domingo, 2 de setembro de 2012

COM AJUDA DA FAMÍLIA, UNIVERSITÁRIA DESENVOLVE PROJETO SOCIAL EM ESCOLA PÚBLICA DE VERA CRUZ.

Por Célia Ribeiro

Uma família muito especial, apaixonada pelo esporte, tem contribuído para transformar a vida de dezenas de meninos e meninas da Escola Castro Alves, da cidade vizinha de Vera Cruz. Através do Projeto “Escola da Família”, onde universitários recebem bolsas de estudo de faculdades particulares em troca do trabalho realizado nas escolas públicas, uma mãe praticante de Taekwondo e bolsista do Univem conta com a cumplicidade da filha de 15 anos, faixa preta nesta arte marcial, para acompanha-la todo fim de semana no projeto.

Alunas treinam em sala de aula
Perto de completar 41 anos, casada e mãe de três filhos, a analista contábil Sônia Pinheiro cursa o último ano de Ciências Contábeis no Univem, trabalha o dia todo e, aos sábados e domingos, dedica-se a abrir os horizontes dos alunos da escola. Eclética, ela contribui não só no projeto do Taekwondo, como também com as aulas de português ministradas no cursinho dos que prestarão o exame para ingresso na ETEC Antônio Devisate.

Para conhecer essa história é preciso voltar ao ano de 2.002. Na época, o marido de Sônia e faixa preta de Taekwondo, Jorge Pinheiro, foi diagnosticado com hipertensão e princípio de depressão. A sugestão, dada pelo médico do Programa Estratégia Saúde da Família (ESF) de Vera Cruz, foi que ele aproveitasse a experiência com as artes marciais para implantar um programa social na unidade e, assim, aliviar o próprio estresse.

A ideia frutificou. Em pouco tempo o projeto social, que só tinha o Taekwondo, recebeu outros voluntários e o reforço das aulas de capoeira, maculelê, pintura etc. Foi quando Sônia se viu picada pelo bichinho da solidariedade e passou a dedicar cada vez mais tempo às atividades. No entanto, em 2.008, com seu ingresso na universidade, o tempo ficou curto demais para conciliar trabalho, estudo e os extras, culminando com seu afastamento.

Sônia Pinheiro
 

Em 2012, sentindo-se valorizada e recompensada pela oportunidade de estudar, Sônia mantinha no íntimo a vontade de retomar os projetos sociais. Nos primeiros três anos do curso ela arcou com o pagamento das mensalidades. Mas, justamente no último ano as coisas ficaram difíceis e ela procurou, entre as alternativas, a bolsa do Programa “Escola da Família”.

AMOR À PRIMEIRA VISTA

Levando o projeto do Taekwondo embaixo do braço, Sônia conseguiu a tão esperada bolsa de estudos. Ansiosa por recomeçar o trabalho social, assim que colocou os pés na escola viu descortinar-se diante de seus olhos a possibilidade que tanto ansiava: contribuir para fazer a diferença na vida daquelas crianças, estimulando-as a desenvolverem suas potencialidades.

A jovem técnica Michele entre os medalhistas
 “Não tenho o entendimento das artes marciais. Mas, eu consigo levar para os alunos a parte da disciplina, da concentração. Eu treino junto com eles e as aulas são dadas pela minha filha Michele, de 15 anos, que é faixa preta. Eu quero demonstrar que não é porque somos pessoas humildes que não podemos chegar ao mesmo lugar que uma pessoa que tem recursos”, afirmou a estudante.

Sônia contou que o filho, Jorge, de 21 anos, estudou Educação Física com bolsa da Prefeitura de Marília porque compete nos jogos representando a cidade. Atualmente, o filho faz pós-graduação e continua evoluindo no esporte. Esse é um dos exemplos que ela usa para ilustrar a importância do esporte na vida dos jovens.
Alunos também aprendem a mexer com a terra
A estudante destacou que a Escola da Família da qual participa têm vários outros projetos igualmente interessantes, tocados pelos universitários. A soma de todos os trabalhos realizados aos sábados e domingos tem apresentado resultados animadores, inclusive com reflexos no rendimento escolar.

Colecionando belas histórias, Sônia recordou um comentário ouvido do pai de um dos alunos: “Certa vez, ele me disse que sabia que o filho não viraria um atleta. Mas, com o ensinamento que eu estava dando ele viraria um homem de caráter”, relatou emocionada.

A panificação atrai muitas famílias
“Eu sinto que, mesmo com 40 anos, ainda tenho alguma coisa para dar a alguém. Sinto que ainda consigo resgatar alguma coisa de alguém que acha que não pode mais nada”, assinalou a estudante que é só elogios ao programa.

Com o apoio da família, incluindo o esposo que aproveitou os conhecimentos como técnico de eletrônica para recuperar sucatas de computador, que têm uso certo no laboratório de informática da escola, Sônia Pinheiro finalizou dizendo que gosta tanto de trabalhar com as crianças que espera ansiosa pelo fim de semana: “Quando chega às cinco horas da tarde de sábado eu quero que o tempo passe logo para domingo eu voltar lá”.

No começo de agosto, os alunos de Taekwondo, que treinam sem tatame, numa sala de aula (afastando as carteiras) e com poucos recursos, conseguiram uma proeza: 04 medalhas (01 ouro, 01 prata e 02 bronze) na 13ª. Copa Open Palestra de São José do Rio Preto. Com apoio, certamente, eles poderiam ir mais longe ainda.

Quem se interessar em colaborar com equipamentos de proteção, quimonos usados etc, pode entrar em contato com a estudante no e-mail: soniapinheiro1@hotmail.com

 UNIVEM 

 “A Escola da Família é uma das maneiras que o Univem encontra em garantir a universalidade do atendimento a jovens que têm dificuldades financeiras em se manter em um curso superior. O Univem estabelece parceira com a Fundação de Desenvolvimento da Educação - FDE, subsidiando a bolsa de estudo aos universitários oriundos de família de baixa renda a continuarem os seus estudos, em nível superior, e consequentemente abrindo possibilidades destes ingressarem no mercado de trabalho”, informou em nota a universidade.
Univem: apoio a quem quer fazer o bem
(Foto Ivan Evangelista)
E acrescenta: “O Univem disponibiliza 190 vagas/bolsas de estudo entre todos os seus cursos. Entretanto, atualmente possuímos 189 vagas/bolsas de estudo ocupadas e somente 01 disponível. Lembramos que no período de 04 a 14 de setembro estarão abertas as inscrições para os candidatos se inscrevem para o programa. No Univem a interlocutora do Programa Escola da Família é Flávia Priscilla Gasparoto Pereira - assistente social e a professora responsável é Ana Laís dos Reis Martini, gerente do Núcleo de Assistência Social”. Contatos pelo e-mail: socialunivem@univem.edu.br
 
* Reportagem publicada na edição de 02.09.2012 do Correio Mariliense

Nenhum comentário:

Postar um comentário