga, para atrair pássaros”, explicou. Como pioneiro no projeto de formação do parque ecológico, o ex-morador do bairro não se intimida de bater na porta do vice-prefeito para pedir ajuda, sempre que necessário.

Ele elogiou o apoio de Sérgio Sobrinho sem esquecer-se de cobrar a grama para o entorno do lago e outras melhorias como a instalação de iluminação e limpeza periódica do mato para inibir quem passa por lá apenas para jogar lixo e entulho.
 
(Esq.) Basílio, Osni, Márcia Zaros, João e Ricardo: união de vizinhos
E por falar em lixo, o engenheiro Bernardo mostrava-se indignado com a falta de educação das pessoas: “Esse lixo que jogam lá é porque tinha mato por todos os lados. A pessoa vem e consegue jogar escondidinho. No último caso, jogaram tanto lixo e é de uma pessoa só porque achei prova da OAB da pessoa, documento do carro da pessoa. Recolhi e está guardado. É de família de advogados da cidade”, comentou.

Patos e peixes

Terminando a construção de sua residência no bairro, Bernardo é um dos mais entusiasmados com a área verde. Com a esposa, Bianca Manchini, presentou o lago com filhotes de patos adquiridos na feira livre. As aves dão mais vida ao lugar e encantam as crianças que adoram brincar por ali.

Visionário, o casal que se encantou com a beleza natural do vale pensa grande. “Quando Bianca estava no meio da faculdade de arquitetura fez um projeto arquitetônico da praça, com pista de cooper, iluminação etc”, revelou Bernardo. Conforme disse, foram mapeadas as nascentes de água e técnicos da CETESB já teriam visitado o local que, no futuro, poderá abrigar um segundo lago. O estudo de Bianca foi entregue ao vice-prefeito e os moradores aguardam a concretização do projeto.
 
Sem a proteção da grama o lago vai sendo assoreado.
Morador do Acapulco II há 08 anos, o professor da UNESP, Ricardo Monteagudo, elogiou a união dos vizinhos: “A ideia de plantar árvores de diversas origens é para atrair pássaros e criar uma área agradável de preservação para a gente ficar”, disse. Ele só lamentou que pessoas estranhas ao bairro tivessem praticado atos de vandalismo, roubando os balanços instalados para a diversão das crianças.

Por outro lado, Ricardo contou que como resultado da manutenção da área algumas pessoas começam a aproveitar os momentos de lazer na tranquilidade do bairro, fazendo piqueniques nos finais de semana.

Ele observou que o lago, apesar de pequeno, também atrai a atenção: “Um morador colocou peixes, o outro vizinho trouxe patos. Outro tinha uma relação tão grande com o lago que tinha uma garça que vinha aqui e ele pescava para dar o peixe na boca da garça. Ela comia na mão dele. Quando tinha muita gente, ela não vinha. Então, ele pescava e deixava para a garça vir comer mais tarde. Foi criando uma relação orgânica com o lugar e a lagoa.”

Bernardo e Osni: determinação para
conseguir o sonhado parque ecológico
Já o servidor público estadual, João Augusto Soares, morador há 05 anos, disse que há planos de ampliar o plantio de mudas de árvore em outra parte do imenso terreno público. “A ideia é fazer uma área verde, de praça. Mas, é um trabalho de formiguinha quando são só 06 pessoas que encabeçam e são poucas as pessoas que vêm ajudar na preservação da área”.

Ao lado do filho pequeno, João lembrou dos riscos ao futuro do planeta: “A preservação ambiental é o que a gente tem que cuidar daqui para frente porque, se continuar do jeito que está a degradação, a geração do meu filho não vai conhecer muita coisa”, finalizou.

Para ler a reportagem de 2013 clique AQUI.

domingo, 26 de abril de 2015

“Dentistas do Bem”: Megatriagem selecionará crianças e adolescentes de baixa renda para atendimento odontológico gratuito.

Por Célia Ribeiro

No próximo dia 28 de abril, quando se comemora o “Dia Mundial do Sorriso”, milhões de crianças e jovens, sem acesso à saúde bucal, não têm motivos para sorrir. Felizmente, graças a uma ação de voluntariado essa realidade vem mudando no Brasil, em Portugal e em mais 12 países da América Latina onde a “Turma do Bem” (TdB) aportou com o projeto “Dentistas do Bem”. Marília, que participa desde 2.009, realizará na terça-feira, uma megatriagem para selecionar estudantes da rede pública, na faixa de 11 a 17 anos, para receberem atendimento odontológico gratuito até completarem 18 anos.


Atendimento gratuito até a maioridade
Com resultados que crescem em projeção geométrica, Marília se destaca entre 1.300 municípios do Brasil e exterior. Apesar de contar com aproximadamente 500 cirurgiões-dentistas, a cidade registra 80 profissionais voluntários. Parece pouco. Mas, em 2012 eram 46 participantes e a coordenadora local, Dra. Ana Carolina Massaro, continua incansável na missão de atrair mais voluntários necessários à ampliação do número de beneficiários.

Há dois anos eram 100 crianças e jovens atendidos. Em 2014, o “Dentistas do Bem” de Marília registrou 220 beneficiários, o que representa um aumento de 120 por cento. A esses números soma-se a capacidade de articulação da coordenadora Dra. Ana Carolina que conseguiu apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal para avanços nas políticas públicas.
 
Dra. Ana Carolina: "Melhor Dentista do Mundo"
Como reconhecimento, a coordenadora, que já tinha se classificado entre os 50 melhores profissionais, por três anos consecutivos, recebeu a maior honraria concedida pela Turma do Bem aos voluntários melhor avaliados, em 2014. “Para a Turma do Bem, o ‘Melhor Dentista do Mundo’ é aquele que fez mais por seu município. Ou seja, além de atender jovens e crianças, ainda fez a diferença na sua cidade e região conquistando mudanças nas políticas públicas, espaços na imprensa, divulgação do projeto e o aumento de parcerias e voluntários”, afirmou o fundador e presidente voluntário da TdB, Dr. Fábio Bibancos.


Triagem: dentistas voluntários examinam as crianças e jovens
Após três dias de capacitação e integração, o “Prêmio Sorriso do Bem”, que escolheu o “Melhor Dentista do Mundo”, foi entregue à mariliense em noite de gala. “Foi uma surpresa enorme. Eu não imaginava que Marília fosse ficar com o melhor resultado entre 1.300 municípios do Brasil, Portugal e 12 países da América Latina”, comentou.

Ela explicou que “são avaliados quesitos como número de dentistas voluntários novos que a gente consegue trazer no período de um ano; o número de crianças encaminhadas e o que se consegue em políticas públicas”. Neste sentido, Dra. Ana Carolina destacou a distribuição de kits de higiene bucal (escova, creme e fio dental) às escolas e Unidades Básicas de Saúde.
 
Vereadora Sonia Tonin e Dra. Ana Carolina na homenagem
prestada pela Câmara Municipal de Marília
A coordenadora afirmou que o secretário municipal da Assistência Social, Hélio Benetti, “abraçou a causa distribuindo kits de higiene bucal também em todas as unidades da Casa do Pequeno Cidadão, fornecendo vale-transporte para as crianças e acompanhantes durante o tratamento e a medicação necessária, como antibiótico, anti-inflamatório e analgésico. Antes, muitas crianças não iam para o tratamento porque moram na periferia e os consultórios dos dentistas voluntários ficam no centro da cidade”, justificou.

Solidariedade
 
Recordistas: Dr. Walter atende 10 crianças
“A gente sabe que está fazendo o bem para a criança e para o jovem. Mas, acho que o bem maior é para a gente que está atendendo”, disse a coordenadora determinada na busca de melhores resultados. “É preciso ter um pouco mais de amor ao menos favorecido, àquele que não teve uma oportunidade na vida”, acrescentou.

Para a Dra. Ana Carolina, com boa vontade será possível aumentar o número de profissionais: “Em Marília temos 80 voluntários na rede. O dentista é quem define quantas crianças ou adolescentes ele quer atender”, explicou. Enquanto tem profissional que atende um, e ajuda muito o projeto, existem casos como o do Dr. Walter Katsumi Kamigashima que oferece atendimento gratuito a 10 crianças. Ele foi eleito o “Melhor Dentista do Bem de Marília”. Merecidamente!

Megatriagem

Em Marília, a megatriagem, promovida pela Turma do Bem e Oral –B, acontecerá no dia 28 de abril, das 9 às 16 horas, no Espaço Cultural Ezequiel Bambini. Crianças e adolescentes, na faixa etária de 11 a 17 anos, devem estar acompanhados de um responsável e apresentar: documento de identidade, comprovante de matrícula em escola pública e comprovante de residência. Após responder a um questionário aplicado por estudantes da Faculdade de Odontologia da Unimar, os interessados passarão pela avaliação clínica com os dentistas voluntários.
 
Triagens já aconteceram em escolas e unidades da "Casa do Pequeno Cidadão"
Após a seleção, crianças e adolescentes encaminhados terão o atendimento odontológico gratuito até completarem 18 anos. Serão considerados “os que estão em piores condições bucais; os mais próximos de obter o primeiro emprego e os mais carentes”, explicou a coordenadora local.

“Este ano, escolhemos o ‘Dia Mundial do Sorriso’ para mostrar que ainda existem milhões de pessoas, em todo o mundo, sem acesso a uma saúde bucal digna”, explicou o fundador e presidente voluntário da Turma do Bem, Dr. Fábio Bibancos. No Brasil e exterior o projeto deve receber por volta de 60 mil crianças e jovens na megatriagem de 2014.

Para entrar em contato com a Dra. Ana Carolina, escreva para: acarolmassaro@hotmail.com Para conhecer mais sobre a ONG, acesse: www.turmadobem.org.br
Em 2013, “Marília Sustentável” fez uma reportagem sobre os “Dentistas do Bem” que você confere aqui: AQUI


Obs: Fotos cedidas pela Dra. Ana Carolina de seu arquivo pessoal

domingo, 19 de abril de 2015

"Escolinha da Mata": com os pés na terra, crianças se divertem e aprendem educação ambiental.

Por Célia Ribeiro

Brotando da terra, a água cristalina flui acariciando as pedras e a exuberante vegetação em direção ao Rio Canganha, na Fazenda Rosângela da Amoreira. Localizada no município de Oriente, altura do km 465 da Rodovia João Ribeiro de Barros, a propriedade abriga um dos mais instigantes projetos de educação ambiental: a Escolinha da Mata que atrai milhares de crianças ansiosas por vivenciarem experiências incríveis em contato com a floresta nativa.
Água pura na Escolinha da Mata

A idealizadora da Escolinha da Mata, Fernanda Redondo Peixoto, 36 anos, cresceu em contato com a natureza. Entretanto, encontrou a inspiração para realizar um antigo sonho durante o período em que morou em Chicago. Formada em Hotelaria, ela deixou Londrina para trabalhar em um hotel nos Estados Unidos, oportunidade em que conheceu a ONG “Trees for the Future”.
 
Ampla área para atividades








Em pouco tempo, Fernanda já estava estudando e pesquisando sobre agroflorestas. Da teoria para a prática foi um pulo. “Fiz cursos na ‘Trees’, que me pareceu muito séria e mantém projetos em mais de 80 países”, contou, explicando que acabou contratada pela ONG para atuar na elaboração e gerenciamento de projetos agroflorestais.


Fernanda: sonho da vida inteira
“Dentro da agrofloresta a gente trabalha com 11 espécies implantando o sistema para tornar o solo improdutivo em produtivo, através do plantio de árvores para alimentação do gado e diferentes funções para gerar recursos para o produtor”, informou, destacando a moringa como uma espécie considerada “superalimento” por suas propriedades medicinais.

Em 2.009, de volta ao Brasil para implantar um projeto elaborado por ela e aprovado pela ONG, Fernanda foi convidada a coordenar projetos no País. “Trabalhando com a moringa eu abri projetos no Nordeste, Mato Grosso, Acre e interior de São Paulo, em assentamentos, associações de apicultores etc, sempre em grupo porque é mais fácil trabalhar”, assinalou.

Através de parcerias, a “Trees for the Future” ostenta a invejável marca de 2,8 milhões de árvores plantadas. “Eu vou aos locais, dou o curso, dou a semente e os parceiros fazem o monitoramento”, explicou Fernanda, citando que a maior procura está relacionada à contenção de erosão e plantio de cercas-vivas. “Os técnicos parceiros monitoram os projetos uma vez por mês. Eu volto depois de um ano ao projeto”, acrescentou.

Educação ambiental
 
Monitor dá informações antes do passeio
Viajando o Brasil inteiro, Fernanda constatou, com tristeza, “que as crianças e os jovens estavam indo embora do campo, deixando seus pais nas atividades porque eles não queriam trabalhar em áreas rurais”. Foi quando teve a ideia de fomentar um projeto de educação ambiental para que os pequenos valorizassem a terra, respeitassem a natureza e pudessem se fixar no campo dando continuidade ao trabalho de suas famílias.
 
Espaço projetado para as crianças
Com a comprovação científica dos benefícios da moringa para a saúde (tem quatro vezes mais cálcio que o leite, três vezes mais potássio que a banana, quatro vezes mais Vitamina A que a cenoura e sete vezes mais Vitamina C que a laranja), a espécie tornou-se uma importante aliada da ambientalista.


Trilha na floresta
“O Centro de Recursos Agroflorestais Trees for the Future, com sede nos Estados Unidos, desenvolveu no estado de são Paulo, projetos de cunho socioambiental com famílias de pequenos produtos rurais, de junho de 2008 a junho de 2014 e projetos educacionais em escolas promovendo a disseminação da espécie moringa oleífera, apoiando pesquisas e doando mudas”, destaca a apresentação da Fernanda.

A ambientalista explicou que além de dar aula de educação ambiental nas escolas e de plantar sementes de moringa, incentivava o uso da farinha das folhas da árvore. O resultado desse trabalho foi comprovado na alimentação diária dos estudantes em algumas escolas. Através do exame de sangue realizado nos alunos, os indicadores mostraram os benefícios do superalimento. Como não poderia deixar de ser, “o trabalho conquistou um prêmio internacional pela ONG com quem mantinha vínculo de trabalho”, acrescentou.

E nasceu a escolinha

Feliz por levar aos estabelecimentos de ensino as informações de cunho ambiental, Fernanda decidiu incrementar as ações trazendo a escola para o meio da floresta. Assim nasceu a “Escolinha da Mata”: na propriedade da família, onde vive com o marido e dois filhos, Fernanda colocou em prática um pouco do que aprendeu com a “Trees”.
 
Crianças aprendem a valorizar a água
Tratou de construir uma casa com base na permacultura: “Comecei a construir minha casa aqui. Não tinha muito dinheiro, mas queria seguir a filosofia de uma construção com o mínimo de impacto ambiental. A bioconstrução usa parede de barro, tratamento de esgoto natural e a casa foi ficando muito legal. Foi dando tudo certo”, recordou.
 
Lápis coloridos
para os desenhos
“Quando consegui juntar um pouco de dinheiro deu para construir a ‘Escolinha da Mata’. Eu ia às escolas, mas se eu tinha tudo isso aqui eu queria que as crianças pudessem vir aqui, também”, enfatizou. E o sucesso foi tão grande que, atualmente, a escolinha recebe de 120 a 150 crianças por dia, distribuídas em dois períodos.


Farinha e bolo de moringa: delicioso
Com muito verde, as crianças conhecem a nascente de água, o sistema de tratamento natural de esgoto, o reuso de água (chuveiro e pia), horta, percorrem a trilha na floresta nativa e de vez em quando são brindadas pela visita dos macaquinhos em busca de frutas deixadas em locais estratégicos. As crianças plantam sementes de moringa e depois participam da oficina de culinária onde fazem bolo da farinha da planta que é degustado com suco natural ao fim do passeio.

Aproveitando a oportunidade, Fernanda preparou um cinema onde são exibidos filmes de educação ambiental. Já os professores são brindados com material didático completo para continuarem a exposição do assunto em sala de aula.
 
Parede de barro: bioconstrução
“Em 2015, começamos a trabalhar por temas. Esse ano é a água, pela problemática que estamos enfrentando. Tem uma mina que é uma das nascentes do Rio Canganha. Bem no fundo da minha casa nasce a água puríssima. As crianças fazem o passeio na floresta e vão conhecer a mina d’água, onde bebem a água”, assinalou.
 
Reuso da água do chuveiro e
da pia na irrigação
Como Fernanda ainda está vinculada à ONG norte-americana que a remunera, a Escolinha da Mata só cobra uma pequena taxa para as visitas visando custear a estrutura e os três funcionários. São 12 reais por criança.

“Hoje estou viajando menos e coordenando menos projetos. Estou desacelerando. Não abri novos projetos e vou ao Nordeste só uma vez por ano para dar os cursos”, disse, acrescentando: “O que mais quero é fazer isso, estruturar a escolinha”. E, com os olhos verdes, da cor da mata, brilhando, encerrou explicando a mudança de foco: “Consegui o sonho da vida inteira”.
 
Com a filha Pietra, mamãe mostra as maquetes sobre o ecossistema
Para agendar uma visita à “Escolinha da Mata”, entre em contato pelo e-mail: escolinhadamata@outlook.com No Facebook, o endereço é: facebook.com/escolinhadamata.

Links úteis:


Obs: Fotos de atividades na escolinha são do arquivo pessoal de Fernanda Redondo Peixoto

domingo, 12 de abril de 2015

Educandário: a obra idealizada, há 60 anos, por Bento de Abreu sobrevive graças à solidariedade dos vicentinos.

Por Célia Ribeiro

No final de 2013, esgotando-se o prazo concedido pela Santa Casa de Misericórdia de Marília para a desocupação da área doada por Bento de Abreu, para a construção de um orfanato, religiosos e voluntários do Educandário Bento de Abreu Sampaio Vidal entraram em desespero diante das incertezas que cercavam a manutenção de uma das mais longevas e importantes obras sociais do município. Quase um ano e meio depois, a instituição está de pé graças à Sociedade São Vicente de Paulo, que assumiu a obra, e voluntários da Associação Amigos do Educandário, com apoio do poder público municipal.
  
Modelagem de pães: delícias que os meninos consumem na entidade
Funcionando provisoriamente no prédio do Patronato, cedido pela Comunidade Santa Izabel, o Educandário atende cerca de 90 meninos, de 07 a 15 anos, de famílias de baixa renda moradoras das zonas norte e sul de Marília. As instalações tiveram que passar por adaptações que demandaram muitos recursos. Mas, como em tudo que envolve a entidade, a solidariedade falou mais alto e o dinheiro apareceu pelas mãos dos voluntários da Associação Amigos do Educandário e da indústria Carino, que doou 20 mil reais para a construção dos vestiários.

A área que abriga o Educandário, apesar de menor que a anterior e sem as instalações de outrora, permitiu a continuidade do atendimento que faz com que os meninos dos bairros mais pobres recebam acompanhamento escolar, alimentação, pratiquem atividades físicas e aprendam sobre cidadania. Desde 1957, passaram pela instituição mais de 3000 meninos, a maioria formada por órfãos.

Oficina de marcenaria do prédio antigo: sonho
de retomar as atividades na nova construção
“Não temos o espaço de antes. A oficina de marcenaria, por exemplo, não conseguimos instalar. Ela funcionava no período da tarde, com orientação do SENAI, para capacitação dos adolescentes”, explicou o Irmão Agenor Lima, diretor religioso da entidade. Ao lado da assistente social Anilza Damine de Lima, ele  se mostrou esperançoso diante da nova fase que se delineia, com a construção de prédio próprio em área da Sociedade São Vicente de Paulo, na zona sul.

O número de garotos atendidos, por sua vez, diminuiu bastante. Dos cerca de 150, apenas 90 estão sendo assistidos. “Muitas escolas da região que atendíamos passaram a funcionar em período integral”, comentou o Irmão Agenor. Por isso, ainda há vagas disponíveis uma vez que a Prefeitura de Marília tem dado suporte à instituição, através da cessão de funcionários, transporte escolar e alimentação.
 
Laboratório de informática: preparando para o futuro
“Não podemos reclamar. Tudo o que o prefeito Vinicius nos prometeu está sendo cumprido”, elogiou o religioso, destacando o papel da Câmara Municipal: “Quando fomos falar com o prefeito e pedir ajuda para não fechar o Educandário, os vereadores estavam lá nos apoiando”, ressaltou. Conforme disse, com a mudança na documentação da instituição, que agora tem CNPJ próprio, os dirigentes vão em busca dos Certificados de Utilidade Pública Municipal e Estadual.

Semeando para o futuro

De segunda a sexta-feira, pouco depois das 7 horas, chegam os primeiros ônibus trazendo os garotos das zonas norte e sul. Eles são recebidos com um nutritivo café da manhã e depois seguem para atividades em sistema de rodízio: enquanto um grupo faz a tarefa com acompanhamento de professoras da Rede Municipal de Ensino, outro participa de atividades esportivas e os demais vão para aulas de informática.
 
(Esq) Irmão Agenor e Anilza na saída das crianças
Após passarem por todas as atividades, os meninos tomam banho, almoçam e são transportados às escolas de seus bairros. Por isso, ao final do dia, da aula seguem direto para suas casas, informou a assistente social.

Ela explicou que uma das atividades mais importantes é a tarefa monitorada. Além das professoras cedidas pela Secretaria Municipal da Educação, há professores voluntários que atuam no reforço de determinadas matérias. “Por exemplo, se um aluno está com dificuldade em matemática, temos uma professora voluntária que o ajuda”, afirmou Anilza Damine.

“A nossa preocupação é que a criança não apenas passe de ano, mas que consiga aprender porque lá na frente vai precisar disso”, observou o Irmão Agenor. Segundo ele, o maior investimento que se pode fazer é na educação de qualidade para que esses meninos possam desenvolver suas potencialidades no futuro: “Queremos preparar essas crianças para o amanhã”.
 
Irmão Agenor acompanha os meninos em atividades externas.
Neste dia, a pescaria foi boa!
Embora estejam suspensas as oficinas profissionalizantes (Panificação e Marcenaria), antes desenvolvidas junto aos jovens de 15 a 18 anos, a panificadora é utilizada como atividade lúdica e também para a produção de pães, roscas e doces consumidos pelas crianças. Com a orientação do padeiro, os meninos ajudam a modelar pães, aprendem a fazer salgadinhos etc. Eles não manuseiam equipamentos e nem chegam perto do forno, assinalou Irmão Agenor, mas têm contato com a atividade e poderão se interessar por ela futuramente.

“É sempre uma alegria quando eles estão lá. Na Páscoa, fizemos chocolatinhos e eles levaram para casa”, contou o religioso. Por sua vez, a assistente social informou que as atividades na panificadora também contribuem para “trabalharmos a questão da higiene e até da coordenação motora dos pequenos que usam massas para modelar os pães”.

Promoções

Sonhando com a construção que será levantada em área da Sociedade São Vicente de Paulo, na zona sul, Irmão Agenor destacou o apoio da Associação Amigos do Educandário. Graças aos eventos promocionais (venda de pizza, feijoada, almoços beneficentes etc), são levantados recursos que ajudam na manutenção da entidade e serão de grande importância quando iniciarem as obras.
 
Alegria na saída do Educandário: bem alimentados e prontos para a aula.
Irmão Agenor também agradeceu o apoio da Comunidade Santa Izabel: “O prédio do Patronato gerava renda para a comunidade que o utiliza para catequese, mas não pode alugar o salão para eventos como antes”. No local funciona o refeitório do Educandário: “Graças a Deus, tivemos muito apoio e a obra continua”, concluiu, enquanto seguia para acompanhar a saída dos meninos até o transporte escolar.

E assim, de banho tomado, bem alimentados e com a lição de casa pronta, os garotos partiram cheios de energia para uma tarde na escola, com a certeza que amanhã será um novo dia com todas as coisas boas que a solidariedade humana, presente na obra de Bento de Abreu, pode proporcionar-lhes.
Para saber mais sobre o Educandário, acesse reportagem de novembro de 2013, clicando AQUI.

Obs: Fotos das crianças são do arquivo pessoal do Irmão Agenor.

sábado, 4 de abril de 2015

COMO A APICULTURA ESTÁ AUMENTANDO A RENDA NO CAMPO E CONTRIBUINDO PARA A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL.

Por Célia Ribeiro

Os benefícios do mel são conhecidos desde a antiguidade por suas propriedades medicinais e valor nutricional. Mas, para centenas de pequenos produtores rurais da região de Marília, a apicultura representa uma importante fonte de renda além de contribuir para o equilíbrio ambiental em suas propriedades, tendo em vista o papel das abelhas na polinização das culturas.
Flor de eucaliptos atrai abelhas

Olhando para algumas décadas atrás, os apicultores têm hoje bons motivos para comemorar. Após anos de incontáveis desafios, a Associação dos Apicultores de Marília e Região (AMAR) conquistou uma sede própria, a “Casa do Mel”, e obteve o registro do SIF (Serviço de Inspeção Federal) que lhe permite colocar no mercado um produto de alta qualidade testado nos laboratórios da Unimar (Universidade de Marília).

“A ideia de formar a associação vem de mais de 10 anos”, contou o presidente da AMAR, Fernando Mauro Lopes Ferreira, citando o pioneirismo do zootecnista Valter Eugênio Saia e de Antônio Fernando Scalco que aceitaram o desafio de reunirem pequenos agricultores interessados na apicultura, além daqueles que já se dedicavam à atividade.
 
As caixas ocupam pouco espaço na natureza
“Os dois organizaram a primeira reunião na CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – Secretaria Estadual da Agricultura) convocando interessados através do jornal. Eles esperavam meia dúzia de apicultores. Mas, para surpresa geral, lotou o auditório com mais de 100 pessoas”, recordou Fernando.
 
Apicultores na sede da entidade
Depois deste pontapé inicial, o projeto ganhou corpo. A Prefeitura abraçou a ideia e construiu uma sede para a associação, na zona norte (Rua Eugênio Coneglian, 2558), inaugurada em 2012. No entanto, sem o registro do SIF e a estrutura necessária ao envase do mel, muitos desanimaram e ficaram pelo caminho, desligando-se da instituição. Dos cerca de 150 associados iniciais, apenas 100 apicultores permaneceram.

Esforço recompensado

Quem perseverou hoje colhe doces frutos. Com o apoio do SEBRAE, os associados participaram de cursos de capacitação para extração do mel, manejo das caixas com enxames, aquisição de maquinário em inox e adequação das instalações seguindo as rígidas normas sanitárias que norteiam o setor.

De acordo com Fernando Ferreira, “ainda não temos unidade extratora na associação, o que pretendemos no futuro quando mudarmos para um local maior. Hoje, o produtor tem o apiário na propriedade dele, onde extrai o mel e faz a centrifugação. Ele traz os baldes com o produto para a associação que encaminha amostras para análise na Unimar. Após a aprovação, o mel é decantado por 48 horas e envasado em embalagens de um quilo, meio quilo e 280 gramas”.

Rigoroso controle de qualidade
antes do envase da produção
Com o selo da AMAR e rótulo do SIF contendo todas as informações técnicas, o mel é entregue ao produtor que se encarrega de comercializa-lo junto aos seus clientes, geralmente pequenos mercados, padarias, farmácias etc, pagando à associação uma pequena taxa pelo envase. “A ideia é um dia contarmos com uma cooperativa. A AMAR é uma instituição sem fins lucrativos e por isso não pode comercializar a produção”, explicou o presidente.

O pequeno produtor entrega o mel a 14 reais o quilo para revenda. Apesar disso, o consumo per capita no Brasil é muito pequeno em relação a outros países. Segundo o presidente da AMAR, consome-se 200 gramas por pessoa, por ano. Nos Estados unidos, o consumo é de dois quilos per capita. “Com a disparada do dólar, muita gente está preferindo exportar e poderá haver falta de mel no País”, observou.
 
Marca registrada: segurança para o consumidor
Abelha não respeita cerca

“O pequeno agricultor tem as abelhas como uma fonte de renda viável economicamente. Hoje, com a questão ambiental, todos os proprietários têm que fazer o cadastro rural e determinar uma área de 20 por cento que tem que cercar, como área de preservação permanente. É uma área do proprietário, mas que não pode explorar”, informou o presidente da associação.

Entretanto, prosseguiu, “como abelha não respeita cerca, pode usar para a apicultura. É uma opção para transformar aquilo em uma fonte de renda. A abelha vai voando na flor, pega o néctar e traz para a colmeia. É uma atividade alternativa de baixo custo, fácil de manejar e que dá renda”.


Fumaça controlada para acalmar as abelhas
e realizar a retirada do mel com segurança
Uma abelha chega a fazer 17 viagens por dia até a colmeia, em um raio de 500 metros, passando por 50 mil flores. Por isso, seu papel é essencial na agricultura para a polinização das culturas. Já existe mercado de locação de colmeias para propriedades com queda na produção. Um dos fatores que impacta na redução da população de abelhas é o uso indiscriminado de defensivos agrícolas.

“Na Europa e Estados Unidos tem um produto banido, que ainda é usado no Brasil, que está acabando com as abelhas”, alertou Fernando Ferreira. No Rio Grande do Sul há notícias sobre uma devastação que atingiu 4.500 colmeias. “A abelha é muito sensível. Quando ela pega o agrotóxico ela não produz mel, ela morre. E se ela levar esse veneno para a colmeia vai matar as outras abelhas, também”, enfatizou o apicultor.
 
Detalhe da caixa no apiário
“A apicultura tem muitas vantagens porque é uma atividade que pode colocar em qualquer lugar na zona rural, não ocupa espaço, aproveita a mata e ainda faz a polinização das culturas”, acrescentou o presidente da AMAR, citando que “no Rio Grande do Sul é onde mais se ganha dinheiro com aluguel de colmeia para polinização de culturas, como a maçã e a pera. No estado de São Paulo já começou essa tendência, também, só que por causa do agrotóxico tem apicultor que prefere vender a colmeia ao invés de aluga-la devido aos riscos de mortandade”.

Paixão à primeira vista

A história de amor de Fernando com a apicultura começou há quase 20 anos. Profissional de Recursos Humanos de uma grande metalúrgica, por 36 anos, ele nunca se imaginou no meio do mato. Até que um dia, passando o fim de semana no sítio da família no distrito de Jafa (Garça), ele foi chamado para filmar a colheita de mel.
 
Apicultores vão a congressos nacionais e internacionais: eventos o ano
todo para troca de experiências e obtenção de conhecimentos.
“Nunca tinha colocado aquela roupa. Meu pai criava abelha e produzia mel só para consumo da família e naquele dia comecei a me interessar”, recordou com o sorriso entregando o momento da conquista. Não tardou e Fernando foi atrás dos equipamentos necessários, como a roupa protetora que lembra trajes de astronautas, e dos primeiros enxames comprados em Quintana.


Fernando: dedicação total à AMAR
onde faz até o envase de mel
“Era uma válvula de escape. Eu ficava preso no escritório o dia inteiro, na área de RH onde comecei aos 14 anos e fiquei até me aposentar, um ano atrás. Era uma terapia mexer com apicultura”, contou Fernando que disse estar imune às ferroadas das abelhas: “Toda semana era uma ferroada. No começo inchava. Com o tempo fui criando resistência”, disse, entre gargalhadas.

Aos 51 anos, gozando da merecida aposentadoria, Fernando dedica-se à atividade profissionalmente com muito prazer. Tem mais de 150 colmeias espalhadas por áreas de Pompéia, Padre Nóbrega, Garça, Vera Cruz e Marília onde consegue de duas a três colheitas por ano.
Trajes de proteção (Foto: Mercado Livre)
“Quem quiser se iniciar na apicultura precisa se informar, ter noções de segurança, principalmente, além de comprar equipamentos (bota, macacão, luvas), fumegador, formão etc, encontrados em lojas especializadas”, disse o presidente da associação. Só com orientação e a estrutura adequada é que se pode começar a atividade com segurança.

Projeto urbano

Com tempo para se dedicar à apicultura, Fernando comemora uma nova conquista: a Fundação Banco do Brasil aprovou um projeto para a AMAR adquirir equipamentos de envase de sachês, além de um veículo utilitário. Serão 94 mil reais doados para a instituição. “Com os sachês de mel poderemos entrar na merenda das escolas. Isso representará um grande avanço para os apicultores da cidade”, destacou.
 
Enxame retirado de uma
residência: perigo na cidade.
Outra ideia que pretende colocar em prática é um programa em parceria com a Prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros para instalação de “caixas-isca” para captura de enxames de abelha na zona urbana. “Dessa forma, resolveremos um problema sério porque com a falta de locais adequados na zona rural, como buraco de árvore, de pedras, onde se sintam seguras, as abelhas estão migrando para a cidade, formando enxames em caixas de energia, em forro de residências e isso é um problema grave”. Ao capturar essas abelhas com as iscas, a associação poderá doa-las aos novos apicultores que se iniciarem na atividade.


A Associação participa de eventos
 educativos nas escolas e locais públicos
Depois de tanto tempo como de gestor de Recursos Humanos, Fernando Ferreira só poderia mesmo se interessar pelas abelhas. Afinal, elas são amigas da natureza, trabalham sem cessar e ainda adoçam a vida. Merecem o prêmio de colaboradoras do ano!


Para entrar em contato com o presidente da AMAR, Fernando Mauro Lopes Ferreira, escreva para: fmlferreira@terra.com.br ou ligue: (14) 997254917

Obs: À exceção da foto do Fernando, as demais imagens são de seu arquivo pessoal.