domingo, 10 de junho de 2018

CAMINHO SUAVE: ROTARY APOIA PROJETO DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS

Por Célia Ribeiro

No fim da tarde de quarta-feira (06), quando a campainha tocou e os alunos começaram a deixar o colégio, em um dia como outro qualquer, no outro lado da rua, o som tinha um significado muito especial para um grupo de mulheres na faixa entre 30 e 50 anos. Dali a pouco aconteceria a segunda aula do Curso de Alfabetização de Jovens e Adultos que devolveu o sonho de aprender às trabalhadoras que interromperam os estudos ainda jovens.
Sala de aula na empresa: atenção invidualizada
Concebido pelo Rotary Clube de Marília Pioneiro, através da presidente Ângela Giovanete, em parceria com a UNESP, campus de Marília, o projeto acontece nas dependências da empresa Planet Limp, no bairro Fragata, e beneficia 14 colaboradoras do setor de limpeza, explicou a empresária e rotariana Mayra Di Manno.

Ela destacou que “a Planet Limp decidiu fazer parte do projeto tendo em seu quadro de profissionais pessoas que ainda têm o grande sonho de ler e escrever. As aulas são todas às terças e quartas, na própria Planet Limp e está sendo muito gratificante participar desse projeto”.
Mayra Di Manno

As mesas enfileiradas, fazendo as vezes das carteiras escolares, são ocupadas de modo a permitir uma boa visão do quadro negro onde a aluna bolsista do 4º ano de Pedagogia da UNESP, Lucilene Emília Fernandes Carrascosa, 36 anos, anota as atividades do dia. Ela é a responsável pela turma e fala com orgulho do trabalho: “É interessante que uma empresa privada se preocupe com seus funcionários e entenda que está fazendo um bem enorme”.

Ela destacou a importância da educação “que é um crescimento pessoal, uma construção como ser humano, algo que na idade certa não puderam aproveitar, por diversos motivos, e agora estão tendo a chance. Se cada empresa do Brasil fizesse isso, não teríamos esse problema do analfabetismo. Seria algo completamente sanado”.

Lucilene informou que a coordenação do projeto é do Prof. Dr. José Carlos Miguel (Departamento de Didática da Faculdade de Filosofia e Ciências – Campus de Marília), um entusiasta da educação de jovens e adultos: “Ele fala: não importa o lugar. Se tiver uma igreja e o pastor disser que tem uma sala e pessoas que querem estudar, e se tiver bolsistas da UNESP, eu monto uma sala de aula”.
Eliana é voluntária no curso
APOIO VOLUNTÁRIO

Também bolsista da UNESP, Eliana Batista Leite Pereira, 42 anos, sai direto da Escola Estadual Antônio Ribeiro para o curso na empresa: lá ela atua como voluntária pelo prazer de ver o crescimento das alunas. “Vi aqui uma grande oportunidade, uma experiência de conhecimento, de saber como é a vida dessas mulheres que trabalham, não tiveram oportunidade antes, e que estão abrindo mão de um tempo de sua vida para aprenderem”, afirmou.

Eliana acompanha individualmente as alunas, tirando dúvidas, assim como a titular da sala. Ela explicou que existem alunas em vários estágios: daquela que só cursou até a 2ª série, e praticamente só assina o nome, até as que chegaram ao 5º ano e precisaram parar os estudos. O curso não tem prazo para terminar. Assim que as alunas vão evoluindo são preparadas para ingressarem no CEEJA (Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos) para concluírem a formação partindo para voos mais altos, como o ingresso em um curso superior.
Muitos exercícios durante as aulas sob orientação da Professora Lucilene
A voluntária explicou que o curso na empresa “é para sabermos o grau em que elas estão. Tem uma que não consegue fazer a formação silábica, que tem bastante dificuldade. E justamente essa é a que nunca falta”.

Aos 50 anos, mãe de dois filhos, Sônia Zaros era uma das alunas mais animadas da semana. Ela contou que ingressou na empresa, há dois anos e meio, como auxiliar de limpeza e foi promovida a líder de equipe. Por isso, estudar significa também a oportunidade de “crescer no trabalho. Quero continuar estudando porque quero progredir na vida”. Ela parou na 6ª série.
(Esq) Lucilene e a aluna Sônia


O Curso de Alfabetização que reuniu uma empresa privada, um clube de serviços e uma universidade pública chegou como uma chance a ser aproveitada: “Isso é algo que há muito tempo eu queria fazer e não tinha oportunidade. Quando falaram sobre a aula eu fui uma das primeiras a fazer uma lista e sair atrás de quem também queria”, revelou a aluna dedicada.

Nos dois dias da semana, após a jornada de trabalho na área de limpeza, em que trocam baldes, vassouras e luvas pelos lápis e cadernos, as alunas continuam ouvindo a campainha do colégio vizinho. Mas, para elas, o som é de começo e não de fim.

Um comentário:

  1. Fantastico! Enquanto nao houver educacao de qualidade em nosso Pais, nada vai melhorar. Formidável a iniciativa

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