domingo, 19 de maio de 2013

PROJETOS DA PASTORAL SOCIAL DA PARÓQUIA SANTA RITA PRECISAM DE APOIO PARA AMPLIAREM ATENDIMENTO.

Por Célia Ribeiro

Uma obra social, iniciada pelas mãos caridosas da Irmã Dilma, sobrevive sete anos após a morte da freira graças ao comprometimento de um grupo de voluntários da Paróquia Santa Rita de Cássia. Bem em frente à igreja, na Zona Sul, o terreno que abriga há mais de 20 anos a Associação de Moradores do Nova Marília também acolhe a lavanderia comunitária e a panificadora artesanal que geram renda para famílias carentes do bairro e socorrem a comunidade mais necessitada com remédios, alimentos, auxílio para pagar contas de luz, entre outros.

As roupas são lavadas manualmente
Em meados de 2011, o Correio Mariliense registrou a árdua batalha das lavadeiras e passadeiras que se revezam nas tarefas, desde as primeiras horas da manhã, na lavanderia comunitária. Passados dois anos, as dificuldades são as mesmas: sem máquinas de lavar, as mulheres fazem todo o trabalho pesado à mão. E, sem secadoras, dependem das boas condições climáticas para não amargarem prejuízo.

Atualmente, 09 mulheres da comunidade tiram do projeto social o sustento de suas famílias, explica a coordenadora do grupo e vice-presidente da associação, Laudite Ferreira Gaia Vieira. A renda varia muito, em torno de um salário mínimo. Mas, poderia ser muito mais e atender outras mulheres se a lavanderia contasse com máquinas de lavar e secar, por exemplo.


Dona Laudite entrega roupas ao Diego, cliente antigo.
O trabalho caprichoso atraiu uma clientela fiel. Em média, a lavanderia processa 500 quilos de roupa por semana, incluindo tapetes, cortinas e edredons. “Quando chove, a gente tem que recusar serviço. Muitas vezes a pessoa chega com a roupa suja e tem que levar embora porque não temos como atender”, explicou a coordenadora.

A boa qualidade do serviço atraiu a clientela
O precinho camarada foi outro fator determinante para fidelizar os clientes, gente do bairro e até de outras regiões da cidade. O quilo da roupa comum, lavada e passada, sai a R$ 5,00. Peças avulsas (camisas sociais, calças sociais etc) custam R$ 3,50 a peça. Já cortinas, tapetes e edredons são lavados por R$ 6,5 o quilo. Se o cliente não levar o sabão em pó é acrescido o valor de R$ 0,90 por quilo de roupa lavada.

SOLIDARIEDADE

Segundo Laudite Vieira, a lavanderia comunitária e a panificadora artesanal são projetos da Pastoral Social da Paróquia de Santa Rita de Cássia que repassa parte do dízimo dos fiéis para as obras. Enquanto na lavanderia as próprias lavadeiras se beneficiam do resultado do trabalho, no caso da panificadora, voluntárias da comunidade se reúnem às sextas-feiras para produzirem pães, roscas, biscoitos etc cuja venda reforça o caixa para os atendimentos comunitários.

Voluntárias fazem pães às sextas-feiras
As despesas da lavanderia são expressivas: energia elétrica, escritório de contabilidade, materiais de limpeza e até o salário dos vigias que trabalham no local à noite e nos finais de semana para garantirem a segurança das roupas dos clientes e das instalações.

Por isso, é preciso usar a criatividade para ter saldo suficiente ajudar os moradores que se socorrem da associação em casos de necessidade. Medicamentos são alguns dos mais pedidos, seguidos de ajuda para pagamento de conta de luz e alimentos. Geralmente, as pessoas procuram a igreja e de lá são encaminhadas para o outro lado da rua, onde funciona a entidade.

Na quinta-feira, Diego Esteves Pereira Diniz, 26 anos, estacionou seu carro no pátio da lavanderia para pegar as roupas limpas e deixar outro lote, numa rotina que já dura dois anos: “O trabalho delas é muito bom, caprichoso. Acho excelente e sempre recomendo aos conhecidos”, disse o cliente.

TERAPIA

As lavadeiras e passadeiras têm muitas histórias para contar. Histórias de superação, de recomeço e de final feliz. Maria Aparecida Camargo, 46 anos e mãe de três filhos, está de volta à lavanderia comunitária. Ela se ausentou para cuidar da mãe doente, mas acabou sofrendo de depressão que a impedia de voltar ao mercado de trabalho.

Maria Aparecida com
a amiga Laudite
As portas abertas do projeto social a acolheram e a lavadeira comemora ter voltado ao convívio da grande família, há dois anos. “Eu tive uma depressão muito forte e ainda tomo remédio. Elas que cuidaram de mim. Aqui pude voltar a trabalhar e ter meu dinheiro”, contou Maria Aparecida tratando de dar um abraço forte em dona Laudite: “Ela é como uma mãe pra mim. Aqui, tenho minha segunda família”, contou, emocionada.

Além de veteranas, nesta semana havia novatas, como Izabel Cristina do Nascimento, 33 anos. Casada e mãe de três filhos ela destacou o fato de trabalhar perto de casa e poder dar uma vida melhor à sua família. “É um dinheiro bom que ajuda muito a renda lá em casa”, afirmou.

 

Faltam eqipamentos como lavadoras e secadoras
Quem quiser colaborar com os projetos sociais, pode doar alimentos, roupas e calçados usados para venda nos bazares, ou adquirir as delícias da panificadora que tem pão caseiro, roscas etc, toda sexta-feira à tarde. A lavanderia comunitária fica em frente à Paróquia de Santa Rita de Cássia, no Nova Marília. O telefone é: (14) 34176928

* Reportagem publicada na edição de 19.05.2013 do Correio Mariliense

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