domingo, 8 de julho de 2018

COWORKING: OS BENEFÍCIOS DO COMPARTILHAMENTO DE ESPAÇOS

Por Célia Ribeiro

A vontade de empreender, de ser dono do próprio negócio ou de ter uma segunda atividade profissional esbarra, quase sempre, na burocracia oficial e nos altos investimentos que jogam por terra muitos sonhos na fase de germinação. No entanto, um conceito muito difundido nos grandes centros do mundo inteiro começa a chamar a atenção nas cidades do interior do Brasil que apostam no Coworking como alternativa para o uso racional da infraestrutura e do espaço necessários aos negócios.
Arquiteta Mary Motta na sala que compartilha no Espaço 96
Em Marília, o Espaço 96 foi a primeira iniciativa neste sentido. Fundado há cinco anos pela advogada Adriana Tognoli, é o local de compartilhamento para profissionais liberais e empresas, principalmente as localizadas em outras regiões e que necessitam de um ponto de apoio para recrutamento de pessoal, treinamento  de equipe e reuniões de trabalho.

Localizado no Bairro Fragata, o Espaço 96 possui um auditório com capacidade para 30 lugares, e outras 12 salas além de uma área externa com jardim muito utilizado principalmente para gravações de vídeos institucionais e educativos. Pelo Coworking passam, diariamente, profissionais das áreas de Arquitetura, Engenharia, Contabilidade, Psicologia, Nutrição, Ortóptica, além de sediar uma Construtora e uma escola de inglês, entre outros.
Adriana Tognoli (em pé) fundou e dirige o Coworking
Segundo a coordenadora do Polo de Ensino à Distância da UNAR (Centro Universitário de Araras) que também funciona no local, Carla Djurskovic, existem soluções sob medida para todas as necessidades. Do profissional que precisa de uma sala para atender um cliente, e que contrata uma hora ao custo de 30 reais, àqueles que preferem montar pacotes mais em conta para utilizarem o espaço e toda a infraestrutura por várias horas durante o mês.

“A pessoa não precisa pagar aluguel, condomínio, contratar recepcionista, pensar na faxina, no café, na internet, na conta de luz, enfim, em tudo o que demanda se estivesse em um espaço só seu. E quando entra de férias, não paga nada. Só vai pagar quando usar o espaço”, exemplificou Carla.
Empresas usam o local para reuniões e treinamentos
A fundadora e diretora do Espaço 96, Adriana Tognoli explicou que recebeu a casa  por herança e, após estudar várias alternativas, optou pelo Coworking exatamente porque gostaria de ver pessoas compartilhando o lugar, ainda que soubesse os desafios que enfrentaria até tornar o conceito conhecido do público.

Ela afirmou que “o mais difícil é ensinar a usar o Coworking, porque a partir do momento que a pessoa sabe usar ela não quer outra coisa. Nas cidades do interior, é um pouco mais difícil de desbravar. As pessoas gostam de ter seus escritórios, aquela tradição do advogado que fica com a Banca que foi do pai, ou o médico que fica com a clínica que foi do pai. Tem uma dificuldade de entender que o conceito Coworking não faz você menor ou maior que ninguém. Ao contrário, ele é sustentável porque ele reúne muitas pessoas que podem ser de atividades diferentes em que a troca de experiências é maravilhosa”.
Arquitetas que montaram uma construtora
HOME OFFICE

O conceito de escritório em casa (home office) pode se beneficiar do compartilhamento do Coworking, como contou a arquiteta Mary Motta. Ela disse que mantinha um escritório em sua residência, mas sentia a necessidade de privacidade. E assim, foi uma das primeiras coworkers (cotrabalhadora) a adquirir pacotes mensais de horas utilizando uma sala no Espaço 96 para atender seus clientes.

Os clientes podem escolher a sala que melhor atenda sua necessidade
“Quando eu vim, eu nem sabia o que era Coworking. Achei o espaço lindo, a localização privilegiada e a Adriana me recebeu com muito acolhimento, entendeu minha necessidade. Só atendo meus clientes aqui e em cinco anos eu fiz muita coisa bacana porque aqui a gente convive com outros parceiros”, assinalou. Ela citou vários trabalhos que desenvolveu para outros coworkers, na área de arquitetura, acrescentando que também foi aluna de inglês da professora Rosana Cabral e recorreu aos conhecimentos jurídicos de Adriana Tognoli.
No hall de entrada os detalhes da decoração 
No caso da escola de inglês, Rosana Cabral explicou que utilizava, inicialmente, algumas horas para atender alunos particulares já que trabalhava, na época, em uma escola de idiomas nas proximidades. Era uma renda extra. Aos poucos, percebeu que poderia se estruturar naquele espaço, formando turmas e partindo para outras áreas como a de palestras que tem ministrado, sem ter feito um aporte de recursos próprio dos novos negócios.

A professora de inglês comentou que “se fosse locar um lugar, mobiliar, estruturar, eu teria muitas despesas e não teria condições de abrir. Aqui encontrei uma solução fácil e prática para dar o primeiro passo”. Hoje, através dos pacotes de uso, montou turmas em uma sala maior, e mantém um outro emprego enquanto continua a inovar: “Queria que a escola fosse um centro de compartilhamento” e assim, já estão sendo proferidas palestras “baseadas em técnicas de como o cérebro faz para aprender e técnicas práticas para aplicar no dia-a-dia. Surgiram outras ideias, como administração de tempo, procrastinação etc”, adiantou.
No auditório são realizadas palestras e cursos
Por sua vez, o nutricionista Leonardo Sugui explicou que é coworker há seis meses e a opção foi “pela praticidade que o espaço traz, porque a gente vem, atende e não precisa ficar aqui o dia inteiro, tem mais liberdade que é importante principalmente no início de carreira. É um lugar bacana em que me encaixei”.
Leonardo Sugui, nutricionista
Adriana Tognoli contou, ainda, que outro serviço oferecido é o do endereço comercial em que os profissionais pagam uma mensalidade para terem um endereço para recebimento de correspondências, por exemplo.

Uma fatia expressiva da clientela é formada por representantes de grandes empresas de fora. “Tinha um rapaz de Fortaleza que contratava algumas horas para reuniões com pessoal de Marília e depois ia embora sem maiores preocupações. Outro cliente de Pompeia costumava buscar algumas pessoas no aeroporto, leva-las para Pompeia para reuniões e depois trazê-las para Marília. Agora, ele vem e atende o pessoal no nosso espaço e depois vai embora enquanto os outros seguem para o aeroporto.
Facilitou muito”.
(Esq) Professora Rosana  e Carla em uma das salas disponiveis
EVENTOS

Ao longo dos cinco anos do Espaço 96, foram promovidos dezenas de eventos, geralmente ligados ao empreendedorismo e atrelados a ações de responsabilidade social que beneficiaram entidades como Amigos do COM, ACC, GAACH, Amor de Mãe etc. “Neste ano resolvemos dar um tempo para pensarmos em um novo modelo para 2019, até porque tínhamos muitos eventos temáticos e que consumiam muito nosso tempo”, explicou Adriana Tognoli.
Os eventos levam grande público ao Espaço 96 (Foto Lane Rodrigues)
Para ela, após a fase de consolidação do Coworking, a tendência é de cada vez mais profissionais e empresas se voltarem para essa alternativa que reúne toda a infraestrutura de apoio para os negócios. Entusiasta, ela se emociona ao falar do espaço em que ela e vários familiares moraram por muitos anos: “Eu sinto uma satisfação imensa. Essa foi uma casa de muito acolhimento. São memórias muito boas. É uma casa que abraça e eu queria que isso não morresse”, finalizou.

O Espaço 96 está localizado à Rua Alfeu Cesar Pedroso, 96, bairro Fragata em Marília. Contatos: espaco96@gmail.com

2 comentários:

  1. Nós do Espaço 96 Coworking queremos agradecer a excelente matéria produzida pela jornalista Célia Ribeiro. Agradecemos também sua visita tão simpática e a convidamos para voltar. A casa é sua!

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  2. Excelente matéria Célia! Fui acolhida pelo espaço logo que me formei e tive excelentes resultados. Comecei apenas com endereço fiscal, logo passei a utilizar meio período e hoje com o apoio do Espaço 96, trabalho com uma microempresa no ramo de Arquitetura e Construção. O coworking faz parte da nossa história, o espaço é perfeito nossos clientes adoram.

    Arq.Camila Teixeira e Arq.Mayara Doreto

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