domingo, 8 de julho de 2012

ROTARACT: COMO OS JOVENS SE ORGANIZAM PARA CONTRIBUIREM PARA UM MUNDO MELHOR.

Por Célia Ribeiro

Enquanto milhares de jovens --- principalmente os que não trabalham --- aproveitam as manhãs de sábado para dormirem até mais tarde, um pequeno grupo de rapazes e moças, cheios de sonhos típicos da adolescência, se encontra para discutir maneiras de contribuir para um mundo melhor. Em Marília, 14 desses jovens diferenciados formam o Rotaract Club, patrocinado pelo Rotary Clube Marília Pioneiro, numa prova de que é possível dar o melhor de si em benefício da sociedade, em qualquer idade.

Mãos à obra: limpeza da Avenida Esmeralda
Formado por jovens de 18 a 30 anos, o Rotaract está presente em 170 países com 8.400 clubes. Segundo o portal da organização “todas as iniciativas de projeto nascem das próprias necessidades da comunidade e promovem a paz e a compreensão internacional através de amizade e trabalho conjunto”.

As reuniões acontecem todos os sábados, às 10 h, na Avenida República, 908, e são abertas aos interessados, explicou a ex-presidente Camila Rodrigues da Silva, graduanda em Ciências Sociais e pesquisadora do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero da UNESP/Marília. No começo da semana, ela transmitiu o cargo ao estudante Eduardo Guimarães Mielo, que faz cursinho para Faculdade de Química.

Grupo observa parte da mostra na biblioteca da Unesp
“Nós procuramos desenvolver projetos, ações, que auxiliem para melhorar a sociedade de alguma forma”, ressaltou a ex-presidente explicando que a questão da sustentabilidade ambiental é um dos pontos que merecem maior atenção. Para não ficar no discurso, a moçada saiu às ruas e colocou a mão na massa, como se diz popularmente.

Em junho, aproveitando o mês do meio-ambiente, os jovens distribuíram à população mudas de árvores no Bosque Municipal, promoveram a limpeza em trechos da Avenida Esmeralda e promoveram uma oficina de reciclagem na Mansão Ismael.  Assim, como algumas alunas de Terapia Ocupacional da UNESP integram o grupo, foram realizadas atividades de atenção aos idosos que puderam conhecer o reaproveitamento de materiais, como as embalagens de leite longa vida (Tetra Pak) transformadas em caixinhas de presentes.

EXPOSIÇÃO DE RECICLÁVEIS

Os jovens do Rotaract também ministraram palestras na UNESP, em parceria com o Centro de Pesquisa de Estudos Agrários (CEPEA) da universidade, e organizaram uma exposição sobre recicláveis, durante todo o mês de junho, na biblioteca. Com muita criatividade, eles selecionaram objetos passíveis de reaproveitamento, incluindo um puf feito com garrafas PET.

Eduardo Mielo e Camila Rodrigues: à frente do Rotaract Club
 “A gente ficou super feliz com a aceitação. Logo na entrada da biblioteca chamou a atenção das pessoas que queriam pegar e ver como se faz”, afirmou Camila acrescentando que a mostra só precisou ser desmontada devido ao período de férias.

Distribuição de mudas no bosque
Ao encerrar seu primeiro mandato, Camila Rodrigues observou que “ainda tem muita coisa a ser construída. Mas, acho que os primeiros passos já estão sendo dados, principalmente por esse grupo”. Ela contou que saiu de São Paulo, há cinco anos, para estudar e se apaixonou pela proposta da organização mantida pelo Rotary.

 “O nosso objetivo é desenvolver o lado profissional para ajudar a sociedade. Cada um dá o que tem da sua profissão, do que está aprendendo. Nossos projetos têm esse diferencial por causa da formação de cientista social, de procurar o que a sociedade está precisando”, afirmou a universitária.

Oficina de reciclagem com idosos da Mansão Ismael
Finalizando, a ex-presidente lamentou a grande rotatividade entre os membros do Rotaract: “A maior dificuldade, que a gente encontra todo ano, é do quadro social. O jovem tem um problema que são as fases de transição. Ao mesmo tempo em que estou aqui, amanhã posso não estar. A maior necessidade é termos que estar renovando sempre o quadro social”.

TRANSFORMAÇÃO

“O Rotaract transforma. Ele transforma além da população, dos projetos que a gente desenvolve na cidade. Transforma a cada um. Posso dizer isso por experiência própria porque depois que eu entrei aqui acabei mudando o jeito que eu era”, confidenciou o novo presidente, Eduardo Guimarães Mielo, 18 anos.

Cheio de planos, Mielo explicou que o grupo pretende reestruturar projetos já realizados, dando-lhes uma nova amplitude, “para atingirmos um volume maior da população”. O primeiro projeto será a adoção de uma praça: “Queremos mostrar para a população a importância que é ter uma área verde, uma praça bem cuidada”, assinalou.

Painel na entrada chama a atenção
Eduardo Mielo concorda com a ex-presidente Camila sobre a dificuldade em manter o grupo: “É difícil a gente conseguir atingir a maior parte dos jovens, como a gente gostaria, porque nesta fase ocorre a transição. O jovem entra na universidade ou sai dela para entrar no mercado de trabalho”.

No entanto, o presidente fez questão de frisar que os poucos que ficam no Rotaract trabalham dobrado: “A qualquer momento, podemos ter um grande número de sócios e muitos deles saírem por motivos pessoais. Os que ficam acabam trabalhando pelos outros. Posso dizer que o comprometimento de quem faz hoje é muito grande até para compensar aqueles que não estão mais presentes”.

 Lançando um convite para que jovens interessados em atuarem no Rotaract entrem em contato, Eduardo Mielo concluiu afirmando que “vale muito a pena. Antes, eu era apenas um observador. Hoje, sou um dos transformadores”.

Quem quiser contatar o grupo pode escrever para: mila_polis@hotmail.com ou comparecer às reuniões do Rotaract, todo sábado, às 10h, à Avenida República, 908.

* Reportagem publicada na edição de 08.07.2012 do Correio Mariliense

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