domingo, 17 de junho de 2018

APESAR DO PRECONCEITO, ONG CONTA COM DOAÇÕES PARA ASSISTIR PORTADORES DE AIDS.

Por Célia Ribeiro

Pouco antes do meio-dia, as poucas pessoas que transitavam pela silenciosa Rua Maria Nunes da Silva, encravada no Jardim Cavalari, dificilmente identificariam o imóvel de número 151 como a sede de uma instituição que vem lutando, há quase 10 anos, para assistir os portadores de AIDS de baixa renda e suas famílias. O GAPA sobrevive com a ajuda da comunidade e trava uma luta árdua contra seu principal inimigo: o preconceito.
Tiago com uma das operadoras de telemarketing na entidade
Do lado de fora parece uma residência de classe média, como tantas no entorno, não fosse uma discreta placa com a sigla do Grupo de Apoio aos Portadores de AIDS. A ideia de não chamar a atenção de quem passa na rua é um dos recursos para não constranger aqueles que procuram a ONG, mas buscam o anonimato.

Quem explica é o coordenador local do GAPA, Tiago Henrique Moreira, 33 anos: “Tem gente que passa na frente, olha, vai embora e depois volta. Normalmente, são encaminhados pelo SAE (Serviço de Assistência Especializada)”. Há, também, os que telefonam, se informam e só então procuram a instituição para se cadastrarem.
Cestas básicas prontas para entrega
O SAE é um ambulatório especializado em infectologia, com equipe multiprofissional. Possui especialidade médica em infectologia, dermatologia, pediatria e ginecologia, recebendo usuários encaminhados das unidades da Rede de Atenção Básica, informou a assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal da Saúde. O SAE oferece testagem por métodos rápidos através do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), na Rua 7 de Setembro 793.

Presente em municípios do interior de São Paulo como Avaré, Bauru e Botucatu, além de Marília, o GAPA sobrevive das doações da população através do telemarketing. Os recursos são empregados na aquisição de suplementos alimentares (Ensure, Sustagem etc), cestas básicas, legumes e frutas, ajuda no pagamento de contas (água, luz, aluguel), entre outros.

“Nosso objetivo é ajudar dentro da questão socioeconômica, da necessidade da pessoa”, assinalou Tiago destacando que os assistidos não recebem ajuda em dinheiro. Ele contou que há inúmeros casos em que a atuação da entidade é essencial, principalmente quando há muitas crianças na família.

Atualmente, 17 famílias estão cadastradas na unidade de Marília recebendo auxílio mensalmente, seja com alimentos, pagamento de contas básicas, medicamentos (exceto os antirretrovirais fornecidos pelo governo) etc. Há uma fila de espera de muitas famílias ansiosas para serem integradas, mas isso só ocorre quando aumenta a arrecadação ou alguma família melhora de situação e libera sua vaga.
Profissionais do SAE em uma das campanhas sobre a AIDS
(Foto: Assessoria de Imprensa da Prefeitura)

O coordenador do GAPA explicou que ao receber os portadores enviados pelo SAE ou que chegam por demanda espontânea, são realizadas visitas nas residências para realização da triagem. Ele frisou que somente as famílias que realmente necessitam são atendidas porque a procura é grande e os recursos limitados.

PRECONCEITO

Com a experiência de quem já trabalhou no telemarketing para captação de recursos, o coordenador da ONG relatou, com muita tristeza, as histórias de preconceito e falta de humanidade: “Tem mulher que é mãe, tem vários filhos pequenos, contraiu a AIDS do marido que morreu por se recusar a fazer o tratamento, e agora é marginalizada. Como não ajudar essa família?”
A informação é o melhor remédio
Ao telefonar para as pessoas em busca de auxílio, nem sempre as operadoras do telemarketing são bem atendidas. Existem os que criticam os portadores de AIDS relacionando-os à promiscuidade sexual, mas se esquecem que há várias maneiras de contrair o vírus HIV e não apenas por relações sexuais sem proteção. Entre elas, estão: o uso de seringa por mais de uma pessoa; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação e através de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
Material informativo sobre DSTs 
Em Marília, o SAE tem registrados 570 usuários HIV positivos de um total de 2.771 usuários atendidos por outras doenças. Se olhar as estatísticas mundiais, os números são alarmantes: em 2016, segundo o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) 18 crianças e 30 adolescentes foram infectados por hora pelo HIV.

Enquanto espera que as pessoas se sensibilizem ao serem mais informadas sobre o problema, o coordenador do GAPA mantém acesa a chama da esperança: “Graças a muita gente solidária estamos conseguindo caminhar. Um dia é ruim, no outro um pouco melhor, e assim seguimos atendendo as famílias que vivem um verdadeiro drama e precisam muito de auxílio”.

Para entrar em contato com a ONG, o endereço é: Rua Maria Nunes da Silva, 151, Jardim Cavalari. Telefone (14) 34138064.

Um comentário:

  1. Poxa, quanta coisa que existe em Marilia, quanta gente fazendo o bem e eu nem sabia. Parabens pela garra dos envolvidos

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