domingo, 8 de abril de 2012

EM ÁREA ARRENDADA NA VIA EXPRESSA, FAMÍLIA APOSTA NA PRODUÇÃO ORGÂNICA PARA VENCER.

Por Célia Ribeiro

Numa das regiões mais distantes da zona sul, o dia começa bem cedo para uma família de pequenos horticultores. Antes de ouvir o galo cantar, às 4 horas da madrugada, o rapaz de 30 anos pula da cama para iniciar a lida no campo: a primeira tarefa é a ordenha das vacas da propriedade em que trabalha, onde também arrenda um pedaço de terra para cultivar legumes e verduras. Só então, ele pode se dedicar ao novo negócio que toca em parceria com a esposa, um irmão e a cunhada, cheio de esperança de vencer na vida.

Família trabalha sob o sol forte
A nova empreitada, a alguns quilômetros de distância da primeira horta, localiza-se na subida da Via Expressa, ao lado da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo. Maurício da Silva Novaes, o irmão Almir, a esposa Cláudia e a cunhada Cristina Nakati, arrendaram a área para expandirem a produção de hortaliças orgânicas estimulados pela grande demanda pelos produtos que, evidentemente, conseguem melhor preço no mercado.

“A gente começou pequeno, há uns dois anos, perto da BR 153”, conta Maurício que, na manhã de terça-feira preparava os canteiros para receber as mudas armazenadas cuidadosamente à sombra no terreno. Em pouco tempo, ele notou que a alface, rúcula, salsa, cebolinha, quiabo, jiló, vagem, entre outras hortaliças e legumes, encontravam comprador certo, mas esbarravam na falta de espaço para expansão.

Maurício prepara novos canteiros
Foi quando os irmãos localizaram a área onde já existiu uma horta orgânica, fizeram as contas e decidiram apostar no novo desafio. Com muita vontade de vencer, os quatro arregaçaram as mangas sem se importarem com a longa jornada de trabalho. Enquanto Maurício e Cláudia moram longe, Almir e Cristina passaram a habitar a casa simples existente na área, a fim de proteger o empreendimento.

AMOR À TERRA

Habituados ao cultivo da terra, Maurício e Almir, juntamente com as esposas, dividem as tarefas. Tudo é feito com muito cuidado, sem utilização de produtos químicos. O adubo, por exemplo, vem ensacado da propriedade rural em que Maurício trabalha e não custa nada: é o esterco do gado.

Mudas prontas para o plantio
“Quando a gente sai pra vender, a primeira coisa que as pessoas perguntam é se a gente usa veneno. Aqui, só coisa natural. Por isso, nossa verdura dura tanto na geladeira”, explica Maurício, o mais comunicativo da família. Por enquanto, a produção da primeira horta está sendo entregue em trailers de lanche. Mas, eles sonham alto: “Quando começar a produzir aqui, a gente pensa em levar para a feira, também”.

E a horta terá que render bem, a julgar pelas expectativas de Cristina Nakati, descendente de japoneses: “Vai ter que sustentar duas famílias”, afirmou sorrindo, antes de convocar o marido e os cunhados para voltarem ao trabalho. Eles tinham muito a fazer antes colherem o fruto do seu suor.

FAZENDA EXPERIMENTAL DA UNIMAR

Na edição de 23 de outubro de 2011, o Correio Mariliense registrou a preocupação com a produção orgânica de alimentos, na reportagem sobre o curso de Engenharia Agronômica da Unimar: “O produtor tem que ter lucro, tem que visar o lado econômico, mas também o social e o ambiental. O produtor hoje tem que conseguir produzir, ter lucro, mas preservando o meio ambiente e preservando a saúde e a integridade do trabalhador rural”, destacou o professor Ronan Gualberto, na oportunidade.
Alface hidropônica cultivada na Fazenda Experimental da Unimar
Na Fazenda Experimental da Unimar, entre diversas atividades, os alunos cultivam hortaliças pelo sistema de hidroponia, cuja produção é comercializada nos supermercados da cidade, com grande valorização do preço. Para conferir essa reportagem, acesse  AQUI.

* Reportagem publicada na edição de 08.04.2012 do Correio Mariliense

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