domingo, 15 de maio de 2011

PARA AMBIENTALISTA, EDUCAÇÃO É O CAMINHO MAIS CURTO PARA ALCANÇAR A SUSTENTABILIDADE

Por Célia Ribeiro

A exploração dos recursos naturais do planeta para conseguir o desenvolvimento a qualquer preço começa a apresentar a fatura. Os prejuízos acumulados, principalmente a partir da industrialização, não podem ser revertidos. No entanto, ainda dá tempo de frear esse processo caso a sustentabilidade seja levada a sério, começando pela educação. A opinião é do ambientalista Rodrigo Más, secretário da ONG “Salve o Planeta Terra” e sócio da consultoria em gestão ambiental W-Ecos.
Aula prática de educação ambiental

Graduado em Direito pela Univem, Rodrigo Más trabalha na plataforma ambiental onde deposita quase 20 anos de experiência em militância social influenciada por obras de centro-esquerda. Antes de ser apenas um intelectual, o ambientalista deixa o conforto da teoria para mergulhar de corpo e alma na prática.

Sem meias palavras, ele analisa o contexto da temática em Marília: “Percebo que a sociedade já começa a sinalizar uma preocupação com o meio ambiente. Porém, acredito que ainda estamos em uma cultura um tanto quanto enfraquecida para análise de desenvolvimento ambiental da cidade. Nós estamos presos a alguns pontos de avaliação do crescimento que, num curto prazo, mostrará que nós estamos sabotando o futuro”.

Na opinião do ambientalista, a abertura de novas empresas, com a geração de emprego e renda, deve ser avaliada sob o ponto de vista da sustentabilidade. Neste sentido, defende a criação de uma agenda de desenvolvimento que leve em consideração o impacto ambiental, a proteção dos recursos naturais, notadamente no entorno da cidade, em contraponto à visão dos economistas clássicos.


Rodrigo Más
Rodrigo Más destaca que “hoje, no século 21, temos que trabalhar com a ecoeconomia. Nós colocamos a economia em primeiro lugar, o ser humano em segundo e o planeta em terceiro. Temos que inverter esse eixo e colocar o planeta em primeiro lugar, o ser humano em segundo e a economia em terceiro lugar. Porque nós precisamos do planeta. Mas, o planeta não precisa de nós”.

Ele observa uma mudança lenta e gradual nos gestores das corporações e elogia os poucos e bons exemplos de mudança de paradigma. Rodrigo cita o caso do Hipermercado Walmart que instalou uma unidade em Marília: “O Walmart é um caso muito positivo na cidade. Ele sinalizou que na sua construção não haveria desperdício de resíduos da construção civil que seriam reaproveitados e, também, que seria uma das primeiras lojas sustentáveis do Estado de São Paulo”.

E prossegue citando que “o Walmart não só anunciou isso no início da sua atividade, como ele continua sendo parceiro de algumas ONGs da cidade, fomentando iniciativas em preservação do meio ambiente”. Uma das ONGs apoiadas é o Instituto “Salve o Planeta Terra”, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) reconhecida de Utilidade Pública Municipal.

NOVA VISÃO

O ambientalista afirma que falta às empresas se posicionarem diante “desse novo cenário, deixando de lado o contexto histórico da cidade, de como ela foi fundada. Temos que ter um desapego, não particularizar, mas olhar a cidade como um todo, olhar para a periferia, para o cidadão comum, para o trabalhador, para a sociedade civil. Temos que olhar a cidade com mais carinho, sobretudo as empresas que surgiram aqui, e começar a dar retorno para a cidade”.

Perguntado sobre a vocação de Marília para o ecoturismo, com suas belezas naturais, vales e itambés, Rodrigo faz uma análise ácida. Na sua opinião, se não houver um planejamento, pode-se ter um efeito reverso: “Marília está localizada a 600 metros acima do nível do mar. Estamos em cima de um espigão. O que há de mais belo está no entorno da cidade. No entanto, se um visitante quiser conhecer os itambés vai se deparar com canal de resíduo hospitalar, com canal de esgoto sem tratamento. Então, no campo do turismo, isso é um efeito reverso”.

Rodrigo Más faz questão de frisar que não está criticando a atual administração porque os problemas vêm de muitos anos: “Penso que essa administração não pode, necessariamente, carregar o peso, não pode ser culpada da falta de responsabilidade”, complementando que “a hora, agora, é de trocar uma nova agenda, mudar a pauta, para que possamos, daqui pra frente, colocar uma nova cultura, novos olhares para o desenvolvimento da cidade como ela merece”.

ORGANIZAÇÃO

O ambientalista destacou a importância da participação da sociedade civil nas ONGs. Ele citou o Instituto “Salve o Planeta Terra” que atua com educação ambiental e a Origem, da qual também participa: “A Origem exerce mais uma ótica de fiscalização. Acho um trabalho essencial para a cidade. Já no Instituto ‘Salve o Planeta Terra’ estamos com conteúdo de educação transversal procurando educar as crianças para uma formação de bom cidadão, de futuro adulto que já chega preparado para essa visão ambiental”.

No último dia sete de maio, o instituto promoveu o 1º Fórum de Cultura Ecológica de Marília, no pesqueiro JB que contou com a participação da Comissão de Meio Ambiente da 31ª. Subsecção da OAB e da educadora ambiental Jane Bochi, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente., da ONG Psicologia e Integração Social e o grupo de teatro Quasilá.
Crianças atentas
no Fórum

Voltado às crianças, o evento teve palestras, oficina de brinquedo ecológico e o plantio de 150 mudas de árvores doadas pela Secretaria Municipal da Agricultura para reposição da mata ciliar no entorno do lago: “Impressiona como as crianças recepcionam as ideias”, disse, acrescentando que o caminho para que a sustentabilidade entre definitivamente na agenda passa pelas crianças, pela educação dos futuros cidadãos.

*Reportagem publicada na edição de 15.05.2011
do "Correio Mariliense"

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