domingo, 8 de dezembro de 2013

TAIKO: A CULTURA MILENAR JAPONESA LEVA ALEGRIA AOS ASILOS

Por Célia Ribeiro

O ritmo cadenciado das vigorosas batidas no tambor hipnotiza. “Timu dum dum”, a batida do coração, como é conhecida essa percussão, atravessou os tempos preservando a milenar cultura japonesa. Disciplina, concentração e coordenação motora são requisitos essenciais aos tocadores de tambor. Mas, o grupo “Requios Gueino Dokokai Eisá Taiko”, da Associação Esportiva e Cultural Okinawa de Marília, agregou outra qualidade: a solidariedade. 

O som dos tambores contagia
Criado em 2006 pela professora Hatsue Omine, de São Paulo, o grupo possui 78 integrantes de diferentes faixas etárias, a partir dos seis anos, informou a diretora educacional da Associação Okinawa de Marília, Tyoko Takahashi Higa. “Nosso objetivo é a divulgação e a preservação da cultura japonesa, através da música e da dança. As batidas dos tambores refletem a alegria dos ancestrais; é o momento de reunião e união familiar. Assim brindamos a harmonia e a vida”, comentou. 

Taiko: crianças encantam idosos
A solidariedade entra nas apresentações em instituições filantrópicas: “O nosso trabalho é o voluntarismo, o amor à arte, que nos faz seguir em frente. Somos convidados pelas entidades para apresentarmos a dança e o toque dos tambores. No dia 23 de novembro, através de um convite da Sra. Fátima Nakashima, também voluntária do projeto ‘Adote um Idoso’, fomos nos apresentar no Lar São Vicente de Paula e acreditamos ter deixado alegria aos idosos”, afirmou Tyoko.
 
Coordenação motora é essencial
Ela lembrou que a Associação Okinawa, formada por descendentes de japoneses há 62 anos, tinha um sonho de trazer para Marília algo que ajudasse na preservação da cultura. Dessa forma, quando o então presidente Carlos Saito conheceu o trabalho da professora Hatsue Omine lhe fez o convite para iniciar o projeto na cidade.

Os instrumentos são confeccionados em Presidente Prudente e para que o grupo esteja sempre atualizado, monitores da Associação Okinawa são enviados para São Paulo, periodicamente, para aprenderem novas músicas e coreografias a fim de replicarem os conhecimentos entre os demais integrantes. A professora Hatsue realiza visitas para supervisionar e manter a qualidade do trabalho.

APRESENTAÇÕES

Atualmente, cerca de 80 crianças e jovens integram o grupo de Taiko. Eles são divididos segundo a fase de aprendizagem e, com isso, há desde iniciantes até os veteranos que realizam apresentações mais elaboradas. “Já estivemos na Casa do Caminho, também, e a emoção dos idosos é grande quando começam a tocar os tambores”, relatou a diretora.
 
O tradicional cumprimento de agradecimento
“A cultura japonesa valoriza muito o idoso. É muito difícil encontrar um descendente de japoneses nos asilos. A família ampara”, observou Tyoko Takahashi Higa, acrescentando que “é muito bom podermos levar alegria aos asilos, dar uma distração aos idosos. E para nossos jovens, estamos incutindo neles a importância de se valorizar os idosos”.
Participam crianças a partir dos 06 anos
O Grupo de Taiko conta com sete membros na Comissão Organizadora. Além de Tyoko, fazem parte: José Roberto Tukasan (coordenador e atual presidente da Associação Okinawa), Hideo Higa (apresentador), Creusa Mitiko Tukasan, Mihoko Kogawa, Luci Emi Hamada e Lucia Nagay (responsáveis pela comunicação e monitoria). Há participação ativa de pais de alunos que colaboram como José Carlos Miazato (divulgação).

“O som do tambor de Okinawa mexe muito com a sensibilidade do ouvinte, chegando a arrepiar ou emocionar, como diz o ditado popular: ‘os ancestrais estão contentes’ pois esta sensação de arrepio se compara à primeira vibração que sentimos no período fetal no ventre da mãe quando nascemos e ouvimos, pela primeira vez, o coração da mãe bater. A energia do coração da mãe é a energia que se perpetua e nos acompanha ao longo de nossas vidas”, finalizou Tyoko Takahashi Higa.

CURIOSIDADES

No Japão feudal, taikos eram frequentemente usados para motivar as tropas, para ajudar a marcar o passo na marcha e para anunciar comandos e anúncios marciais. Ao se aproximar ou entrar no campo de batalha o taiko yaku (tocador de tambor) era responsável por determinar o passo da marcha, usualmente com seis passos por batida do tambor (batida-2-3-4-5-6, batida-2-3-4-5-6).
De acordo com uma das crônicas históricas (o Gunji Yoshu), nove conjuntos de cinco batidas serviam para levar um batalhão à batalha, enquanto nove conjuntos de três batidas aceleradas três ou quatro vezes e seguidas pelos gritos "Ei! Ei! O! Ei! Ei! O!" era a chamada para avançar e perseguir o inimigo.

No Brasil e no mundo há diferentes grupos formados
por crianças, jovens e adultos japoneses ou não.
O taiko, tradicional tambor japonês, é um elemento da cultura nipônica que ganha cada vez mais adeptos e admiradores no Brasil. O ritmo enérgico resgata a cultura dos samurais e empolga pais, filhos e avós, reunindo diferentes gerações na cadência de uma mesma batida. Em sua edição de janeiro, a Made in Japan identificou 117 grupos de taiko no Brasil. (Fonte: Made in Japan)
Clique AQUI  e assista uma apresentação de Taiko no Japão.

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