domingo, 1 de maio de 2011

APESAR DO CUSTO, QUEM INVESTE EM CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS RECOMENDA, AFIRMA ARQUITETO

Por Célia Ribeiro

A pauta da sustentabilidade está saindo das esferas acadêmicas e começa a fazer parte do cotidiano de um número cada vez maior de pessoas preocupadas com a preservação do planeta. Como todo processo, a mudança é lenta. Porém, os resultados, que surgem aqui e ali, apontam para um crescimento contínuo. Um exemplo é a construção civil que vem experimentando alternativas ecológicas inovadoras cujo único empecilho é, infelizmente, o alto custo.
Ronen Gomes, arquiteto

A opinião é do arquiteto Ronen Gomes que, apesar de jovem, carrega quase 20 anos de experiência profissional e é um entusiasta da mudança de percepção de seus clientes. Acostumado a projetar imóveis de alto padrão nas regiões mais valorizadas de Marília, o profissional relata que aumentou muito a procura por informações a respeito de construções sustentáveis.

Mas, nem tudo são flores. O custo elevado e a questão cultural acabam por deixar as ideias abandonadas na prancheta. Segundo o arquiteto, muitos clientes manifestam interesse pelos sistemas de captação de água da chuva, que necessitam de um reservatório (cisterna) para armazenar a água abundante na natureza e usa-la em jardins, válvula de descarga etc.

No entanto, o aumento no preço final da obra derruba por terra o sonho de ter uma casa sustentável: normalmente, o custo da tubulação (hidráulica e elétrica) representa de 3 a 4% da obra. Quando se fala em instalar cisterna, duplo sistema hidráulico com caixas independentes para água de banho e consumo e água captada da chuva para as demais tarefas, o valor dobra, chegando a 8% do gasto total da construção.
Paulo Teixeira, síndico do Condomínio Primavera
que tem cisternas para aproveitar água da chuva.
Veja arquivo aqui: http://migre.me/4phTK

Entre o bolso e o sonho, os clientes ficam com o primeiro. Mas, há quem aposte numa mudança de paradigma e encare o investimento como “uma maneira de contribuir com a natureza e fazer algo pelo planeta”, como revelou ao “Correio Mariliense” um conhecido industrial.

De acordo com o arquiteto Ronen Gomes, o poder público está intervindo neste circuito de maneira branda, mas firme. Ele citou como exemplo algumas áreas nobres de São Paulo, cujas construções, a partir de uma determinada metragem, precisam instalar um sistema de captação de águas pluviais. É lei municipal.

Em Marília, com abundante área verde no entorno da cidade, uma natureza privilegiada com vales belíssimos, o arquiteto acredita que há um mercado inexplorado que poderia conciliar projetos imobiliários com a natureza, dentro de um conceito de sustentabilidade (uso de energia solar, reaproveitamento da água da chuva, coleta seletiva de lixo etc). “Hotéis, spas, restaurantes, casas de suco, trilhas ecológicas e até um mirante, construído pelo poder público com parceiros privados, poderiam se instalar gerando turismo, renda, emprego”, observou.

MATERIAIS ALTERNATIVOS

A indústria da construção civil vem lançando novidades para atrair o “consumidor verde” que se preocupa com a sustentabilidade na prática. Já há tijolos ecológicos, telhas de papelão, mistura para argamassa, placas cimentícias que, além da rapidez na instalação, economizam água etc. “Mas, muita coisa esbarra na questão cultural. Como alguém vai investir pesado numa casa, por exemplo, se ela vai ter materiais recicláveis e poderia ser rotulada de lixão?”, pergunta o arquiteto.

Atualmente, alguns clientes têm optado por economizar em alguns itens para gastar mais em opções ecológicas. Um exemplo são os pisos de madeira à base de bambu. São bonitos, resistentes e custam mais que muitos pisos de madeira convencional. Como diferencial, ao invés de derrubar árvores a indústria aproveita o bambu cujo plantio é rápido e tem manejo sustentável.
Detalhe do piso de bambu

Segundo Ronen Gomes, disparado na preferência das construções está o sistema de energia solar. O investimento, relativamente pequeno, traz retorno em curto espaço de tempo: “O custo do equipamento se paga rápido”, observou citando que o aquecimento solar é um conforto que a maioria de seus clientes não abre mão tanto para aquecer a água de áreas internas (cozinha e banheiro), como para aquecimento de piscinas.

Na opinião do arquiteto, a médio prazo a tendência de construções sustentáveis poderá dar um salto se grandes empresas investirem no barateamento dos produtos e na criação de opções acessíveis: “Se uma indústria como a Tigre, por exemplo, resolve lançar uma grande campanha oferecendo cisternas de 5.000 litros, sistema de tratamento de esgoto residencial para chácaras e condomínios, dentro de um conceito de sustentabilidade, essa situação pode mudar e um número maior de pessoas terá condições de optar pelas construções ecológicas”, arrematou.

O INDUSTRIAL E A CISTERNA DE 20 MIL LITROS

Um conhecido industrial, que pediu para não ser identificado, pediu ao arquiteto Ronen Gomes um sistema de reaproveitamento da água da chuva quando construiu sua casa em um dos condomínios de alto padrão de Marília. A surpresa é pelo tamanho do projeto: a cisterna tem 20 mil litros!

“Venho de uma família simples em que nada se desperdiçava. Minha mãe torrava casca de ovo, que é cálcio puro, para colocar nas plantas”, explicou o empresário que acha “um absurdo usar água tratada para lavar carro, lavar calçada e molhar jardim”. Na sua residência, a água da chuva é utilizada na descarga dos diversos banheiros, na limpeza da área externa e no imenso jardim que tem irrigação automatizada.

Ele preferiu não falar no valor investido para não desestimular interessados. Apenas disse que “qualquer um pode fazer algo simples, com uma cisterna menor” e custos proporcionais. Além de economizar água, frisou, estarão ajudando a natureza.
Ipês captados pela lente de Ivan Evangelista

Falando em natureza, o empresário que já apoia um projeto de coleta de lacres de alumínio de latas de cerveja e refrigerante, também tem contribuído com o plantio de árvores. Ele doou centenas de mudas de ipês que foram plantadas no condomínio onde vive, e também no prolongamento da Avenida das Esmeraldas e em outros pontos da cidade.

Em breve, as mudas patrocinadas pelo empresário ecológico se tornarão árvores floridas que devolverão o verde à paisagem da cidade cada vez mais invadida pelo concreto.

* Reportagem publicada na edição impressa de 01.05.2011 do "Correio Mariliense"

2 comentários:

  1. Deixou de ser uma opção pra ser uma obrigação, todos nós temos a obrigação de contribuir com melhorias para contrapor os muitos anos de erros e desinteresse do ser humano! A arquitetura é fator primordial nessa mudança comportamental e nova estruturação mundial. Assim, sejamos formadores de opiniões!

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