domingo, 23 de dezembro de 2012

HORTA LITERÁRIA: ESCOLA PÚBLICA MODELO CONQUISTA PRÊMIO DO INSTITUTO CIDADANIA BRASIL PARA MARÍLIA.

Por Célia Ribeiro

A escola dos sonhos, cujos horários flexíveis permitem que cada aluno aprenda segundo seu ritmo, em que o verde é reverenciado, a começar pela horta orgânica, encerrou 2012 projetando Marília no cenário educacional: o Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) “Profa. Sebastiana Ulian Pessine” conquistou o primeiro lugar, no estado de São Paulo, do “Prêmio Construindo a Nação” promovido pelo Instituto Cidadania Brasil com apoio do SESI e Fundação Volkswagen.

Atividades realizadas na horta orgânica da escola
Em março de 2013, os dedicados professores, acompanhados de dezenas de alunos de 16 a 70 anos, estarão na Capital para a solenidade de premiação na concorrida Sala São Paulo. Na oportunidade, receberão o reconhecimento oficial ao projeto “Horta Literária” que movimentou a escola durante o ano e chegou à comunidade com ações extramuros que levaram poesia, música, artes e solidariedade.

Segundo o coordenador pedagógico, João Paulo Francisco de Souza, 32 anos e mestre em Literatura, o projeto inscrito no concurso envolveu mais de 20 professores e todos os estudantes. Cada disciplina foi trabalhada segundo um enfoque tendo a horta da escola como base. “Durante a semana, fazíamos a divulgação no blog e na escola para os alunos irem se preparando. Os professores desenvolveram os temas em sala e nos dias das oficinas preparávamos uma aula aberta na horta”, explicou.

Alface cultivada naturalmente é usado
nas refeições da escola
Conforme disse, os assuntos surgiam naturalmente: “Da literatura para a genética, para a botânica, a questão do solo etc. Ao final das oficinas, sempre tinha uma degustação de verduras e legumes ou chás de erva cidreira e hortelã colhidos na hora”. Por sua vez, a professora de Química, Ana Paula Garra explicou que um dos eixos do projeto abordou “a química dos alimentos”, a importância da alimentação equilibrada e saudável utilizando os exemplos da horta orgânica do estabelecimento escolar.

 O coordenador pedagógico disse que o nome do projeto (Horta Literária) surgiu da ideia de aproveitar a horta nas oficinas literárias, e que com a participação dos professores de todas as disciplinas o trabalho ganhou novas dimensões. Ele assinalou que não havia preocupação com a série dos alunos: todos eram preparados sobre os temas, realizavam trabalhos individuais e coletivos de modo que o conhecimento fosse acessível a todos, independente do estágio em que se encontravam (ensino médio ou de 5ª a 8ª série do ensino fundamental).

Aluna com os professores Fábio, Paulo e João
João Paulo afirmou que através da interdisciplinaridade o projeto permitiu “levar todos os alunos ao mesmo conhecimento, mesmo que eles não tivessem atingido aquele índice na série deles”. E destacou o envolvimento dos docentes que usaram muita criatividade para atraírem a atenção dos estudantes motivando-os em cada etapa das atividades programadas.

DESCOBERTAS

Mestre em Biologia, o professor Fábio José Lisboa falou com empolgação sobre a experiência. Durante o ano, ele utilizou a “Horta Literária” para abordar um tema complexo: o Projeto Genoma. “A genética é o resultado da interação ambiental”, disse. Já o professor de Geografia, Paulo Roberto Borin Martins apontou as oficinas pedagógicas, as exposições e outros recursos como sendo fundamentais para conseguirem o envolvimento dos alunos.

Colheita envolve professores e estudantes
 Aos 61 anos, a auxiliar de enfermagem aposentada Maria Valci de Lima concluiu, orgulhosa, sua formação na última terça-feira. Fazendo planos para a viagem da premiação, ela era só elogios à escola e aos professores: “Achei que fizeram um trabalho excelente. Aqui eu tive contato com pessoas de todas as idades e até os alunos com necessidades especiais estavam integrados no projeto”, comentou.

A aluna contou que parou de estudar em razão do trabalho, mas sempre sonhou em concluir os estudos o que foi possível ao ingressar no CEEJA depois da aposentadoria. Dedicada, ela preside o Grêmio Estudantil e, como os jovens estudantes, tem muitos planos pela frente.

 COMUNIDADE

As atividades da “Horta Literária” não ficaram restritas à escola. Alunos e professores levaram poesia, música, artes plásticas e outras manifestações culturais à comunidade. O asilo “Mansão Ismael” foi um dos locais visitados, assim como o IOM (Instituto de Olhos de Marília) em que alunos promoveram um lanche aos pacientes levando alimento para o corpo e para a alma através da declamação de poesias e apresentações musicais.
Desenhos realizados durante o Sarau do Saci
A coroação do projeto, com suas dimensões pedagógica, social e cultural aconteceu de 29 a 31 de outubro no “Sarau do Saci”. Mais de 500 pessoas participaram, incluindo visitantes de outros municípios como João Ramalho, distante 200 quilômetros de Marília: “Houve apresentações individuais e coletivas dos alunos em cima dos temas. Eles escreveram poesias, letras de música, fizeram artes plásticas etc”, informou o coordenador pedagógico.

Ele finalizou destacando o envolvimento e dedicação da equipe de professores que mereceu o reconhecimento do Instituto da Cidadania Brasil. O prêmio, criado em 2.000, contou com a participação de 5.140 escolas de 25 estados do Brasil.
 
Maria Valci: um novo caminho a trilhar.
Ter conquistado o primeiro lugar entre os estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo mostra que o pessoal que mexeu na terra e sujou os pés na horta da escola, localizada no cruzamento das ruas 24 de Dezembro e Coronel José Brás, plantou sementes que continuarão brotando na vida de quem retomou os estudos para escrever uma nova história de vida.

Para saber mais sobre o projeto, acesse: http://my.opera.com/jpgaruda/blog.

 
* Reportagem publicada na edição de 23.12.2012 do Correio Mariliense

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