domingo, 15 de abril de 2018

AGROTÓXICOS: COMITÊ LANÇA LUZ SOBRE RISCOS À SAÚDE E MEIO-AMBIENTE

Por Célia Ribeiro

As estatísticas são alarmantes e os estudos demonstram, cada vez mais, o impacto negativo do uso indiscriminado dos agrotóxicos na saúde da população e os danos ao meio ambiente. Encarando o poder do agronegócio, responsável pelo superávit comercial do País, os ambientalistas utilizam a mobilização dos comitês municipais para difundirem informações e sensibilizarem as autoridades no sentido de implementarem políticas públicas.
Aplicação incorreta de defensivos pode matar as abelhas. (Foto Ivan Evangelista Jr.)
Em Marília, o Coletivo Socioambiental – Resistência e Luta gestou a formação do Comitê da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, cujo lançamento aconteceu no último dia sete de abril e contou com a presença, dentre outros, do agrofloresteiro e assentado no Projeto de Assentamento “Luiz Beltrame” de Gália, Ângelo Diogo Mazin.
Água da chuva leva agrotóxicos ao Rio do Peixe (Foto: Ivan Evangelista Jr.)
Segundo os militantes do Coletivo, Antonio Luiz Carvalho Leme (gestor ambiental com especialização em Recursos Hídricos e Educação Ambiental, e Meio Ambiente e Sociedade) e seu filho, Gustavo Schorr Carvalho Leme (gestor de Políticas Públicas), a articulação teve início há poucos meses e tem um modelo em que a liberdade dá o tom.

“É uma ideia muito antiga que a gente começou a colocar em prática no fim do ano passado no sentido de reunir grupos, forças, movimentos e pessoas de uma centro-esquerda ambientalista de Marília. Pessoas que comungam deste ponto de vista e fazem um trabalho de pensar a cidade, o território”, explicou Luiz Leme.
Gustavo e Luiz Leme, ambientalistas
Conforme disse, o Coletivo não tem diretoria, nem CNPJ, “porque é um espaço sem burocracia onde as pessoas e grupos se reúnem e colocam o que estão fazendo ou pretendem fazer. A partir disso, a gente começa a fazer um trabalho articulado”. O primeiro fruto foi o Comitê da Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e Pela Vida que o coletivo ajudou a preparar e que terá futuro independente a partir de agora.

VENENO NA MESA

A questão dos agrotóxicos, ao lado de temas como saneamento básico, merece atenção por sua importância ao impactar a saúde das pessoas. Segundo Luiz Leme, o Comitê definiu três linhas básicas de atuação: manter a conscientização da população, através da distribuição de material informativo nas feiras livres e na ilha em frente à Galeria Atenas; lutar por leis que proíbam a pulverização aérea de agrotóxicos e incentivar a produção e o consumo de produtos orgânicos, inclusive na merenda escolar.
Lançamento do Comitê contra os Agrotóxicos em Marília
Gustavo Schorr afirmou que os membros do Comitê serão incentivados a participarem de Conselhos Municipais como os do Meio Ambiente (CADES) e da Segurança Alimentar (CONSEA). Há planos, ainda, para realização de análises na água dos Rios do Peixe e Tibiriçá, periodicamente, para identificar o nível de oxigênio, por exemplo, utilizando kits bem simples que poderão ser manuseados por estudantes de primeiro e segundo graus.

Sobre a pulverização aérea, Luiz Leme observou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o lançamento de agrotóxicos possa atingir até 32 quilômetros de distância. Ele citou o caso do assentamento do MST (Movimento dos Sem Terra) de Gália onde vivem 77 famílias e 27 unidades se dedicam à produção agro ecológica orgânica em 100 hectares: a área foi atingida por uma pulverização em uma propriedade vizinha, conforme denúncia levada às autoridades.
A pulverização aérea pode atingir até 32 km de distância
“No Brasil, estima-se que cada pessoa consuma 7,3 litros de agrotóxico por ano. É um consumo distribuído na contaminação do solo, da água e dos alimentos. No caso do Paraná, estado onde há agricultura em imensas áreas, o consumo per capita chega a 8,7 litros”, destacou o ambientalista. Conforme disse, os pesticidas também afetam o equilíbrio ambiental ao reduzir o número de abelhas polinizadoras, com a destruição de habitat dos pássaros.

Outro dado alarmante foi a pesquisa realizada em Lucas do Rio Verde (Mato Grosso) onde foi registrada contaminação de 100 por cento do leite materno analisado das mães que amamentam seus bebês. “O que era para ser alimento natural é veneno”, pontuou Leme.
Como se não bastasse, o Brasil está no topo das estatísticas de contaminação de trabalhadores que aplicam os agrotóxicos nas lavouras sem a utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). E Marília aparece no ranking com um nada honroso quarto lugar no Estado de São Paulo e 24º a nível nacional.
Trabalhador sem proteção: contaminação no campo (Foto: ecycle.com)
AGRICULTURA ORGÂNICA

Estão crescendo as áreas com cultivo de produtos orgânicos, sobretudo nas pequenas propriedades, com o surgimento de feiras livres em que os agricultores comercializam sua produção diretamente. Essa tendência é uma das lutas dos ambientalistas que querem ver difundidas as informações sobre os benefícios dos alimentos livres de agrotóxicos.
Defensivo descartado incorretamente
em Avencas (Foto: Ivan Evangelista Jr)

Por sua vez, caberá ao poder público contribuir incentivando a agricultura orgânica, começando pela aquisição dos produtos diretamente dos pequenos produtores para enriquecer a merenda escolar. Já será um grande passo!

2 comentários:

  1. Importante demais o trabalho de informação e conscientização desse que pode ser o fator que alavanca o alto índice de pessoas acometidas por câncer, nos dias de hoje.

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    1. Verdade, Shirlei. É preciso difundir esse tipo de informação para a população. Abraço

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