segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS: BOAS PRÁTICAS GERAM ECONOMIA E PRESERVAM O MEIO AMBIENTE

Por Célia Ribeiro

Economia com água da chuva
Todo bom administrador conhece a fórmula do sucesso: gerar receita, reduzir custos e apostar em investimentos com retorno garantido. Agora, se além do fator econômico, ainda conseguir outros dividendos o balanço fica ainda mais atraente. Pois foi mais ou menos isso que o empresário Paulo Carvalho Teixeira fez à frente da administração do condomínio do qual é síndico.

Com a experiência de empresário bem sucedido, o síndico do Edifício Primavera, de altíssimo padrão, apostou na sustentabilidade numa época em que o assunto não estava na mídia. Há mais de cinco anos, ele comandou a instalação de um funcional sistema de captação da água da chuva que armazena nada menos que 12 mil litros em seis caixas instaladas no subsolo do prédio.
Thereza Brandão, da Administradora Calcular

“Essa água recebe cloração e é usada em toda a limpeza interna e externa”, explicou o síndico. E não é pouca coisa: além de duas piscinas e quadra poliesportiva, o edifício Primavera tem grande área de paisagismo interno. Assim, a água da chuva que seria desperdiçada é aproveitada na manutenção dessas áreas, bem como na limpeza das calçadas de duas ruas que circundam o prédio.

Quanto aos investimentos no sistema, Paulo Teixeira disse não se recordar. Mas, adiantou: “Só sei que já recuperamos dezenas de vezes o que gastamos porque a economia de água é muito grande. Quem quiser fazer, eu recomendo”, pontuou.

Na mesma época, em meados de 2.005, a preocupação com o meio-ambiente fez com que o condomínio implantasse a coleta seletiva de lixo, incluindo óleo de cozinha, que logo ganhou a adesão dos moradores. “No começo os materiais eram recolhidos pela Cotracil. Mas, de uns tempos pra cá, deixamos os materiais nas caixas externas e os catadores passam para recolher”, informou o síndico assinalando que o que seria descartado gera renda para pessoas carentes.

Condomínios
Cooperativa de catadores não dá conta de tudo

Para a empresária Thereza Brandão, diretora da Calcular – Administração e Terceirização de Condomínios, “se Marília contasse com a coleta seletiva de lixo teríamos muito mais condomínios aderindo”. Ela informou que há vários anos a empresa tem estimulado seus clientes a adotarem a prática e vários condomínios separam o lixo. “O problema é que muitos condomínios não têm espaço para armazenarem os recicláveis e quando a Cotracil não recolhe as reclamações são muitas por causa dos insetos”.

Por outro lado, ela disse que a Calcular continua investindo na preservação ambiental: “Sempre damos treinamento a nossos funcionários quanto à economia da água e cursos sobre a correta utilização dos materiais de limpeza. E, dessa forma, contribuímos não só com a economia de água e dos produtos de limpeza, que custam caro, como com a natureza”. A empresa administra mais de 80 condomínios residenciais e comerciais em Marília.

Secretário
Mário César no ponto de coleta da Secretataria do Verde

Considerada uma das pastas mais atuantes da administração municipal, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, dirigida pelo administrador de empresas e ambientalista Mário César Vieira Marques, prefere não arriscar um prazo para Marília implantar a coleta seletiva em todos os bairros.

“Há muitos aspectos envolvidos e não é uma coisa simples. Por exemplo, temos que ter local para recebimento, separação e destinação correta do lixo”, observou. Conforme disse, “hoje a prioridade está na consolidação do aterro sanitário que exigiu altos investimentos (cerca de 6 milhões de reais) e já recebeu nota 7,8 de um máximo possível de 8,0”.

“Separar sem mercado é enterrar separado”, comentou o secretário citando um ditado repetido como mantra pelos ambientalistas para justificar que, além da coleta e separação, o material tem que ser comercializado. Neste sentido, lembrou as ações de empresas e cidadãos comuns que fazem sua parte. A Coca-Cola, por exemplo, doou tambores para coleta de recicláveis e hoje temos inúmeros pontos de coleta na cidade.

A Cotracil (Cooperativa de Trabalho Cidade Limpa), que reúne famílias de catadores, recolhe cerca de 15 toneladas de recicláveis por mês. Atualmente, os caminhões fazem a coleta de casa em casa nos bairros Aeroporto, Cecap Aeroporto, Novo Horizonte, Santa Gertrudes e São Domingos. Além disso, recolhe recicláveis de condomínios, empresas e outros locais. Quem se interessar pode entrar em contato pelo telefone 88183313 e solicitar, informou a responsável pela cooperativa Ana Maria Marques.

Pontos de coleta

Alguns pontos de coleta de recicláveis:
Spaipa Coca-Cola
Supermercado Maxxi
Supermercado Pão de Açúcar
Daem – Avenida Santo Antônio
Chos Malal
Colégio Bezerra de Menezes
Secretaria do Verde e Meio Ambiente
Bosque Municipal
Shopping Esmeralda

Reportagem publicada na edição de 10.10.2010 do "Correio Mariliense"

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