sábado, 9 de dezembro de 2017

ORIGINAIS E ACESSÍVEIS, OS PRODUTOS ARTESANAIS SÃO DISPUTADOS NO FIM DO ANO.

Por Célia Ribeiro

Um fio de linha e um retalho de tecido aqui, uma essência borrifada ali e pérolas selecionadas com cuidado: nas mãos habilidosas de três artesãs vão surgindo criações delicadas e únicas. São produtos artesanais, criativos e acessíveis a todos os bolsos, que fazem a alegria de quem costuma presentear amigos e familiares nas festas de fim de ano.
Saboaria artesanal: sabonete empérolas
Marília é uma cidade privilegiada quando o assunto é talento. Há muita gente fazendo trabalhos em grupos de voluntários para ajudar uma causa ou entidade, criando sozinha para relaxar a mente e o corpo, ou que descobriu uma nova fonte de renda aliando o prazer de produzir encomendas ao novo negócio.

A seguir, três artesãs contam um pouco sobre seu trabalho.

JÉSSICA GOMES: SABOARIA ARTESANAL

Formada em Recursos Humanos, a jovem Jéssica Gomes sempre se encantou com o belo. Por 07 anos trabalhou com a venda de acessórios e tinha uma clientela cativa. Mas, estava faltando alguma coisa: “Eu gostava muito do que eu fazia, mas chegou um momento que senti a necessidade de mudar e fazer algo que, além de ser o meu trabalho, me relaxasse muito”, contou.
Parece doce: mas é sabonete cremoso de colher

Com o apoio da mãe, a servidora pública Regina Moura, ela encarou o desafio capacitando-se nos cursos de saboaria artesanal. O resultado apareceu tão logo abriu o “Ateliê A Lua Me Disse”. Os sabonetes cremosos em potes, acompanhados de colher, lembram os doces que fazem sucesso nas festas infantis. Acondicionados em vidros adornados por fibras naturais, tecidinhos e frutas desidratadas, os sabonetes de colher enfeitam e perfumam podendo ser usados no lavabo ou no banho.
Jéssica e a mãe Regina
A lista do Ateliê é variada: sabonetes líquidos, em creme e em barra, água de lençois, aromatizadores, mini sabonetes em formato de pérolas acondicionados em elegantes frascos de vidro, Kits em caixas decoradas, hidratantes, sais de banho, pós-barba, sachês etc. Aproveitando o Natal, a novidade fica por conta de sabonetes com formato de Papai Noel e da Sagrada Família, além de caixas e sacolinhas decoradas para embalar presentes.

Jéssica afirmou que “as pessoas gostam muito de procurar os presentes. Todo mundo gosta de ganhar um mimo para a pele, para perfumar a casa ou seu ambiente de trabalho”. Ela explicou que produz diariamente, “por ser um trabalho delicado e que exige um tempo; por exemplo, o sabonete em barra tem um tempo de derretimento da matéria prima, um tempo para esfriar e poder misturar o restante da matéria prima e um tempo de secagem.”
Os kits são muito pedidos no fim do ano
Sobre o interesse pelo seu trabalho, Jessica disse que “o artesanato sempre esteve em alta. As pessoas acham lindo por ser algo que não se encontra, na maioria das vezes, no comércio tradicional. E, como podemos criar de acordo com as necessidades e desejos de cada um, creio que é um ponto que atraia o interesse das pessoas”.
Os sabonetes recebem decoração especial
Ela concluiu destacando o prazer que encontrou no novo trabalho: “Adoro fazer artesanato, adoro arte em geral e creio que, quando fazemos o que realmente gostamos, não tem como dar errado. Acho que a energia positiva que desprendemos em tudo o que fazemos com amor atrai o que há de mais positivo sempre”.
Papai Noel em sabonete: sucesso no Natal
A artesã exibe suas criações na fanpage https://www.facebook.com/ALUAMD/ onde podem ser feitas encomendas. Os produtos têm etiqueta com prazo de validade.

ANGELA BOTTINO: SANTAS & SANTOS

Eles fazem sucesso o ano inteiro. Mas, em datas religiosas as encomendas chegam a todo instante: são os santos e santas customizados pela artesã Angela Bottino. Com rara delicadeza, ela produz os trabalhos de acordo com os pedidos, o que torna suas peças únicas tanto para quem vai presenteá-las como para quem deseja ter em casa ou no trabalho uma das suas criações.
Imaculada conceição e Nossa Senhora de Fátima

Angela revela como tudo começou: “Sempre fui ligada às artes. Fui professora de Artes e ao me aposentar eu procurava algo para fazer quando vi algumas imagens customizadas e me apaixonei. As amigas viram e começaram a pedir” e com suas postagens nas redes sociais os pedidos aumentaram.
Santa Apolonia, protetora dos dentistas
Ela comentou que “as pessoas que encomendam minhas imagens são devotas, ou quem deseja dar um presente a alguém que aprecie ou tenha devoção a alguma santa. O meu diferencial acredito que seja o fato de tentar colocar nas peças os desejos de meus clientes”.

A delicadeza das pérolas no manto de Nossa Senhora Aparecida
Angela disse que pede prazo para entregar os trabalhos porque “não deixo estoque pronto. Assim que vou produzir uma peça dedico a ela o meu dia. Só compra peças artesanais quem realmente gosta de algo diferenciado. Cada peça é única. Em cada uma existe o amor que se coloca na elaboração, diferente de um produto industrializado”.

O contato de Angela é: https://www.facebook.com/angela.bottino.7 

MARA BONELLO PERES TÁPIAS: ARTE EM FAMÍLIA

O sorriso chega antes que ela: a publicitária Mara Bonello Peres Tápias é a alegria em pessoa. Bem-humorada, sempre ilumina o seu entorno. E com essa animação toda é que ela se joga nos trabalhos manuais por inspiração da irmã, Helena Rubira Peres. “Tudo começou pela Helena.  Ela fazia alguns trabalhos de personalização de toalhas de banho e o pessoal que trabalhava com ela começou a encomendar. Mas, só fazia para dar de presente”, revelou ao falar sobre o início da atividade.
Artesã reaproveita CDs nos escapulários de porta
Ela prosseguiu contando que a irmã se animou, foi se empolgando, “comprando tecidos, linhas, tintas, etc. E fez uma promessa que quando se aposentasse iria se dedicar a isso. O tempo foi passando e ela ainda trabalhando convidou a mim e minha outra irmã Inez para nos reunirmos uma vez por semana”.
Mara (Esq) com as irmãs Helena e Inez e amigas Tereza e Eni

O resultado dos encontros semanais pode ser visto em lindas peças confeccionadas pelas irmãs e por amigas que, vez ou outra, apareciam: “Nós nos víamos, dávamos boas risadas e ainda fazíamos um lanchinho bem especial. Chegamos a fazer um bazar bem lindo e com muitas  peças artesanais no quintal da casa da Helena”.
Atenção aos detalhes: trabalhos especiais
Com uma pegada sustentável, Mara reaproveita CDs que seriam descartados como base para lindos escapulários de porta: Nossa Senhora, Anjo da Guarda, Espírito Santo, Virgem Maria, Santo Antônio, São Francisco entre outros. “As encomendas acontecem naturalmente. Deixo em exposição na Clínica da Mariana Tavares onde a Juliana Tápias trabalha e as coisas vão acontecendo”.
Há várias opções de escapulários de portas
Nas redes sociais, Mara também compartilha suas criações. E, entre sorrisos e alto astral segue colocando arte em cada retalho adornado por rendas e fitas.

O contato de Mara é: https://www.facebook.com/mara.bonelloperestapias

domingo, 26 de novembro de 2017

QUINTAL DA VILA: MÚSICA E GASTRONOMIA FORAM A CEREJA DO BAZAR DE ARTESANATO

Por Célia Ribeiro

Pouco antes dos primeiros raios de sol se debruçarem sobre a Vila das Artes, as vaidosas bonecas de pano disputavam o espelho com os tecidinhos coloridos, bolsas de patchwork, quadros, cerâmicas, tapetes e uma infinidade de produtos ansiosos para se mostrarem aos visitantes: sábado, 25 de novembro, nem bem amanheceu e a vila foi tomada por diversas tribos levando muita alegria e criatividade na bagagem de mão.

O tradicional bazar de fim de ano da Vila das Artes inovou. Além do artesanato da melhor qualidade, havia espaço para gastronomia, com destaque para a culinária mexicana, doces artesanais, produtos light e diet, além de doces veganos. E como tudo que é bom pode melhorar, a música deu um toque especial, através da cantora Carol Alaby e da oficina de música, utilizando baldes e sucatas, de Augusto Botelho que encantou os pequenos.
Professora Sueli juntou doces deliciosos ao seu artesanato
Criada há 10 anos pela artista plástica Patrícia Garcia Muller Manzano, a Vila das Artes é um daqueles lugares inesquecíveis, que dá sempre vontade de retornar porque o espaço está em permanente transformação. Concebido para as crianças, as mamães também têm vez. Há cursos para todos os gostos: Patchwork, cerâmica, confecção de bonecas, costura para crianças a partir dos oito anos, pintura em tela e em tecido, papietagem, mangá etc.
Patrícia Muller e as bonecas encantadas
A edição 2017 do “Quintal da Vila” reuniu um número grande de participantes. No interior da escola, na construção anexa e no quintal, havia expositores por toda parte. O tempo bom foi parceiro contribuindo para o movimento intenso de visitantes que, entre uma compra e outra, faziam pausas para o lanche se deliciando com os quitutes diferenciados.
Delícias da Leve & Diet de Renata Montolar
fizeram sucesso (Av. Rio Branco, 4 A - Tel. 14 34131590)

Muito feliz com o sucesso do evento, Patrícia Muller explicou que “quem gosta de coisa feita à mão tem algo a ver com a gente, porque a gente está acostumada a trabalhar com isso. As pessoas vão se atraindo. Eu tenho muito prazer de ver as pessoas se encontrarem. Acho que eu descobri um grande prazer na vida e acho que é isso, proporcionar os encontros. Eu queria poder registrar, fotografar, cada encontro que é tão lindo”.
A jornalista Mariana Roncari levou doces veganos. Reportagem sobre
esse trabalho estará na próxima edição do blog dia 01/12
Ela prosseguiu observando a integração entre os diversos expositores e o público: “Eu adoro essa transição. Olha aqui, olha o que ela fez, uma conhecer o trabalho da outra. Tenho um prazer nisso que não dá para descrever”. Patrícia disse que a diversidade tem por objetivo proporcionar “um dia prazeroso em todos os sentidos, proporcionar a conexão e a troca”.
A jornalista Angélica Medeiros apresentou seus doces caseiros (14-98133-4900)
Um dos pontos a destacar foi a presença de quase todas as professoras da Vila: “Alessandra, professora de boneca; Malena, professora de Patchwork; Denise, professora de crochê. Cada uma com seu trabalho, mas teve quem ensina Patchwork e levou biscoitinhos artesanais para vender, como a professora Sueli”, destacou Patrícia Muller. Ela revelou uma novidade: a artista Rossana Cilento, a bordo de um tear, atraiu muita atenção. Ela deve se integrar à Vila, com aulas de tear, em breve.

MARILIA BAUNILHA

A turma da “Marília Baunilha & Patch”, que se reunia toda semana na Vila das Artes,  e  foi registrada neste blog, também estava no bazar. Com alegria contagiante, Irene Martin, Télcia Vernaschi e Maria José Santos (Zezé) contaram que nem a distância diminuiu o ritmo das bauniletes.
Télcia, Irene e Zezé: arte com alegria
É que uma das primeiras integrantes, Maristela Ursulino, se mudou para Bauru e faz questão de estar nos encontros onde fios e linhas costuram, com pontos firmes, a amizade de décadas. “A Marília Baunilha continua firme. Nós nos reunimos todas as quintas-feiras, cada vez na casa de uma e geralmente na casa da Eneida, vulgo Marambaia, para produzir. As nossas reuniões são de muita terapia, muito riso, muito cafezinho e muito bolinho”, contou Télcia Vernaschi, entre gargalhadas.

Na mesa ao lado, Malena Galvão se juntou à animação das bauniletes. Professora de Patchwork, ela foi convidada pela Patrícia Muller a ensinar na Vila. O talento, visível nas belas produções que expôs, tem uma explicação genética: “Minha mãe sempre costurou, sempre bordou, fez roupa de noiva. Acho que quando ela colocava a gente para fazer os alinhavos foi essa a descendência do meu
trabalho”, revelou.
Malena Galvão ensina Patchwork
Ela comentou o interesse pelas artes em uma época de produção industrial em grande escala: “As pessoas se cansaram e o artesanato está em alta. A produtividade das pessoas está sendo muito bacana porque estão se diferenciando, estão se ocupando. Muitas delas já se aposentando e se encaminhando não só para o Patchwork como outras áreas do artesanato”.

Malena Galvão falou sobre os benefícios das aulas: “É muito bacana porque é o encontro das amigas, duas vezes por semana. Você começa a fazer novas amizades, passa os interesses e todo mundo neste horário tomando seu lanchinho e costurando. É gratificante porque você vê que elas passam a gostar. Tem aquelas que chegam sem saber pegar na agulha e depois de dois ou três meses saem produzindo. Elas têm interesse em se ocupar”, finalizou.

NOVIDADES

Mal acabou o bazar de 2017 e Patrícia Muller já tem muitos planos para 2018. Além do bazar do “Dia das Mães”, em maio, há estudos para criação de um evento com trabalhos de crianças com Síndrome de Down, que inclusive tem uma aluna aplicada na Vila, que é a Juliana, e uma feirinha do tipo “vender o que faço” dos trabalhos das crianças que frequentam os cursos da Vila.

Rossana Cilento e seu tear: aulas em 2018
A julgar pela disposição do pessoal, as bonequinhas de pano da Vila das Artes podem começar a pensar nos modelitos novos. Afinal, terão muitas oportunidades para se mostrarem lindas e elegantes quando o novo ano bater à porta.

A Vila das Artes está localizada à Rua Atílio Gomes, 64, próxima à rotatória do bairro Fragata. Para ler o que já publicamos sobre a Vila, acesse: Marília Baunilha, Vila das Artes e Reciclagem para crianças

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

QUINTAL DA VILA: EVENTO REUNE ARTESANATO, MODA, GASTRONOMIA, MÚSICA E ARTE

Cartaz do evento
Por Célia Ribeiro

Acontece neste sábado, 25, o Bazar "Quintal da Vila". A cobertura completa será publicada no fim de semana, com fotos e entrevistas do evento.

Neste blog, o leitor pode conhecer um pouco sobre a Vila das Artes, clicando nos links: Marília Baunilha e Patch sobre o grupo incrível que se dedica ao artesanato e à amizade, não necessariamente nesta ordem. E ainda: Aproveitamento de recicláveis  e Consumo Consciente pelas crianças.

As primeiras reportagens foram publicadas no Correio Mariliense, em 2.011. De lá para cá, várias matérias foram publicadas sobre este espaço onde a criatividade e a imaginação não têm limites. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

SENAC Marília: evento gratuito debate diversidade no cotidiano do trabalho social

Evento gratuito debate diversidade no cotidiano do trabalho social
O Senac Marília realiza, na próxima terça-feira (21), o evento Sala Social: Reflexões e Diálogos, com o objetivo de promover um espaço de debate e aproximação entre os diferentes setores sociais sobre as demandas e tendências das novas tecnologias. A atividade contará com uma palestra sobre a diversidade e as dinâmicas de convivência a partir de questões relacionadas ao desenvolvimento humano e à constituição de seus direitos para contribuir com a minimização das vulnerabilidades e a disseminação das práticas sociais.
O debate é aberto ao público e destinado, principalmente, a profissionais da área de gestão, recursos humanos e desenvolvimento social de empresas públicas e privadas. Durante a atividade será feita uma exposição dialogada, com dinâmica e roda de conversa sobre as diversidades encontradas no ambiente de trabalho social, suas consequências e desdobramentos. Para participar da atividade, as inscrições devem ser feitas pelo Portal Senac www.sp.senac.br/marilia.

Serviço:
Palestra: Diversidade no Cotidiano do Trabalho Social
Data: 21 de novembro de 2017
Horário: das 13h30 às 15h30
Local: Senac Marília
Endereço: Rua Paraíba, 125 - Centro
Informações: www.sp.senac.br/marilia

Fonte: ComTexto Comunicação Corporativa

domingo, 19 de novembro de 2017

AFROFEST: PROJETO DIFUNDE CULTURA E DESENVOLVE A AUTOESTIMA DAS CRIANÇAS

Por Célia Ribeiro

Um projeto social, iniciado há cinco anos em Marília com o objetivo de difundir a cultura negra, ganhou nova dimensão ao extrapolar o binômio moda e beleza para atuar no desenvolvimento da autoestima, sobretudo das crianças. O Afrofest teve seu ápice neste fim de semana, com os concursos Miss e Mister Beleza Negra das escolas estaduais, desfile Top Kids e Teens (sexta-feira) e Concurso Miss e Mister Beleza Negra 2017 (sábado).
Cartaz do evento 2017

No entanto, o trabalho começou em fevereiro com a inscrição das crianças e jovens que chegaram ao Afrofest cheios de expectativa. Quem explica é Denise Campos Justino,  uma das voluntárias que mesmo após deixar uma das coordenadorias na Secretaria Municipal da Cultura, onde atuou por vários anos, transpira entusiasmo pela causa.

Ela contou que a ideia surgiu quando seu filho Jairo e alguns amigos questionaram a existência de eventos das comunidades italiana, portuguesa, árabe e japonesa, enquanto não se fazia nada alusivo à comunidade negra. “Queríamos, desde o início, trabalhar a questão da beleza, da autoestima, porque o negro, tanto a criança como o jovem, não se olha no espelho e fala ‘eu sou negro’. Diz sou mulato, puxei mais para a minha mãe, fica aquele colorismo. Ele tem que se reconhecer negro primeiro e, segundo, sou negro e sou bonito”, destacou.
Abertura do evento (17/11): Denise Justino é a primeira à esquerda
Denise explicou que o Afrofest teve início com o concurso, em 2014. A partir do segundo ano, chegaram as primeiras crianças. Hoje, 60 delas se reúnem com a equipe, no último sábado de cada mês, no Espaço Cultural: “Com a criança a gente trabalha de forma lúdica. Não fico falando do racismo, do preconceito”, assinalou.

A ativista cultural recordou o dia em que  abordou a controversa questão capilar: “Sabe porque nosso cabelo é assim? Porque lá na África, se você tiver o cabelo totalmente liso vai cozinhar seu cérebro”. Com essa naturalidade no falar, os cinco voluntários tratam de temas recorrentes visando elevar a autoestima das crianças e jovens negros que passam a ter orgulho da sua pele e do seu cabelo.
“A coisa mais grata é quando uma mãe chegou e disse que a filha tinha vergonha de ser negra; que depois que entrou no Afrofest ela adora ser negra, se acha linda e empoderada e vai para a escola com o cabelo solto”, prosseguiu. Conforme disse, “o preconceito existe quando a gente não conhece. Tudo o que a gente vai falando, elas vão assimilando porque criança é um coração aberto para tudo”.

Nos encontros do grupo, os voluntários “ensinam sobre o estudo da África. A gente fala sobre africanidade, sobre identidade racial porque tem muita criança que o pai é negro e a mãe é branca ou ao contrário”, acrescentou.
Denise e as meninas do Afrofest

Denise Campos Justino frisou que as crianças que participam do projeto “não são crianças de risco,  são crianças negras, assim como as jovens dos concursos. Temos algumas que moram na periferia, mas a maioria é de universitárias”. No dia 04 de novembro, houve um encontrão entre as crianças e os participantes dos concursos de beleza negra. “As meninas vendo aquelas negras lindas, algumas de tranças, desfilando, se inspiram. Eu quero que elas olhem e digam: olha lá, deu certo. Não são prostitutas, não estão pedindo”, observou.

Ela coleciona histórias emocionantes que dão novo fôlego à equipe Afrofest para continuar desenvolvendo o projeto, como a mãe de uma das meninas que revelou: “Minha filha mudou completamente. Até as notas estão melhores”. Para Denise, “não tem dinheiro no mundo que pague”. 

REFERÊNCIA NEGRA

Filha do ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Nadir de Campos, Denise recordou a época escolar no famoso colégio particular que frequentava: “Não havia um colega negro, uma professora negra, nada que eu quisesse ser negra. Só tinha branco. Éramos só eu e minha irmã. Não tinha referência nenhuma”.

Prosseguindo, ela observou que “todo negro um dia tem um start e fala: sou negro, mesmo. O gordo emagrece, o japonês pode fazer uma cirurgia para abrir o olho, o ruivo pode ficar moreno, mas o negro é negro e acabou. Sou negro, mas tenho meus direitos e meus deveres. Não é aquele negócio de orgulho negro, porque nós somos negros, somos maravilhosos, não somos melhores que ninguém; isso que eu quero passar para as crianças, a questão da igualdade”.

Denise Justino fez questão de frisar que o Afrofest não envolve credos: “A gente não trabalha com questão de religião porque não dá certo. Nada que venha imposto de religião ou de partido político dá certo”. Ela revelou que houve pressão para incluir religião de matriz africana como o candomblé, mas não cedeu.
Tássia  eleita Princesa Beleza Negra em 18/11 com Diego Antônio (2º Mister)
“Quando a criança vem se inscrever não tem campo religião na ficha. Pode ter criança do candomblé, espírita, católica, evangélica. Eu sou evangélica, mas nunca chamei meu pastor para vir orar para as crianças, nunca peguei grupo de dança da minha igreja para colocar aqui.
Às vezes, querem jogar todo negro em uma vala comum, como se todo negro tivesse que ser de matriz africana”, disse, lembrando que visitou a África, recentemente, onde sua filha foi estudar e viu muçulmanos, católicos e evangélicos convivendo harmoniosamente.

PROGRAMAÇÃO

Denise Campos Justino falou, ainda, sobre a parte cultural do Afrofest que se inicia em fevereiro, começa a ter mais foco nos concursos em julho, quando são abertas as inscrições, mas também tem a parte de dança e música: “hip hop, street dance, capoeira, maculelê, happy, samba, pagode, porque é uma coisa universal”.

Durante o ano são desenvolvidas ações de cidadania: a conselheira do Conselho Estadual da Condição Feminina, Rossana Camacho, proferiu uma palestra às concorrentes do Miss Beleza Negra sobre o enfrentamento à violência. “Nossa preocupação é cultural, de empoderar essas meninas através do conhecimento. Fizemos a campanha de doação de sangue que leva cidadania, princípios e valores”.

A Campanha “Sangue Muito Bom”, levou dezenas de doadores do Afrofest e apoiadores do projeto ao Hemocentro, no último dia 11, como Tássia Camilo Barbosa, 28 anos, programadora de produção e candidata à Miss beleza Negra: “Achei a campanha extremamente importante. As pessoas precisam de empatia, a gente se colocando no lugar do outro. Tem muita gente precisando e não custa nada. É um ato muito bonito. A gente tem que doar mesmo”.
Tássia foi uma das doadoras de sangue


Com um sorriso iluminando o rosto, Tássia afirmou que “as pessoas precisam conhecer sobre o que é a nossa cultura, a nossa cor. Tem muita gente que acha que é bonito e gosta dos nossos turbantes, das nossas cores, mas não entende. Espero que com o projeto, o concurso, enfim, a gente consiga levar informações para as pessoas e não só o visual. As pessoas precisam conhecer um pouco da nossa cultura que é magnífica”.

APOIADORES

Realizado pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Cultura de Marília, juntamente com a equipe Afrofest, o evento teve o apoio dos seguintes patrocinadores: Banco Bradesco, Microlins, MegaEasy, FAIP, ONG Afrobras, Faculdade Zumbi dos Palmares (São Paulo), Hill Fashion e Estylo New.

GRITO DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Acontece neste domingo (19), a partir das 15 horas, na praça do Tiro de Guerra de Marília (zona norte), o Grito da Consciência Negra, em homenagem ao “Dia da Consciência Negra” comemorado no dia 20 de novembro. O evento tem apoio da Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Cultura.

Segundo informações publicadas no blog da Secretaria da cultura, “o Movimento Negro de Marília está composto por representantes de segmentos da juventude, religiões de matrizes africanas, carnavalescos e grupos da diversidade de Marília e que se reuniram para pensar e propor atividades que valorizem a comunidade negra em regiões que carecem dessas oportunidades culturais e artísticas na cidade de Marília”, explicou Luciano Cruz, da Comissão Organizadora do evento.

Aberto ao público, o evento conta com oficinas, feira de gastronomia, exposições, rodas de conversa, capoeira, dança e música.



sábado, 11 de novembro de 2017

CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS: EXEMPLO VEM DE CASA NA ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS

Por Célia Ribeiro

Devido ao horário de verão, os últimos raios de sol ainda desfilam pelo tapete verde do campo de futebol quando se ouve o burburinho anunciar a chegada dos primeiros craques: é dia de disputa acirrada na Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília e Região (AEA). O que poucos sabem é o segredo de manutenção do gramado: a água abundante da natureza captada e armazenada em um sistema bem planejado sob a varanda no entorno da construção principal.
Água da chuva garante a irrigação sem custos
Na sede de mais de mil metros quadrados localizada em área privilegiada nas imediações do Esmeralda Shopping, a Associação mostra que o exemplo vem de casa. Quando foi concebida, a construção previu utilizar elementos que remetessem à preservação ambiental e ao baixo consumo de energia. Das econômicas lâmpadas de LED presentes no imenso salão social ao uso das águas pluviais, o projeto focou na sustentabilidade ambiental.
35 mil litros de água armazenados sob a varanda
Segundo o presidente licenciado da AEA e presidente em exercício do CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), engenheiro Edson Navarro, “desde a concepção do prédio, tratamos da captação da água da chuva. Embaixo da varanda temos cinco caixas de 7.000 litros cada. São 35 mil litros que a gente usa de água da chuva para irrigar o campo”.

Com uma vasta área de 6.228 metros quadrados repleta de jardins, além do campo de futebol, a sede da entidade demanda uma grande quantidade de água. Mesmo com a capacidade de 35 mil litros de armazenamento, em períodos de estiagem é necessário lançar mão da água potável da rede abastecida pelo DAEM.
Cinco caixas de 7.000 litros no subsolo

Para Edson Navarro, o exemplo da AEA de captar, armazenar e utilizar a água da chuva é uma tendência irreversível, assim como outras soluções que geram economia com baixo impacto ambiental: “Na área de arquitetura não se pode pensar em uma instalação se não pensar nela com energia solar, aquecimento de água por energia solar, reaproveitamento de água da chuva, gerar energia na sua casa com sistema fotovoltaico”.

Engenheiro Edson Navarro

Conforme disse, “é uma tendência que o mercado nacional vai partir para isso, mesmo porque o custo da energia elétrica subiu. Tem o problema dos reservatórios porque, a cada dia que passa, temos menos água”, frisou o engenheiro eletricista.
Com mais de 300 associados, a entidade promove muitos eventos
Finalizando, ele informou que existem estudos para desenvolver um projeto piloto em condomínios horizontais visando a captação da água da chuva para distribuição às residências em uma rede separada da rede de água potável. “Para fazer um sistema individual fica caro, ao contrário de fazer no condomínio todo e distribuir a água captada da chuva para irrigação de jardins, por exemplo”.

Lâmpadas de LED nas instalações: de olho na economia

Espelhando-se em iniciativas inovadoras, como no Japão, a expectativa é que as soluções baseadas nas construções sustentáveis deixem de ser exceção e se tornem mais comuns daqui para frente.

ESPECIALISTA DARÁ TREINAMENTO

Nos dias 01 e 02 de dezembro, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília e Região promoverá um treinamento sobre “Construções Sustentáveis” em sua sede à Rua Mecenas Pinto Bueno, 1207, com o engenheiro civil Fernando de Barros, especialista em planejamento e gestão ambiental pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro e mestre em engenharia de edificações e saneamento pela UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Construções sustentpáveis são tendência irreversível
A programação do evento, que tem o apoio do CREA-SP, inclui: impactos ambientais provocados pela construção civil; como é a construção hoje no Brasil; como saber se a construção é sustentável; práticas adotadas para diminuir os impactos ambientais; sistemas de certificação para construções etc.

A presidente em exercício da Associação, engenheira Claudia Sornas Campos, afirmou que “a AEA de Marília cumpre o seu papel de integrar e valorizar os profissionais promovendo cursos de atualização como este voltado para o aperfeiçoamento das técnicas em construções sustentáveis”. Ela concluiu assinalando que “será um momento muito apropriado para a troca de experiências e agregar novos conhecimentos”.

Para outras informações e inscrições, os interessados devem entrar em contato pelo telefone (14) 34336024. Associados da AEA têm desconto e pagam 30 reais, não sócios 100 reais e  universitários pagarão meia inscrição no valor de 50 reais.

(Fotos: Ramon Barbosa Franco/AEA)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

HORTAS VERTICAIS, JABUTICABEIRA EM VASOS: A NATUREZA PEDE PASSAGEM ONDE FALTA ESPAÇO.

Por Célia Ribeiro

Poucas lembranças da infância são tão marcantes quanto as incursões aos pomares, comuns há três ou quatro décadas, em grande parte das residências do interior. O esforço para subir na jabuticabeira, equilibrando-se nos galhos que cediam, provocando tombos de todo tipo, era recompensado pelo prazer de sentir o espocar da frutinha doce, de casca fina e escura, na boca.
Jabuticabeira em vaso, temperos nas bacias: verde é vida!
Em tempos modernos, escalar a jabuticabeira exige muito mais esforço para as crianças crescidas. Mas, nem tudo está perdido: graças à evolução da genética, é possível saborear as frutinhas o ano inteiro. Espécies híbridas podem ser cultivadas em vasos exigindo apenas muita água e sol. No quintal, nas casas de proporções cada vez menores e até nas varandas dos apartamentos, as jabuticabeiras reinam como nunca.
Frutas o ano todo

O relato é da arquiteta e paisagista Aglays Damaceno, reconhecida pela qualidade dos projetos de hortas (verticais, em vasos e até em bacias) e pomares com frutíferas que crescem pouco e já chegam às casas produzindo frutos. Em 2.012, este blog fez um perfil da profissional, conhecida como a “Menina do Dedo Verde”, em alusão ao clássico francês de Maurice Druon.

Nestes cinco anos, além do aprimoramento profissional, Aglays mantém-se focada em recuperar tudo que for possível, como as orquídeas que, vez ou outra, clientes descartam e ela recolhe ao “Pronto-Socorro” das plantas em que, pacientemente, zela para que possam florescer novamente.

Aliás, em sua confortável residência, a paisagista aproveita para fazer experimentos. Nos últimos dias, por exemplo, ela está testando o orégano como forração em um vaso no jardim de inverno. “Até agora está pegando sol forte e está aguentando. Vou esperar um pouco mais para ver como fica para indicar como opção aos meus clientes”, explicou.

Segundo ela, a procura por jardins em residências novas ou após reforma sempre teve boa demanda. No entanto, há alguns anos, além de flores e plantas, os clientes têm procurado projetos para mini hortas. Com pouco espaço, as opções são inúmeras: bacias com temperos (salsinha, cebolinha, tomilho, manjericão, alecrim e hortelã), passando pela instalação de vasos nas paredes até o plantio de frutíferas que crescem pouco e produzem muito.
Aglays no jardim de inverno de sua casa: local de experimentos
“Noto que as pessoas estão investindo mais na qualidade do que consomem. Cozinhar é motivo para reunir a família e os amigos. Por isso, todo mundo quer ter os temperos ao alcance das mãos, seja na cozinha gourmet ou na área da churrasqueira”, comentou Aglays. Conforme disse, a falta de espaço não é um impedimento.
Entre as flores, as orquídeas são as mais solicitadas
Ela explicou que ao ser procurada, marca uma visita ao local e conversa com os clientes para saber suas expectativas. A partir daí, elabora o projeto e, após a aprovação e eventuais ajustes, passa à fase da execução supervisionando cada detalhe que é compartilhado, via fotos no WhatsApp, com os interessados.
Maçã no quintal

De acordo com a paisagista, a manutenção das hortas domésticas é bem simples: “Não exige muita coisa, além de água. Precisa estar em um local onde bata sol de uma a duas horas por dia. Conforme vai colhendo os temperos, eles vão brotando. E se morrerem, após um tempo, é só replantar”.

Sobre as frutíferas, Aglays mostrou toda orgulhosa a primeira maçã do seu mini pomar em vaso. “A muda veio cheia de flores. A maçã nasceu e começou a crescer. Mas, estou com dó de comer”, disse rindo. Agora, a expectativa está no pé de limão siciliano adquirido recentemente.

Sobre as jabuticabeiras, ela explica que é uma preferência nacional: “A maioria quer. Já coloquei vasos perto de piscina, mas também em varandas de apartamento. Com baixo investimento dá para ter essa lembrança da infância em casa”. No mercado, a partir de 100 reais, já é possível encontrar plantas produzindo.

Os cuidados são: instalar um dreno de dois centímetros de diâmetro no fundo do vaso (50 por 50 cm), adicionar uma camada de cinco centímetros de argila expandida ou pedra britada, sem tampar o orifício, cobrir com um pedaço de manta acrílica seguida de camada de areia grossa. Depois, basta colocar a terra preparada (à venda em lojas especializadas) e plantar a muda. Aglays também costuma cobrir a terra com cascas de árvores para manter a umidade.
Falta de espaço não é desculpa: sempre é possível ter uma mini horta
Ao longo dos anos, a paisagista coleciona histórias tocantes, como a da horta que fez para uma família na região. Quem queria muito era o marido, que faleceu. A viúva, em sua homenagem, pediu que Aglays fizesse a melhor horta que conseguisse no quintal da residência. Missão cumprida. “Certamente, quando essa senhora for cuidar dos legumes e verduras terá muitas lembranças”, finalizou.

Para ler a reportagem de 2012 com a paisagista, clique aqui. Para contata-la o e-mail é: aglays@gmail.com Rede Social: https://www.facebook.com/aglays.damaceno 

Profissionais do Ano: AEA apresenta agrônomo, engenheiro e arquiteta eleitos pela classe

Por Célia Ribeiro

Com quase 400 membros, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Marília (AEA) escolheu, pelo voto dos seus associados, os “Profissionais do Ano 2017”. Na noite de quarta-feira (01), foram apresentados à imprensa o engenheiro agrônomo Osmar Reis, o engenheiro eletricista Moyses Dalan da Silva e a arquiteta Ana Beatriz de Paula Menin.
Osmar Reis, Ana Beatriz Menin e Moyses Dalan: homenageados
Na sede projetada para gerar o menor impacto ambiental possível, incluindo a captação da água da chuva para irrigação do campo de futebol, a Associação recebeu a diretoria, jornalistas e convidados que puderam conhecer melhor os eleitos. Segundo a presidente interina, Claudia Sornas Campos, a homenagem é muito democrática: pela internet, os associados votam nos nomes que consideram ter se destacado em suas áreas de atuação.

“Eu dou muito valor a esse prêmio porque são os próprios profissionais que votam. Então, eles que reconhecem o valor, o que é muito importante”, afirmou a presidente. Ela destacou a escolha deste ano: o experiente agrônomo Osmar Reis, o engenheiro eletricista Moyses Dalan que já presidiu a entidade e tem uma trajetória profissional de sucesso e a arquiteta Ana Beatriz de Paula Menin que “apesar de nova, está despontando com trabalhos notáveis”.
Diretoria da Associação e os profissionais do ano eleitos em 2017
Por sua vez, o presidente do CREA/SP (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), engenheiro eletricista e engenheiro de segurança do trabalho, Edson Navarro, falou da alegria de reunir a categoria para homenagear os colegas.

SUSTENTABILIDADE

Para a arquiteta Ana Beatriz Menin, que retornou a Marília há 4 anos, após atuar em importantes projetos em grandes centros, a premiação foi recebida com surpresa: “Ter esse olhar das pessoas que você admira, profissionalmente, e ser escolhida como destaque, é uma coisa muito forte”, assinalou.

Antenada com seu tempo, ela contou que procura participar de cursos, feiras e eventos para se manter atualizada. Sobre o aumento do interesse por projetos com pegada sustentável, a arquiteta disse que “é o futuro. Hoje temos materiais 100 por cento ecológicos”. Entretanto, reclamou dos altos preços que inibem uma maior expansão do segmento.
Sustentabilidade na sede da entidade (Foto: site AEA)

Ainda na área de inovação, Beatriz Menin comentou sobre a chegada da portaria remota aos condomínios do interior: “Acho que nosso estilo de vida tem mudado muito de uns tempos para cá. É muito comum essa tecnologia, há muitos anos, nos Estados Unidos. E a gente tem aceitado um pouco mais essa ideia”. Ela ressalvou que os projetos devem prever essa alternativa no futuro: “O que tenho sugerido, como não se sabe a tendência do mercado, é já deixar preparado”, embora também considere importante o serviço da portaria presencial.

Quando se fala em sustentabilidade ambiental, o engenheiro eletricista Moyses Dalan é referência. Feliz por ter sido eleito um dos profissionais do ano, ele comentou os avanços no uso das energias fotovoltaica (solar) e eólica (ventos) em projetos residenciais, comerciais e industriais. “Esta é uma coisa muito forte no mercado”, disse, citando que o alto custo da energia elétrica, em função da escassez de água dos reservatórios, tem impulsionado as pesquisas no sentido de se obter alternativas viáveis economicamente.

Os investimentos ainda são altos, ressaltou o profissional, acrescentando que à medida em que houver mais demanda, os preços devem cair possibilitando que um número maior de projetos possa ser executado com fontes alternativas de energia.

As soluções de sustentabilidade aplicadas na sede da Associação dos Engenheiros e uma reportagem sobre projetos que usam energia fotovoltaica e eólica serão abordados neste blog, nas próximas semanas. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AURORA BOREAL: PONTE PARA A REINSERÇÃO SOCIAL DE MULHERES DEPENDENTES QUÍMICAS

Por Célia Ribeiro

Na ensolarada manhã de sábado, com a primavera soprando, suavemente, os primeiros ventos da nova estação, um refúgio encrustado na zona oeste de Marília teve sua habitual tranquilidade interrompida pelo badalar de um antigo sino. O som inconfundível, que fazia as vezes da campanhia, anunciava a chegada dos visitantes à Aurora Boreal, obra conduzida pelas Irmãs Missionárias de Nossa Senhora de Fátima com o objetivo de reinserir, na família e na sociedade, as mulheres que passaram por tratamentos de dependência química.
O badalar do sino anuncia as visitas

Para entender a importância desse projeto, é preciso retroceder no tempo e contar a trajetória da Irmã Santa Mendes da Silva, assessora da Pastoral da Sobriedade, assessora eclesiástica da Pastoral Diocesana e presidente da obra. De sorriso fácil e olhar expressivo, Irmã Santa parece levitar em seus trajes azuis enquanto explica esse trabalho inovador.

Missionária no exterior por 28 anos, dos quais 23 anos vividos na Itália, 03 anos na Dinamarca e 02 anos em Israel, Irmã Santa retornou ao Brasil em 2.008 para trabalhar na Comunidade Terapêutica de Tupã voltada ao tratamento de dependentes químicos do sexo masculino. Durante sua jornada, preparou-se cursando Assistência Social, Filosofia e Teologia, o que lhe rendeu bagagem suficiente para o trabalho espiritual na comunidade onde também levou sua alegria e seu tempero inconfundível para a cozinha.

Em Tupã, a convite do Bispo Emérito D. Osvaldo, Irmã Santa iniciou o trabalho com entusiasmo juvenil. Mas, com o passar do tempo, foi tomada por uma inquietação diante dos quase 40 internos atendidos: “Eu estava responsável pela espiritualidade e sentia uma angústia nos rapazes quando se aproximava a saída deles. Tem os que não querem voltar para casa. E tem a família que não sabe como lidar e já deu situação de abandono”, confidenciou com o semblante fechado.
Irmã Santa (centro) preside a Aurora Boreal
Foi daquela situação que Irmã Santa acredita ter brotado a ideia da Aurora Boreal. Afinal, após passar pelas comunidades terapêuticas ou clínicas de reabilitação para desintoxicação, os dependentes químicos, tanto homens como mulheres, precisam encontrar pontes para transitarem, em segurança, de volta ao meio da família e da sociedade.

PROVIDÊNCIA DIVINA

O local onde funciona o Centro de Apoio Aurora Boreal da Associação das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora de Fátima pertence ao Estado e foi cedido para o desenvolvimento de projetos sociais em 2.004. Segundo a presidente da obra, em 2010, houve uma tentativa frustrada de trabalho com adolescentes: "Com tanta tecnologia, poucos se interessam por trabalhos manuais”, disse ao justificar a desativação da iniciativa.
Instalações simples em meio à natureza: refúgio para o recomeço
Em 2.011, com o aval da Congregação das Irmãs Missionárias, teve início o projeto de reinserção social para dependentes químicos do sexo masculino em que a casa abrigava residentes egressos de comunidades terapêuticas. Eles participavam de atividades esportivas, laborterapia, psicologia individual e em grupo, realizavam artesanato, cuidavam da horta e tinham os momentos para estudos e a espiritualidade. Ao todo, 56 homens foram assistidos nos seis anos seguintes.
Laborterapia: a horta também garante verduras e legumes frescos 
A nova fase, com a oportunidade de atender exclusivamente as mulheres, teve início em setembro de 2017 diante da constatação de que há poucas iniciativas voltadas para a reinserção das dependentes químicas. A casa poderá abrigar até seis residentes, mas começará com três vagas diante dos custos de manutenção e da disponibilidade de trabalho voluntário das irmãs que permanecem 24 horas, em sistema de revezamento, junto às assistidas.

“A Aurora Boreal é um fenômeno da natureza porque só Deus consegue fazer aquela maravilha toda. E nós acreditamos que, na dependência química, esse novo despertar é uma Aurora Boreal na vida da pessoa”, comentou Irmã Santa enquanto mostrava as instalações da entidade.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Na visita à Aurora Boreal, a conselheira do Conselho Estadual da Condição Feminina e delegada aposentada, Rossana Rossini Camacho, e a assistente social Cássia Giandon que atuou na Delegacia de Defesa da Mulher, foram recebidas pelas irmãs da Congregação e pelos diretores da entidade: Manoel Francisco Otre (secretário diocesano), Claudemir Messias dos Santos (tesoureiro diocesano), Zenin Gasparoto (membro da Pastoral da Sobriedade) e Fátima Aparecida da Silva Domingos.
Roda de conversa: Rossana Camacho falou sobre políticas públicas
Sob a sombra das árvores naquele ambiente bucólico, Irmã Santa conduziu a roda de conversa que contou com a presença da primeira residente: Adriana, 51 anos. “Essa é uma causa válida, necessária e está dentro de Marília onde existe a demanda”, iniciou Rossana Camacho. Conforme disse, “a sociedade precisa fazer o seu papel e o poder público se juntar para que essa obra siga em frente”.
Fátima, Rossana e Cássia com as irmãs missionárias
A conselheira estadual afirmou que trabalha “com políticas públicas para mulheres e isso é uma das políticas: trabalhar com a mulher em situação de violência. A mulher dependente química está exposta, é mais vulnerável que os homens. Tem a questão da gravidez, da facilidade de conseguir a sua droga. Então, isso aqui é necessário e temos que nos mobilizar”, acentuou.
Irmã Santa na cozinha: ambiente acolhedor
Para Zenin Gasparoto, que há muitos anos atua na área, “esse é um trabalho sério, mas tem pessoas que não acreditam. Lido com isso 24 horas porque, para a sociedade, é mais fácil julgar, criticar e condenar do que estender a mão. As pessoas acham que é uma perda de tempo, que não tem solução”.
Um dos quartos da instituição
Irmã Santa ressaltou que a Aurora Boreal não realiza tratamento para dependência química, atuando na reinserção social para que ex-usuários não retornem ao álcool e às drogas. Rossana Camacho complementou lembrando que “o que está se fazendo é quebrar a corrente da violência. Depois do tratamento é preciso fazer com que essas mulheres voltem a ter uma vida normal resgatando sua dignidade e isso é mais difícil”.
O colorido de uma  das salas da entidade
Zenin afirmou que “a família está tão doente quanto o usuário. Por isso, a obra faz o trabalho com a família para o resgate”. Neste sentido, a religiosa afirmou que “a casa é disponível para acolher a família a qualquer momento que quiser visitar. Nossos residentes estão voltando para a sociedade, trabalham, fazem cursos, mas vivem aqui. Somos a segunda família”.

VÍCIO AOS 14 ANOS

Aos 51 anos, órfã e com uma única irmã residindo no exterior, Adriana foi a primeira residente da nova fase da Aurora Boreal. Demonstrando um pouco de dificuldade para se expressar, devido aos medicamentos, ela tem uma curadora que a encaminhou para o projeto e tem se revelado um “anjo da guarda”.
Adriana: confiança no recomeço


Aos 14 anos conheceu o primeiro vício: o cigarro. Em seguida, experimentou álcool, maconha, cocaína, crack e tudo o que pudesse chegar às suas mãos. Pela situação financeira da família, conseguiu acesso aos tratamentos, mas logo recaía. Adriana contou que chegou a beber álcool gel em uma fase de abstinência severa e que, mesmo com cuidadoras por perto, conseguia um jeito de driblar a vigilância e voltar às ruas em busca de mais drogas.

Ao contar sua história, ela disse que, pela primeira vez, participava de um trabalho de reinserção após sair da fase de desintoxicação. Adriana ainda não pode sair sozinha, mas revela uma incrível vontade de superação: “Quero melhorar minha saúde, fazer academia, cuidar dos meus dentes”, contou.

Enquanto caminhava mostrando seu quarto cuidadosamente arrumado, Adriana recordou com tristeza as fases difíceis que enfrentou: “Teve uma vez que a comunidade em que eu estava, com umas 300 pessoas, foi lacrada. A gente era trancada em quarto escuro, sem banheiro e obrigada a fazer trabalho pesado”.
A capela está sempre aberta e a entidade recebe pessoas de qualquer religião
As memórias tristes ela tenta apagar com a esperança de que, finalmente, terá o poder de escrever uma nova história: “Acordo bem cedo, cuido dos morangos, da horta, me ocupo aqui. É um lugar que dá paz, que é o que todo mundo precisa”, finalizou.

CONTATOS

Para saber mais sobre a Aurora Boreal ou contribuir com o projeto, entre em contato no e-mail: auroraborealmf@gmail.com ou telefone (14) 33064354. A entidade localiza-se à Rua Antônio Dantas, 135, Quadra N no Jardim América, em Marília/SP.