domingo, 11 de setembro de 2011

NAS UNIDADES DE SAÚDE, MULHERES DESCOBREM SEU TALENTO E REFORÇAM A RENDA COM ARTESANATO

Por Célia Ribeiro

Quem se interessa por artesanato e costuma frequentar as feirinhas da cidade ultimamente está encontrando um grupo diferente de artesãs: moradoras de bairros populares, elas se descobriram artistas por acaso e hoje conseguem viver dos trabalhos manuais confeccionados com o maior capricho. Elas são a parte mais vistosa de um projeto pouco conhecido, mas de grande valor, desenvolvido pela Secretaria Municipal da Saúde de Marília.
Bonequinhos fazem sucesso e vendem bem

Tudo começou há três anos, conta a pedagoga do NEPEM (Núcleo de Educação Permanente) da Secretaria, Meire Nilza Oliva Marconato: “Estava me inteirando de todos os trabalhos de capacitação profissional do núcleo quando recebi o convite para organizar uma oficina de artesanato, que era uma das necessidades das unidades de saúde”.
 
Meire explicou que havia iniciativas em poucas unidades onde os próprios profissionais de saúde organizavam os grupos de mulheres. O desafio foi estruturar um projeto para que médicas, enfermeiras, dentistas e demais profissionais das UBSs passassem pela capacitação para serem multiplicadoras das técnicas de artesanato nas unidades em que trabalham.

A pedagoga Meire
“Quem sabia crochê só ensinava crochê e isso acabava dispersando o grupo” recordou a pedagoga, lembrando a importância terapêutica dos trabalhos manuais. A estratégia foi reunir às quartas-feiras, no NEPEM, grupos de 10 a 12 unidades interessadas, para que os voluntários aprendessem várias técnicas e levassem o conhecimento aos grupos de artesanato dos seus bairros.

Viúva reforça o orçamento familiar

Segundo Meire Marconato, “a cada mês trabalhamos uma técnica diferente. Nós vamos capacitando os profissionais para trabalharem na comunidade, voltados a esses grupos”. Crochê, caseado, pintura, aplicação em tecidos, bordado, arte em garrafa PET etc, são ensinados nas capacitações e compartilhados nos grupos que se reúnem semanalmente nas unidades municipais de saúde.

A pedagoga conta que nem sempre há espaço para as artesãs se reunirem e trabalharem as técnicas. Mas, isso não é problema: “Tem unidade que coloca uma mesa embaixo de uma árvore, ou do lado de fora do prédio numa sombra” e o trabalho não para. Para se ter uma ideia do alcance desse projeto, a cada ano passam pela oficina de capacitação cerca de 200 pessoas. “Temos dentistas, médicas, enfermeiras, enfim, qualquer profissional que esteja disposto a ser multiplicador”, enfatizou Meire Marconato.

Variedade e preço atraem a clientela nas feirinhas

 GERAÇÃO DE RENDA

 Durante toda a semana as artesãs do projeto expuseram e comercializaram seus trabalhos no estande do Núcleo de Educação Permanente da Examar: “Eu comecei há pouco tempo e esta é a segunda feirinha que participo”, contou a dona-de-casa Conceição Bonfim, viúva e mãe de quatro filhos, moradora do Castelo Branco.

Ela aprendeu a confeccionar chaveiros, apliques em sacolas, marcador de página, entre outros. Além de se distrair, dona Conceição conseguiu uma fonte de renda porque vende toda a produção na vizinhança e adora participar das feirinhas de artesanato da cidade.

Maria Cleusa, Meire e Conceição
Para a jovem Maria Cleusa Moreira Mastromano, de 28 anos e mãe de uma menina de três anos, o artesanato foi a salvação. Ela mudou-se de São Paulo onde trabalhava como operadora de caixa até ficar desempregada. Em Marília, não tinha trabalho quando começou a se dedicar aos trabalhos manuais.

“Faz uns seis meses que comecei”, recordou Maria Cleusa, destacando que tem facilidade para aprender as técnicas. Ela costuma fazer marcadores de página, tic-tac para cabelo, caixinhas, crochê e bijuterias. Em uma única semana conseguiu 150 reais com as peças que aproveita para vender em qualquer lugar: “Até na escola da minha filha eu vendo bem”, revelou abrindo o sorriso.

 PREÇOS BAIXOS

Artesanato a partir de R$ 3,00
Até hoje, quando termina a Examar, os interessados poderão encontrar as peças do projeto do NEPEM, coordenado pela psicóloga Urânia Gomes dos Santos. Tem guardanapos, bonecas, caixinhas decoradas e uma infinidade de enfeites para a casa. Os preços são atraentes, a partir de três reais e a qualidade impressiona. Está aí um bom programa para este domingo!

 * Reportagem publicada na edição de 11.09.2011 do Correio Mariliense

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